Solstício (novel) - Capítulo 16
Ao ver o leve tremor em seus olhos, parecia que essa pergunta também era inesperada para ele.
— Hum… Paolo me disse mais cedo que há alguns problemas com os negócios do seu pai.
— Não é nada novo.
Sua voz era a mesma de sempre. Ele havia mantido essa informação de “nada novo” tão bem escondida que a polícia só agora descobriu sobre a divisão na organização.
— Mas ainda assim é preocupante, certo?
Alessandro não disse nada. Seu silêncio podia ser interpretado de muitas maneiras, mas naquela situação, provavelmente era um sim.
— Você se lembra da última pintura que vimos na Galleria Fiore? Aquela que reinterpretava o ¹Caravaggio…
— Você quer dizer ²[The Incredulity of Saint Thomas].
— Isso.
— A [The Incredulity of Saint Thomas] de Caravaggio é uma pintura sacra muito peculiar. Normalmente, a santidade de Deus é expressa por meio de milagres ou auréolas, mas Caravaggio transmitiu a mensagem destacando as emoções humanas.
A cena em que ³Thomas, o discípulo que duvidou da ressurreição de seu mestre, coloca o dedo na ferida de Jesus e se espanta é um tema frequentemente utilizado.
— A expressão de Thomas é famosa nessa obra. Em vez de estar comovido com a ressurreição de Jesus, ele parece mais em estado de choque e terror diante da possibilidade de algo assim. É como se estivesse retratando a onipotência de Deus através do medo de Thomas diante de um poder esmagador.
River lambeu os lábios secos. Ela precisava conduzir bem a história aqui.
— Me pareceu que todos na sala de conferências estavam com medo de você. Mas me perguntei se alguns deles… talvez tivessem ainda mais medo do seu pai.
Alessandro, observando-a atentamente, parecia querer uma explicação mais detalhada. Ela deu de ombros, fingindo não estar nervosa.
— Ouvi do meu tio que Don Antonio era absoluto na Família, certo? Eles estão acostumados com isso, e de repente esse medo esmagador não está mais visível, então estão se sentindo inseguros. E por estarem assim, procuram pela coleira que sempre tiveram.
Alessandro, parecendo intrigado, virou o tablet e o colocou sobre a mesa.
— Parece que você tem uma alternativa. Me diga.
— É simples. Use o fato de que a fonte da dominância é o medo esmagador.
Só mais um pouco, só mais um pouco e ela teria sucesso. River sorriu suavemente e continuou.
— Assim você se torna a nova coleira deles.
Mesmo com a sucessão do filho iminente, o medo que o pai incutiu não desapareceria facilmente. O medo aprendido ao longo do tempo havia se tornado a própria ordem. Se é assim, então há apenas uma alternativa.
Dê a eles um medo maior e mais pesado do que aquele que Antonio deixou para trás. Para que nenhum Thomas duvidoso ouse dar um passo à frente.
— Coloque uma nova coleira no cachorro. Claro, eles podem latir no início porque está desconfortável, mas eventualmente vão se acostumar, certo?
Alessandro não disse nada. Em vez disso, encarou River intensamente. Por um longo, longo tempo.
E então, algo incrível aconteceu.
Os lábios do homem se curvaram suavemente. Foi o primeiro sorriso que ela via desde que começou a missão. Era como se a vida tivesse penetrado em uma bela estátua de gesso.
— Lily Gray.
A voz chamando seu pseudônimo soou doce. Definitivamente eram as mesmas cordas vocais que estavam frias e secas um momento atrás, mas como podiam mudar tanto em um instante?
Alessandro fez um gesto para que se aproximasse. Ela caminhou silenciosamente, mas se sentiu estranha. Aquela que falava sobre coleiras agora se via reduzida a uma cachorro. Um pressentimento de sucesso e uma sensação de desconforto surgiram juntos.
A mão grande do homem envolveu sua bochecha e mandíbula. A outra, que repousava levemente, puxou a mulher gentilmente para perto. Quanto mais ele se inclinava, mais sua respiração se aproximava.
— Você está sendo bem fofa.
Alessandro tinha cheiro de sabonete recém-usado e vapor refrescante. O cabelo levemente úmido tocou sua testa. Seus narizes se roçaram e logo seus lábios se encontraram.
Seus olhos se fecharam por reflexo. O homem apalpou o lábio inferior de River com o seu, lambeu-o levemente e então se afastou. Assim que ela abriu os olhos, imaginando por que não tinha continuado, uma mão áspera agarrou seu ombro e cintura.
Enterrada na poltrona macia, River piscou, confusa. Ela havia apenas perdido o equilíbrio por um momento, mas de alguma forma suas posições haviam sido invertidas.
— Você tem o hábito de morder o lábio, não é?
Parecia que a razão pela qual ele havia traçado seus lábios com a língua antes era para contar as marcas de mordida. Ela hesitou e depois assentiu brevemente.
Ele estendeu a mão e acariciou os lábios de River. Pressionou firmemente o polegar na parte mais cheia, depois acariciou como se estivesse fazendo cócegas. O sussurro baixo que abalou sua consciência foi ouvido tão perto.
— Não faça isso na minha frente.
Ele inclinou a parte superior do corpo, apoiando as mãos nos braços do sofá. Uma sombra nítida caiu sobre a mulher tensa. River tentou parecer calma e deu um leve sorriso, mas não conseguia se mover um centímetro dentro de seus braços fortes.
E mais uma vez, suas respirações se misturaram.
Desta vez, River colocou os braços ao redor do pescoço do homem e se agarrou a ele primeiro. Ela sabia bem, por experiências passadas, que seria difícil suportar de outra forma.
O beijo que havia pousado suavemente tornou-se mais intenso com o passar do tempo. Ele esfregava os lábios contra os dela sem deixar espaço, e se River virasse o rosto, ele a seguiria até o fim. Aquilo não era um beijo, deveria ser chamado de caça. Depois de capturá-la, sua língua invadiu incansavelmente sua boca novamente.
Sabendo que ela ficava sem fôlego facilmente durante um beijo, Alessandro ocasionalmente lhe dava tempo para respirar. Ficou um pouco grata por essa consideração. Mas sua gentileza se limitava apenas ao beijo.
— Ugh!
Desta vez, ele respirou em seu ouvido. Seus ombros encolheram involuntariamente com a sensação estranha. Quando a sensação quente e úmida produziu um som molhado em seu lóbulo, um gemido escapou involuntariamente da garganta de River.
— Ah, Alessandro…
Ao chamar seu nome, seus olhos se encontraram. Parecia que o homem estava perguntando se ela queria que ele parasse, então River rapidamente desviou o olhar. Ela não podia estragar tudo ali.
Enquanto isso, suas mãos acariciavam o corpo da mulher. De seus ombros levemente trêmulos até seus seios de tamanho moderado, à cintura fina e suas coxas lisas.
A barra de sua saia subiu, expondo a parte inferior de seu corpo, e os finos pelos de sua pele se arrepiaram. A mão de Alessandro, tocando sua pele, parecia infinitamente quente.
Num instante, as alças do vestido e do sutiã de renda foram puxadas para baixo ao mesmo tempo. Parecia que um fogo havia sido aceso nos olhos azuis do homem ao ver seus mamilos rosados endurecerem. Logo, uma grande mão envolveu suavemente os seios nus.
River inconscientemente agarrou o pulso de Alessandro, mas foi só isso. Ela não podia rejeitá-lo.
Os lábios, que estavam mordiscando seu lóbulo, desceram e envolveram seu seio exposto. Ele massageava lentamente a carne com as mãos e circulava a aréola com a ponta da língua.
Ocasionalmente, lambia ou esfregava como se estivesse pressionando. Seus mamilos ficaram ainda mais duros em sua boca quente. Cada vez que o homem os mordia suavemente sem machucá-la, suas pernas tremiam.
Depois de chupar a parte superior de seus seios como se os mordesse, Alessandro levantou a cabeça novamente e sussurrou no ouvido de River.
— Abra as pernas.
O alarme de emergência já estava tocando em sua cabeça. Uma sensação ainda mais intensa que antes desceu impiedosamente, abalando seus pensamentos.
‘Ah, então ele realmente vai fazer isso.’
Era algo para o qual ela havia se preparado, mas ainda estava um pouco assustada. Estaria menos nervosa se já tivesse tido experiência com um homem antes?
Quando abriu as pernas conforme instruído, sentiu uma força pressionando seus ombros. Seu corpo foi empurrado para baixo como se estivesse deitada no sofá.
Os joelhos de Alessandro pressionaram e roçaram contra suas pernas.
— Hng…!
Arrepios percorreram todo o seu corpo mesmo com o estímulo fraco. Parecia que sua calcinha estava ligeiramente molhada. O homem provavelmente sabia disso também e parecia satisfeito com isso. Sua mão deslizou a parte interna de sua coxa e puxou a parte fina da calcinha.
Graças à depilação feita antes da missão, a vagina de River não tinha nenhuma barreira final. As pontas dos dedos de Alessandro passaram pelo monte macio e tocaram o clitóris sensível.
Seu polegar esfregou superficialmente para cima e para baixo. Foi apenas por um momento, mas parecia que o toque do homem havia alcançado a mucosa úmida. River apertou com força o braço do sofá.
Ela estava envergonhada, mas precisava suportar. Não podia estragar a missão.
— Lily.
Então, em vez de prolongar isso, queria que ele simplesmente fizesse logo…
— Relaxe.
Só depois que Alessandro beijou os olhos de River é que ela percebeu que estava chorando.
— …Hã?
Os beijinhos não foram dados apenas em seus olhos. Uma vez na testa, outra no queixo. Parecia que seus lábios também tinham um pouco de lágrimas.
— Eu nunca fiz uma mulher chorar só com um beijo.
Com o último dos beijos espaçados, a presença que cobria seu corpo gradualmente se afastou. A mão que parecia que iria penetrá-la desapareceu.
River olhou para cima com uma expressão confusa. Sua respiração e o calor em suas bochechas ainda estavam lá, mas o ar na sala estava surpreendentemente calmo.
— Por que, você parou…?
Ela ficou tão atordoada que uma pergunta vazia escapou sem nem pensar. Ele ia continuar brincando com River assim?
Mas Alessandro respondeu calmamente:
— Porque eu gosto de você.
É sempre assim. Suas respostas eram simples e ainda assim difíceis de entender.
Olhando para trás, sempre foi assim. Dizem que os olhos são a janela da alma. Normalmente, quando você faz contato visual enquanto fala com alguém, pode adivinhar aproximadamente o que a pessoa quer.
Mas isso não funcionava com Alessandro.
Claro, ele deve ter praticado exaustivamente como esconder suas emoções ao longo do seu crescimento. Em um mundo onde a lei do poder é absoluta, revelar os próprios pensamentos internos seria uma fraqueza fatal.
O Alessandro de sua memória era um garoto brilhante. Ele sabia exatamente o que era benéfico e o que era prejudicial, e o que precisava fazer para sobreviver. O segredo de reinar no topo tão jovem não era apenas por sua força esmagadora ou por ser o único filho do chefe.
Alessandro, que havia se afastado, ajustou seu roupão. Parecia realmente que não tinha intenção de fazer mais nada. Mexeu no celular por um momento e depois o jogou na cama.
— Você está no hotel Fortuna? Volte e arrume suas coisas. Eu chamei um carro. Vamos nos mudar amanhã.
—O que você quer dizer… de repente?
— Você disse que suas férias eram de três meses. Fique ao meu lado durante esse tempo.
‘Fique ao meu lado’ — alguém poderia dizer que isso era algo de fazer o coração disparar, mas nessa situação, era apenas repentino.
Ela tinha ido até o Fortuna Hotel, então sabia que não era luxuoso. Ele ia preparar outra residência para ela? Estava pensando em passar as férias juntos em um novo hotel?
— Para onde vamos?
Porém, Alessandro mais uma vez traiu as expectativas de River.
— Para a minha casa.
E dessa vez, completamente.
(Nota: ¹A Incredulidade de São Tomé. ²Caravaggio: Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) foi o “bad boy” do Barroco italiano. Ele revolucionou a pintura ao abandonar a perfeição idealizada do Renascimento em favor de um realismo bruto e dramático.)
³Thomas /Tomé)
Continua…
Tradução: Elisa Erzet