Noites de Caos (novel) - Capítulo 100
Tradução: Gab
“Eu havia me esquecido. A voz que sugeriu que eu criasse as Sombras. Este é o emblema das Sombras que o próprio Wongun esculpiu com sua espada.”
Yuljae voltou a si.— “Mas Milorde. Wongun…”
“Eu sei. Você não é o único que quer acreditar que ele não fez isso.”— O Príncipe se abaixou para apanhar o emblema que havia caído no sangue.— “É necessária alguma justificativa?”— Jihak riu como um homem feliz.
Mas hoje ele estava de mau humor. Caso se confirmasse que seu tio havia orquestrado todo o esquema, isso poderia ser considerado uma rebelião. Parecia que queria usá-lo para criar uma guerra no palácio real que terminaria em um banho de sangue.
“Que divertido.”— Ele cobriu a boca para esconder o sorriso perturbador e retirou a espada do corpo do assassino morto. O corpo caiu ao lado da cadeira. Ele observou a cena com indiferença. Entregou a espada encharcada de sangue de volta ao guerreiro.—“Eu me perguntava onde meu tio estaria.”
Então abriu a porta. A luz da lua caiu sobre sua cabeça.
O rosto de Yuljae estava mais sombrio do que nunca.— “Milorde, o senhor precisa pensar bem nisso.”
“Estou pensando mais do que nunca, Yuljae. Foi meu tio quem nos ensinou que as ervas daninhas precisam ser arrancadas antes de brotarem.”
Yuljae ajoelhou-se diante de Jihak.— “Não deixe que o enganem! Alguém tramou isso para causar discórdia entre vocês. Por favor, pergunte primeiro ao seu tio. Eu o ajudarei.”
“…Meu tio também foi quem o enviou até mim. Lembre-se disso.”
“Não foi isso que eu quis dizer. Todos nós devemos nossas vidas ao nosso senhor. Como eu poderia servir a dois sóis? Por favor, acredite em mim, Milorde.”
Jihak soltou um longo suspiro. Parecia que a escuridão o consumia.
“Também teme a mim?”
“Não. Eu apenas o respeito.”
“Naquele dia, eu disse que sentia afeição pela Eun-Ha.”— Os olhos de Yuljae vacilaram.— “Talvez eu estivesse enganado.”
Jihak, com uma expressão fria no rosto, passou por Yuljae, que permanecia ajoelhado. Caminhou em direção a seus aposentos, imerso na escuridão, em um ritmo contido.
Afeição. Uma palavra estranha.
A loucura inexplicável que sentira no banheiro não passava de um desejo possessivo e sujo. Ele gostava quando ela ficava ansiosa. Além disso, até gostava quando as pessoas olhavam para ele ao vê-lo agarrar o pescoço dela.
Jihak tinha certeza.
Ele não amava a garota. O único desejo era mantê-la ao seu lado. Caso contrário, o medo em seu olhar não o teria preenchido de desespero. Se ela desaparecesse diante de seus olhos, ele certamente ficaria furioso.
Todavia, antes de entrar em seus aposentos, ele mudou de direção. Jogou o manto na fogueira. A seda manchada de sangue queimou no braseiro.
Seus olhos também ardiam como fogo enquanto ele encarava a luz.