Noites de Caos (novel) - Capítulo 101
Tradução: Gab
“Ei! Yoon!”— Choi Youngheung chamou em voz alta por Yoon Shihoon.
Havia passado apenas uma hora desde que ele tomara o café da manhã. Quando os servos olharam para a pessoa que havia visitado Shihoon, dispersaram-se para seus respectivos locais de trabalho.
Choi Youngheung gritou mais uma vez em direção aos seus aposentos.— “Jovem Mestre Yoon! Por que o senhor não aparece?”
Só então a porta de seus aposentos se abriu. Uma serviçal saiu carregando roupas sujas. Choi Youngheung reconheceu-a imediatamente.
“Você não é a Yongi da casa das cortesãs?”— Choi Youngheung, que tentou segurar o ombro de Yongi com uma expressão surpresa no rosto, sentiu um aroma fresco de hortelã.
“Choi, por que está me procurando?”— Shihoon, que parecia ter acabado de fazer alguma coisa, estava com um pano úmido apoiado no braço.
Choi Youngheung inclinou a cabeça ao observar as costas de Yongi.— “Aquela mulher não é a Yongi?”
“Sim, é.”
“Hã?”
“Então, há algum problema?”
Choi Youngheung, pego de surpresa pelo modo frio de Shihoon, forçou um sorriso hesitante e rapidamente passou o braço em volta de seus ombros.— “Irei lhe apresentar um lugar agradável hoje.”
“Como assim?”
“Não se preocupe. O senhor está se preparando para o casamento, certo? É um lugar que você deveria visitar pelo menos uma vez para elevar sua reputação.”
Choi Youngheung tinha uma atitude suspeita.
Shihoon olhou na direção por onde Yongi havia desaparecido. O jovem mestre estava ciente das experiências terríveis que Yongi poderia enfrentar ao deixar esta casa. Ela poderia até perder a vida antes de sair de Harye.
Ela estava mais segura neste lugar que mais parecia uma prisão. Ela não queria privilégios. Yongi limpava, esfregava e lavava roupas todos os dias, desde cedo pela manhã até tarde da noite. Por isso, suas mãos tinham calos que não diferiam dos de uma serva comum.
“Responda-me. Virá comigo?”
Shihoon abriu a porta de seus aposentos como se Choi Youngheung não estivesse ali.
“Haverá problemas se eu o acompanhar.”
“A residência do Príncipe Herdeiro deposto. Você realmente não está interessado?”
Os dedos de Shihoon tremeram. Choi Youngheung sorriu com confiança.
“Vi algo curioso lá ontem. Posso lhe contar a história.”
***
De manhã cedo, o sol brilhava intensamente. O aroma das flores de ameixeira chegou ao nariz de Eun-Ha, que mantinha os olhos fixos em um livro. Sua voz harmoniosa combinava com a atmosfera.
Era o décimo quarto livro.
Tratava-se de uma antologia de poesia que misturava léxicos de diversas nações. Havia palavras mais difíceis do que em qualquer outro livro que ela havia encontrado até então. Mas o livro também tinha frases belas. Ela se perguntava quem seria o poeta.
Sua atitude relaxada diante da vida aquecia seu coração. Quando ela ficou em silêncio por um momento por causa das muitas palavras que não compreendia, Jihak olhou quietamente para fora da janela. Ele explicou as palavras anteriores a ela.
“Aquela aparência semelhante a uma flor, aquela aparência adorável, causou caos em sua mente.”
Eun-Ha ergueu a cabeça com as mãos suadas. Então ele virou o rosto em direção a ela.
“Amor, amor, liberta-me.”
Seus olhos pareciam mais claros à luz. Seu olhar não parecia ameaçador como na noite anterior. Ela não sabia o que aqueles olhos significavam, então desviou o olhar para o incensário de onde subia uma fumaça tênue.
Ela então percebeu a origem do aroma de flor de ameixeira.
Eun-Ha sorriu antes de fechar o livro.— “Não incluirei este livro. Tenho vergonha de não conhecer tantas palavras.”— Ela guardou o livro. Levantou-se, mas ao ver a expressão dele esfriar, ajoelhou-se novamente.— “Quer que eu leia outro livro?”
“Outro livro?”
“Ou quer me tomar em seus braços?”
Jihak sorriu, surpreso.— “Soou igualzinha a uma cortesão agora.”
Ela tirou as roupas, exceto a peça íntima. Arrepios surgiram em seus ombros. Embora houvesse sol, o ar ainda estava frio.
“Depressa. Preciso terminar a carta que não consegui concluir ontem à noite.”— Se Eun-Ha quisesse acabar morta, teria conseguido. Ele reuniu toda a paciência que lhe restava enquanto acendia o cachimbo. Esperou que a fumaça distorcesse o rosto dela.
“Eu não sabia que você agiria de forma tão rude. Quer se rebelar?”