Tentando o sacerdote e indo para o inferno - Capítulo 04
Na biblioteca do templo, Rarien estava mergulhada em profunda análise.
O que é sexo?
Rarien bateu levemente a pena na mesa e anotou a pergunta em seu caderno.
Claro que, para ter relações sexuais, primeiro era preciso entender o que era o ato em si. Sabia que envolvia inserir o pênis de um homem na vigina de uma mulher.
Rarien desconhecia a série de processos que levavam a essa união. Tudo o que ouvira vagamente na infância era que, quando um homem e uma mulher se amavam e dormiam juntos, um bebê nascia naturalmente.
Então, sexo era uma questão dos procedimentos e métodos desse amor. Ela precisava de conhecimento prático, não conceitual, algo como técnicas que pudesse usar imediatamente.
Rarien tentou tornar sua pergunta mais específica.
Como se faz sexo?
Rarien era do tipo muito estudiosa. Acima de
Sempre que ficava curiosa, vinha primeiro à biblioteca para encontrar livros relacionados. Claro que desta vez não foi diferente.
Ela assumiu as tarefas incômodas que a bibliotecária considerava tediosas e usou isso como desculpa para conseguir a chave da biblioteca. Procurou em segredo, mas infelizmente não encontrou nenhum livro que detalhasse métodos específicos de sexo.
Ela sabia que havia conhecimentos que não podiam ser encontrados em livros.
Quando esses assuntos surgiam, Rarien primeiro perguntava à Irmã Ágata, a superiora do templo.
A Irmã Agatha era a pessoa mais sábia que Rarien conhecia, mas, ao mesmo tempo, era alguém que jamais poderia responder a essa pergunta.
Parecia desrespeitoso perguntar sobre isso à Irmã Ágata, que vive uma vida celibatária trilhando o caminho de Deus.
Este era um convento que valorizava a pureza e a castidade. Não havia ninguém para transmitir conhecimento sobre tais assuntos mundanos. Rarien coçou a nuca, frustrada.
‘O que eu faço?’
Tendo decidido fazer sexo, ela tinha que descobrir o método sozinha.
Desafie, conquiste e saboreie.
Rarien repassou novamente o sermão de Nicholas.
Isso não significava que ela pudesse dizer: — Desejo fazer sexo com o senhor antes de morrer, então, por favor, coloque seu pênis na minha vagina. 🤣
Sentindo que poderia ter dor de cabeça, fechou o caderno, mas logo abriu a última página outra vez. Rarien fitou distraidamente o belo assunto em seu caderno.
Era um retrato de Nicholas Reinhart que ela mesma desenhara. Tinha até título: “Retrato do Intelectual Nicholas Concentrado nas Escrituras”.
Rarien gostava do olhar intenso que ele tinha quando se concentrava em algo.
Embora nunca tivesse aprendido formalmente, parecia ter herdado o talento do avô, que fora pintor imperial, pois também tinha habilidade para desenhar.
Graças a essa habilidade trivial, ela podia ver Nicholas sempre que quisesse, o que era bom.
‘Vossa Excelência, como devo desafiá-lo, conquistá-lo e saboreá-lo?’
Rarien perguntou ao Nicholas em seu caderno. Claro, o homem no desenho não podia responder.
Assim como desenhara o retrato porque queria vê-lo, também precisava descobrir sozinha como fazer sexo.
Naquele momento, Rarien se assustou com o som de freiras rindo ao entrar, e rapidamente fechou seu caderno.
Ninguém viu, mas ela abraçou o caderno contra o peito, temendo que seus pensamentos constrangedores fossem descobertos.
— Ela é mesmo tão problemática assim?
— Você quer dizer a senhorita Evotte?
— Sim. Dizem que veio para cá refletir depois de causar problemas lá fora.
— Refletir? Mas parece que está aqui para descansar até que tudo se acalme. Dizem que é pior que Madame Rosalie. Fez um escândalo exigindo vinho e até atirou um castiçal na Irmã Dahlia da última vez.
Rarien também sabia sobre a Senhorita Evotte. Ela era uma figura bem conhecida no templo, seria mais estranho não saber dela.
A Senhorita Evotte era a única filha do Marquês Evotte, patrocinador do templo, e estava hospedada no quarto de convidados do templo há algum tempo.
— Ela pode agir assim sem sofrer consequências? Os padres simplesmente deixam passar?
— Ah, por favor. O dinheiro fala mais alto que Deus. Quem ousaria dizer algo à filha do patrocinador?
— Não quero ficar de plantão. Ouvir sua história me deixa ainda mais assustada.
Uma das freiras suspirou profundamente, preocupada.
…De fato.
Devia ser realmente assustador e intimidante.
Rarien sentiu empatia, lembrando-se de quando fora designada para cuidar da infame Madame Rosalie.
— Por que não falar com Rarien sobre isso?
Ao ouvir seu nome, Rarien prendeu a respiração.
Por que estão me mencionando aqui? Por qual motivo?
— Rarien?
— Ah, ela é boa em suportar essas coisas. Cuidou de Madame Rosalie até a morte.
É verdade que ela sabia suportar. Também era verdade que cuidara daquela difícil Madame Rosalie até o fim.
E, por causa disso, agora estava atormentada por essa estranha maldição.
— Será que ela concordaria se você pedisse?
— Mesmo assim, tente. Ela é tão boazinha e tola que não consegue recusar essas coisas.
Tola.
Sim, ser boazinha a levou a isso.
Ouvir isso da boca de outra pessoa fez seu coração doer como se tivesse sido beliscado.
Rarien era boazinha, mas não era tola.
Ela simplesmente gostava de ajudar os outros e era um pouco desajeitada, mas não era estúpida. Na verdade, era bastante inteligente.
Se me pedirem, vou recusar com certeza.
Com o pouco tempo que me resta, viverei com determinação!
Rarien cerrou o punho com força, como se estivesse fazendo um juramento.
‘Desculpe, mas não. Estou ocupada com minhas próprias coisas e não tenho tempo para isso. Que tal resolverem seus problemas sozinhas?’
Ela se preparou mentalmente, imaginando as palavras que diria se fosse confrontada. Embora um pouco nervosa, era uma resposta firme e impecável, até em sua própria mente.
— Bem, não precisa nem pedir. Se todas as outras recusarem, a Rarien vai acabar fazendo.
— É verdade.
As freiras riram com desdém. Diante dos seus sorrisos zombeteiros, o ambicioso ‘plano de recusa’ de Rarien desmoronou como um castelo de areia.
Ela sentiu indignação. A Rarien boba que recebeu uma maldição com prazo de validade estava morta. De agora em diante, ela não vai mais aceitar tudo calada.
‘Preciso dizer com confiança que não sou mais assim, que me subestimaram e que não devem me tratar com desdém!’
No momento em que estava prestes a dar um passo à frente e declarar claramente sua determinação, ignorando os punhos trêmulos—
— Mas sobre a senhorita Evotte, ouvi dizer que ela contrabandeou um monte de romances indecentes.
Rarien parou diante da nova informação.
— Romances indecentes?
— Romances eróticos. Sabe, sobre homens e mulheres… fazendo aquilo. Tipo ‘Uma Noite no Templo Imoral’? Uma amiga me contou na última licença. Dizem que o processo é descrito em muitos detalhes.
— …Você está louca? Não se pode falar disso no templo. Peça desculpas e reze logo.
As duas freiras fizeram o sinal da cruz, arrependendo-se por terem mencionado um assunto tão obsceno.
‘Romances eróticos, hein. E o processo de relação é descrito em detalhes?’
‘É isso.’ Os olhos de Rarien se arregalaram ao finalmente descobrir um avanço.
🌸🌸🌸
Rarien parou diante do quarto mais luxuoso do templo, a acomodação de hóspedes.
Dentro, a notória filha do patrocinador descansava, famosa por ser encrenqueira no templo. Parecia puxar os bigodes de um leão adormecido, mas Rarien respirou fundo.
‘Desafiar, conquistar e saborear.’
Recordando o aforismo pregado por Nicholas, Rarien bateu à porta. Embora não houvesse resposta, ela já havia confirmado que a senhorita Evotte estava lá dentro.
— Senhorita Evotte, posso entrar um momento?
Entrando com cautela, Rarien inclinou a cabeça para a outra, que estava deitada no sofá folheando um catálogo.
— Olá. Sou Rarien Claude e estarei à sua disposição a partir de hoje.
— O que você está tramando?
A Senhorita Evotte perguntou com indiferença, seu olhar ainda fixo no catálogo.
— Perdão?
— Ouvi dizer que você se voluntariou para me atender. Está planejando rezar por mim ou algo assim, talvez até me abençoar?
Seu tom era claramente sarcástico. Embora sua postura vigilante e afiada fosse um pouco intimidadora, Rarien não se deixou abalar.
Lidar com pessoas difíceis e atendê-las adequadamente era uma das especialidades de Rarien.
— Se for isso que a Senhorita Evotte deseja.
— O quê?
As sobrancelhas da mulher franziram em irritação quando levantou a cabeça.
— Mas se não desejar, não a forçarei. A fé em Deus não pode ser imposta por outros.
Enquanto Rarien respondia calmamente, a Senhorita Evotte fechou o catálogo com um estalo. Então, ela fitou intensamente o rosto de Rarien.
Sob aquele olhar penetrante, Rarien congelou.
— Você pode parecer inocente, mas será que te falta algum parafuso?
— O quê?
— Devo ter ouvido das outras freiras. A menos que seja louca, por que se voluntariaria para isso? Autotortura é seu hobby?
A Senhorita Evotte sentou-se e recostou-se no sofá, cruzando suas longas pernas e os braços. Seus caros chinelos de seda balançavam na ponta dos pés.
Era claramente uma postura defensiva.
Rarien a observou novamente com cuidado, como se confirmasse algo.
A Senhorita Evotte era deslumbrante com uma aura inocente. Ao contrário dos rumores de ser encrenqueira e uma pirralha irreprimível, sua aparência parecia tão recatada quanto a de uma jovem dama distinta.
— O que você está olhando?
Com seus longos e espessos cabelos castanhos, olhos verdes marcantes, bochechas rosadas e um rosto de boneca…
Honestamente, era a mulher mais bonita que Rarien já vira. Talvez por ter sido criada no luxo, mesmo quando agia de forma indisciplinada, exalava um ar de elegância em vez de frivolidade.
Rarien, naturalmente fraca por coisas bonitas, ficou momentaneamente encantada com a aparência da Senhorita Evotte.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet