Solstício (novel) - Capítulo 15
Uma sensação arrepiante percorreu sua nuca e desceu pela espinha. Instintivamente, River encolheu os ombros, mas ele simplesmente envolveu sua cintura com o braço e a puxou para mais perto. Com um gesto despreocupado, o próximo sucessor acrescentou uma única palavra para os presentes:
— Dispensados.
Era o veredito final. O homem havia declarado o fim da reunião, e ninguém ousaria contestar.
Naquele momento, River percebeu por que Alessandro havia se dado ao trabalho de levá-la à reunião.
Lily era uma espécie de desculpa. Se estivesse acompanhado e dissesse que tinha outros assuntos, os reunidos ali presumiria que ele iria fazer algo com ela. O homem só havia levado River para controlar o momento de encerrar a reunião, suavizando a história sobre Antonio sem causar alvoroço.
Ele estava escondendo o paradeiro do pai? Ou será que nem ele sabia? De qualquer forma, era assustador. O fato de todas as suas ações serem baseadas em cálculos meticulosos.
Meio envolvida por seus braços, River saiu da sala de conferências e entrou no elevador. Felizmente, ainda nada havia acontecido. Desta vez, conseguiria alcançar seu objetivo. Seria difícil, mas não por muito tempo.
O elevador parou no último andar. O local onde ele ficava era a suíte presidencial, completamente separada do restante do hotel. River reprimiu o nervosismo e entrou. O interior limpo e moderno combinava com a impressão contida do homem.
— Fique à vontade. — Disse Alessandro, tirando o terno e pendurando-o no sofá. Em seguida, desabotoou os punhos da camisa, como se estivesse prestes a se despir e ir direto ao ponto.
Enquanto River sentava no sofá, se perguntando se deveria começar a tirar a roupa também, ouviu-se uma batida na porta.
Havia uma campainha, então quem bateria? O dono do quarto não pareceu surpreso.
— Entre.
O homem que abriu a porta era de meia-idade. Parecia um dos membros da organização que estiveram na reunião, mas não um executivo. Ela o reconheceu pelos cabelos castanhos já grisalhos.
— Sandro, ouvi dizer que a reunião foi adiada para amanhã. Alguma instrução?
O homem lançou um olhar para River e acenou levemente. Seu corpo de terno não parecia desajeitado. Ele lembrava mais um elegante homem de meia-idade de filme ou drama do que um membro da máfia.
— Ainda não.
— Ficarei de prontidão até a reunião de amanhã.
— Certo. Entro em contato se precisar.
A conversa fluía naturalmente. A presença de River não parecia um obstáculo.
Enquanto Alessandro desabotoava a camisa, o homem, aparentemente seu subordinado, sentou-se naturalmente no sofá oposto. Aquilo a deixou inquieta — um estranho entrando assim naquele momento.
Certamente… eles não fariam algo a três.
As informações de Federico não mencionavam nada assim. Alessandro sempre dormia com uma única parceira, mas…
Enquanto se preocupava, Alessandro entrou no banheiro. Só quando ficaram sozinhos na ampla sala de estar, o homem que a observava ofereceu a mão.
— Sou Paolo Verolini, senhorita Gray.
Assim que ouviu o nome, River se lembrou de quem ele era. O braço direito de Alessandro. Ela não o reconheceu de imediato porque só havia visto fotos dele mais jovem.
— Pode me chamar de Lily. Seu inglês é muito bom.
— É o básico. Meu trabalho é bastante multinacional.
Sim, claro que era. Dominar o tráfico global de drogas exigia isso.
Paolo Verolini não fazia parte originalmente da Família Ranieri. Ele havia se juntado quando Antonio começou a consolidar organizações ao redor para expandir seu poder. O fato de ter se tornado o braço direito mais fiel do sucessor significava que ele possuía muitas informações.
Era uma boa oportunidade. River decidiu sondá-lo.
— Na reunião de antes… o pai do Alessandro, quer dizer…
— Está falando do Don Antonio?
— Sim. Parece que Alessandro está em apuros porque ele desapareceu. Está tudo bem?
Tentando soar como uma pessoa comum, sem muito conhecimento do submundo, River lançou a isca.
— Ah, então você ouviu. Não é tão problemático quanto parece. É mais uma disputa interna de poder.
— Disputa de poder?
Agora era a hora de agir com toda a inocência possível.
— Basicamente, há facções que apoiam Don Antonio e outras que apoiam o Sottocapo. Ambos concordam que Sandro é o sucessor.
— Então por quê?
— Como Don Antonio está ausente há muito tempo, Sandro tem assumido as funções do chefe. Então…
Paolo deu de ombros.
— Por que não prosseguir com a sucessão sem esperar? Esse é o argumento dos apoiadores do Sottocapo.
River engoliu em seco. Era um segredo aberto dentro da organização, mas ainda assim novo para a polícia.
— Por outro lado, há quem diga que Sandro não pode se tornar chefe sem a confirmação da morte. Ambos os lados têm razão.
Fazia sentido. Se o antigo chefe voltasse de repente, considerando sua natureza demoníaca, não seria nada tranquilo. Mesmo sendo filho, hierarquia era hierarquia.
— Sandro não expressou opinião. Ele apenas cumpre seu papel na Família.
‘Então… de que lado estava o executivo que mencionou Antonio?
Parecia temer Alessandro também.’
Era a hora da pergunta decisiva.
— Mesmo que mais ninguém saiba… Alessandro sabe onde o pai está? Ele é seu filho. Mesmo que não se encontrem, não diria ao menos onde está…?
River lançou a última isca, esperando qualquer resposta.
Mas então ouviu a porta abrir.
Alessandro estava saindo do banheiro.
— Ah, parece que terminou. Vou me retirar.
Paolo se levantou e saiu.
Não houve tempo de impedi-lo.
Em situações vulneráveis, executivos costumam ser alvos de assassinos. Paolo estava ali para impedir qualquer atitude imprudente contra seu mestre.
Na pressa, ela não considerou a presença de um cão de guarda.
No fim, perdeu uma das duas oportunidades: antes ou depois do sexo.
River olhou para a porta fechada e depois para o banheiro aberto.
Alessandro vinha em sua direção, apenas com uma toalha na cintura. A água ainda escorria por seu torso, acompanhando as curvas dos músculos como uma escultura perfeita.
Situações inesperadas, ansiedade… e aquele homem a encurralaram.
‘Deveria encarar seus olhos? Evitar? Avançar direto? Tomar banho também?’
Mas, apesar de tudo, ele nem sequer se aproximou do sofá.
Passou pelas portas e foi ao closet. Vestiu a cueca, tirou a toalha e colocou um robe.
A tensão se dissipou.
Se fosse possuí-la imediatamente, não teria vestido nada.
Impaciente, River perguntou, tentando soar natural:
— Não sabia que você ia tomar banho primeiro. Devo tomar também?
— Faça o que quiser. Se precisar de roupa íntima nova, peça ao Paolo.
A resposta foi fria.
Alessandro estava sentado com um tablet.
Ou seja, ele não pretendia transar com Lily.
Era um dia de expectativas quebradas.
Ele a manteve no colo durante a reunião, mostrou o tanquinho sarado… e agora simplesmente iria trabalhar.
Como se estivesse brincando com ela.
River cerrou os dentes.
Não podia recuar.
Uma sedução simples talvez não funcionasse.
Precisava de algo que realmente despertasse o interesse dele.
Algo que fizesse esse homem, frio como uma estátua, reagir:
— Você está preocupado com o que aconteceu na reunião?
— …
Bingo.
Alessandro voltou os olhos para ela.
Funcionou.
Continua …
Tradução Elisa Erzet