Noites de Caos (novel) - Capítulo 99
Tradutora: Gab
Eun-Ha olhou para ele, confusa.— “Eu perguntei quem está nos observando.”
“Eles…”
“Diga os nomes.”
“Eu não sei. Por que você me beijou se sabia que eles estavam nos observando?”
“Há muitas vidas a serem tiradas.”— Jihak virou a cabeça lentamente; não parecia se importar em matá-los. Eun-Ha sentiu um medo instintivo ao ver as pessoas refletidas nos olhos dele.
Alguém poderia perder a vida.
Impulsivamente, ela abraçou a sua cintura.
“Isso não me agrada.”— Os olhos dela tremeram. Ele a abraçou.
“O quê…?”
“Eu não quero ver essas pessoas se machucarem.”
“Está preocupada com a vida deles?”
“Eu também tenho ouvidos. Sei o que aconteceu com as pessoas que me feriram.”
“Acho que mereceram morrer.”— Ela franziu a testa. Ficou ansiosa pois Jihak disse isso com calma.
Quando a mulher que deveria estar no quarto apareceu, ele virou a cabeça instintivamente. A forma como ela se escondera atrás do carvalho foi engraçada. Mas o Príncipe se preocupou se preocupou pois a leitora estava sozinha na escuridão.
“Mas este caso é diferente. Eles não me feriram.”
“Eles ousaram olhar para nós.”
“Isso não é um pecado.”
“Deseja salvá-los?”
O corpo dela tremeu por não conseguir responder.
“Haa” — Quando o olhar dela se perdeu na escuridão, ele agarrou seus cabelos. Ela gemeu.
Mas o homem não viu em seus olhos a luz que desejava. Os olhos negros e assustados dela dilaceraram a sua mente. Os dedos que seguravam seus cabelos relaxaram.
“Você me perguntou por que eu me encontro com eles se não pareço feliz.”— Quando percebeu que ela ainda sentia medo, pensamentos cruéis começaram a se formar em sua mente.—“ Primeiro eu lhes ofereço doçura, depois obtenho ainda mais. Não os mantenho por perto para salvá-los e a pessoa que melhor conhece essa doçura é você mesma, Eun-Ha.”
Ele limpou o lábio ensanguentado com a mão.
***
Em um quarto que cheirava a sangue, um homem manchado de carmesim tremia. Os cabelos estavam desalinhados e o rosto coberto de sangue era irreconhecível. Uma sombra se projetava no líquido acumulado sob a cadeira à qual ele estava preso.
Yuljae, impassível, observava o assassino.
Os olhos do assassino tremiam. O homem que aparecera arrancara todos os seus dentes para impedi-lo de morder a própria língua.
“Eu não sei de nada.”— As palavras soaram estranhas, pois ele não tinha dentes. Não seria surpreendente se perdesse a consciência naquele momento, mas sua força mental era notável.
“Parece que obtivemos uma presa.”— O homem revirou os olhos.
As sombras ao lado cerraram os punhos em torno das espadas, indignadas. Aquele sujeito não abriria a boca nem se arrancassem suas unhas dos pés. A raiva deles se voltou para o bastardo que havia profanado o juramento de se tornar a vida do Mestre.
Quando a porta do quarto se abriu, Jihak entrou vestindo um robe branco. Uma luz semelhante à loucura surgiu nos olhos do assassino ao vê-li. Mas os olhos do Príncipe, ao encararem o assassino, pareciam desumanos.
“Não preciso mais desse sujeito.”
“Mestre.”— Jihak puxou a espada presa à cintura de Yuljae.
O rosto do Príncipe, refletido na lâmina erguida, parecia o de um demônio. A espada afiada atravessou o coração do assassino. Ele conseguia sentir o batimento cardíaco através da mão que segurava a espada.
“Argg!”
O sangue que o assassino vomitou respingou na bochecha de Jihak. Ele sorriu cruelmente.
“Tio.”
O corpo do assassino ficou rígido. Jihak elevou-se.
O robe branco manchado de sangue evocava um medo sinistro. Ninguém conseguiu dizer nada; apenas olhavam para aquele que o vestia.