Solstício (novel) - Capítulo 13
Nate, perdido em pensamentos, voltou à realidade. Depois de hesitar, desligou o registro de água quente. O fluxo morno rapidamente se tornou gelado. Água morna não seria suficiente para acalmar suas emoções turbulentas.
Depois de sua noite com Kate, o apelido de “playboy casto” desapareceu. Restou apenas a segunda parte. Ele não levava uma vida sexual promíscua, mas também não rejeitava mais todas as mulheres que se aproximavam dele como fazia antes.
Ainda assim, River vinha ocupando seus pensamentos há anos, recusando-se a ir embora. Por mais que tentasse apagá-la da mente, era como se ela estivesse sempre olhando para ele.
Era a mesma coisa agora. River nunca o deixava em paz. A história transmitida por sua voz suave não parava de ressurgir, transformando-se em fantasias vívidas.
River jantando com Alessandro, River beijando-o, River ofegante de prazer sob o homem…
Um desconforto surgiu, e sua lombar parecia pesada. O membro entre suas pernas ganhou força e ficou ereto. Dominado pelo ódio de si mesmo, Nate bateu a testa contra a parede.
— …Porra.
Ele murmurou um palavrão e levou a mão ao pênis ereto, tentando aliviar o desejo que nem a água gelada conseguia extinguir.
Mas os gemidos de River, que ele nunca ouvira, não paravam de ecoar em seus ouvidos.
Desde o dia seguinte ao recebimento do telefone, River vinha cumprindo uma agenda lotada como parceira oficial de Alessandro. Os locais eram diferentes a cada vez, e os encontros eram impecavelmente perfeitos.
Exceto por um detalhe: ele nunca levou River a um hotel. Ele dissera que não tinha outras intenções e raramente a tocava. Apalpar suas nádegas e seios na galeria fora o contato mais íntimo até agora, e desde então havia apenas beijos. Beijos muito castos, diga-se de passagem.
Não podia haver problema com o membro do homem. De acordo com Federico, ele tinha derretido todas as suas parceiras anteriores em êxtase.
Então, Lily Gray não era atraente? Não, ele não a teria escolhido como parceira se fosse o caso. Alessandro não precisava de uma amiga apenas para falar sobre arte.
Acima de tudo, o olhar que a pressionou na galeria, quase a sufocando, era a prova. Havia definitivamente um desejo pegajoso ali.
‘Então, qual é o problema desse bastardo…?’
De volta do teatro, River tirou seus saltos altos assim que entrou em seu quarto no Hotel Fortuna. Se jogou na cama, encarando o teto em branco, enquanto a frustração a inundava. Se quisesse copiar o telefone dele ou instalar um backdoor no laptop, precisava ir a um hotel primeiro — mas, mais uma vez, tinha dado tudo errado.
Até agora, não havia obtido nenhuma informação útil em suas conversas.
Alessandro era estóico e preferia ouvir as histórias de River a falar sobre si mesmo.
Nesse meio tempo, River visitou dois museus de arte e assistiu a duas apresentações. Incluindo o balé que acabara de ver, eram três no total. Lily Gray poderia estar em Milão de férias, mas será que um Sotocapo realmente poderia curtir a vida cultural assim?
Além disso, não restava muito tempo. A reunião executiva da Família Ranieri seria no dia seguinte. Assim que terminasse seus negócios, Alessandro deixaria Milão.
Se eles não acabassem na cama até amanhã… bem, qual seria a probabilidade de ele ligar para River depois que partisse?
Nesse ritmo, era só uma questão de tempo até que a missão e a vingança se tornassem sonhos distantes. No início da missão, ela esperava não precisar transar com ele, mas agora não era hora de ser tão despreocupada. Sua tranquilidade estava arruinando o trabalho. No fim, só conseguiu morder o lábio inferior e tentar acalmar a ansiedade.
Deveria entrar em contato com Alessandro imediatamente e agir como se estivesse no cio, dizendo que queria transar com ele? Seus pensamentos correram em uma direção extrema. River afastou a ideia maluca e se levantou.
— Ah… primeiro preciso fazer o relatório.
Sentada no sofá, ela apertou o botão de chamada no telefone. Já não sabia dizer se era um relatório ou uma reclamação, mas precisava fazer o que tinha que fazer.
[Como foi hoje?]
Ouvir uma voz familiar depois de passar o dia inteiro sob tensão foi mais reconfortante do que ela esperava. River tirou os brincos de pérola e disse:
— Hoje… eu fui assistir a um balé.
[Da última vez foi Hamlet, e desta vez balé?]
— Eu sei. Ele tem gostos sofisticados para um criminoso.
[Qual foi a apresentação?]
— O Lago dos Cisnes. O final foi diferente do que eu conhecia.
[Como terminou?]
— Eu preciso mesmo relatar o enredo agora?
Diante de sua pergunta brincalhona, uma risada suave foi ouvida do outro lado da linha.
[Só estou curioso.]
Cada palavra de Nate era tão gentil quanto de costume. Seu coração atribulado se sentiu um pouco mais aliviado. Ela não sabia o que aconteceria amanhã, mas por agora, só queria se apoiar em seu amigo por um momento.
— O príncipe Siegfried luta contra o feiticeiro maligno Rothbart e morre junto com ele, e a princesa Odette, que voltou à forma humana, fica sozinha para lamentar.
[Por que um final assim? Ninguém fica feliz.]
— Bem… talvez o príncipe tenha ficado. Pelo menos vingou a mulher que amava e deu liberdade a ela.
[Parece interessante. Mais alguma coisa?]
Era hora de voltar aos negócios. River moveu os lábios, relutante em falar.
— Desta vez também só assisti ao espetáculo e voltei. Não encontrei nada de especial no jantar antes disso.
Quando não houve resposta, sua frustração aumentou. Todos da equipe reunidos para esta operação deviam sentir o mesmo. Parecia que a missão estava estagnada por falta de sua capacidade, então River rapidamente acrescentou, como se estivesse dando desculpas.
— Estou tentando. A reunião executiva é amanhã… espere um pouco.
Nesse momento, uma notificação de mensagem apareceu em seu telefone. Era o celular de parceiros que Lily Gray havia recebido de Alessandro.
— Acabei de receber uma mensagem. Vou verificar.
[O que diz?]
A voz de River tremeu levemente, nervosa com a mensagem que chegara tão tarde.
— Ele vem me buscar amanhã… às 9 horas.
[Destino?]
— Ainda não sei. Você sabe, ele nunca me diz para onde vamos até nos encontrarmos. Não adianta perguntar. Mas já é um progresso ficar ele ter marcado algo.
Um suspiro de alívio foi ouvido do outro lado da linha. Nate não demonstrava muito, mas devia estar sob bastante pressão.
[River, não quero te pressionar, mas… você sabe que essa é praticamente a última chance, certo?]
— Eu sei. Não sei se a reunião vai durar um ou dois dias, e não parece que ele ficará em Milão depois de terminar.
[Tente tudo o que puder amanhã.]
‘Tudo o que puder.’ River não conseguiu responder em voz alta, sabendo o que isso significava.
[Você vai, certo?]
Nate perguntou novamente, percebendo a hesitação no silêncio. River mordeu o lábio inferior com força. Não havia escolha. Ela realmente teria que fazer isso.
— Vou tentar de algum jeito.
[Como você sabe, o telefone que recebeu da central está conectado ao nosso servidor. Se funcionar…]
Nate fez uma pausa, como se limpasse a garganta. River ouviu atentamente.
[As informações roubadas entrarão automaticamente no nosso sistema, então não precisa relatar imediatamente depois. Você sabe o que isso significa, certo?]
Ela sabia. Como não saberia? Aquilo era uma forma de consideração.
Mesmo assim, por que continuava se sentindo desconfortável?
— …Obrigada. Vou entrar em contato novamente em breve. Boa noite.
[Você também… boa noite, River.]
A ligação terminou com uma despedida comum.
River ficou sentada no sofá, encarando fixamente a mensagem que chegara ao telefone de Lily Gray. 9 horas da manhã. Era bem cedo.
A maioria dos encontros era à tarde ou à noite. Aquela era a primeira vez que ele pedia algo tão cedo. Não fazia ideia do que o homem planejava fazer antes da reunião, mas ainda assim… não podia perder a oportunidade que finalmente surgira.
River planejava, de algum jeito, levar Alessandro para a cama no dia seguinte. Como sempre, quando se sentasse ao lado dele no sedã preto, iria agarrá-lo. Mesmo que tivesse que implorar.
🌸🌸🌸
O motorista buscou River no mesmo horário de sempre. Ela já se sentara naquele banco tantas vezes nas últimas duas semanas que até a sensação do assento contra seu corpo lhe era familiar.
E ao lado dela estava Alessandro. Ela sentia vagamente seu perfume, como o ar frio da manhã de inverno. Isso também já era familiar.
— Bom dia. Para onde vamos hoje?
River falou de propósito com alegria, fingindo estar ansiosa pelo encontro.
Alessandro, que a observava com olhos lânguidos, logo desviou o olhar para a janela. Os lábios do homem se moveram brevemente.
— Hotel.
Os olhos de River se arregalaram. Ela rapidamente se recompôs, não querendo mostrar surpresa, mas seu coração ainda disparava.
— Qual hotel?
— Onde estou hospedado.
…Ela não tinha ouvido errado.
Eles não iam apenas assistir Hotfix juntos no hotel, então perguntou a si mesma se o homem planejava finalmente aliviar o tesão que vinha se acumulando antes da reunião executiva. Talvez estivesse cansado de viver como um casal sofisticado de meia-idade com sua nova amante.
Ansiosa, ela estendeu a mão e apalpou discretamente a clutch. Cuidara bem do telefone que trouxera da central. Ele teria um papel importante para copiar o telefone dele ou roubar informações do laptop. E também havia uma caixa de preservativos. O implante evitaria gravidez, mas ela não queria se esfregar nele sem proteção.
Fingindo olhar pela janela, River suspirou de alívio por dentro. Felizmente, não precisaria implorar para passar a noite com Alessandro.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet