Noites de Caos (novel) - Capítulo 102
Tradução: Gab
As veias azuis em sua mão se destacavam enquanto ele segurava o cachimbo que não estava em sua boca. Eun-Ha, com o olhar fixo no cachimbo, respondeu.— “Você disse que me permitiria enviar uma carta. Não sei por que está com raiva. Me disse que eu sou a pessoa que melhor conhece tal doçura.”
“Hã?”
“…Eu pensei sobre isso. Pergunto-me por que você me deu algo doce quando eu não tinha nada. O que você quer tirar de mim?”
Friamente, ele perguntou.— “É apenas isso?”
Eles mantiveram contato visual.
“Estou errada?”
Quando ele olhou para os olhos inocentes dela, seu humor mudou.
Ele tocou o mamilo da leitora com o dedo frio.
“Que tal considerar a possibilidade de que você esteja certa?”
A voz dela começou a tremer.— “Então o que o senhor busca em troca? Eu não possuo nada.”
“Não estou interessado nas pequenas coisas que possui.”
“Ontem à noite me insultou pois sou inútil?”
“Eu a insultei?”
“O semhor me beijou sob os olhares atentos dos estudiosos. Me tratou como uma cortesã…”— Os olhos dela se encheram de tristeza. Eun-Ha pressionou os lábios.
Jihak conteve o riso.— “Isso não é algo ruim.”
“Pensei que se importasse comigo, nem que fosse um pouco…”
O coração dele disparou. Sua boca se retorceu brevemente.
“Como você se sentiu?”
“Eu não sei…”
“Sentiu ressentimento?”
“Eu não sei. Às vezes você é gentil, às vezes é cruel.”— Ela inclinou a cabeça para evitar o olhar dele. Mais uma vez, foi envolvida pela mesma sensação de desespero que a dominara na noite anterior. A fumaça que subia em direção ao teto espalhava-se para todos os lados, lembrando pétalas de flores se dispersando. Por isso ficava turva.— “Eu sei. É irracional da minha parte esperar amor. Eu sou algo como veneno para o senhor…”
Jihak abaixou a cabeça lentamente. Então segurou os ombros dela.
Ela foi empurrada para trás. Uma sombra cobriu todo o seu corpo.
“Você quer meu afeto?”— Ele segurou o queixo dela.— “Mesmo sabendo é como um veneno, ainda me trata com gentileza. Planeja me ferir?”
Eun-Ha balançou a cabeça com uma expressão assustada no rosto. Seu coração batia descontroladamente ao sentir as bochechas ficarem vermelhas. Jihak engoliu seus pequenos lábios. Então enfiou a língua em sua boca.
O corpo dela tremeu, mas não pôde fazer nada. Aceitou a invasão, porém seus olhos se arregalaram de surpresa quando o sangue dele entrou em sua boca. Ela havia mordido o lábio dele na noite anterior. Uma mancha vermelha se espalhou por seu lábio, parecia que havia aplicado alguma tintura vermelha. Ela começou a resistir.
Sua respiração ficou ofegante.
Inconscientemente, Eun-Ha acariciou a ferida no lábio dele. Seus olhos inocentes se distorceram. Lágrimas surgiram neles.
“Foi você quem me feriu.”— Ele sorriu de forma torta.
“Você quer que eu enlouqueça.”
Jihak invadiu seu interior pois ela havia aberto as próprias pernas. Ela, surpresa, soltou um gemido. Mas, ao contrário do que expressava, aquelas parte entre as suas pernas já estava molhada.
“Você tentou me fazer sangrar até a morte.”
“Não. Ah…!”
“Está chateada?”
“Ah!”
“Responda-me!”— Ele pressionou os ombros trêmulos da leitora enquanto ela se contorcia freneticamente. Sua visão escurecia e depois clareava novamente. Até o rosto dela estava ficando borrado.
Seu interior apertou-se. O momento fervoroso de amor não durou muito. Mas Jihak continuou dentro dela mesmo depois de expelir as suas sementes.
Seu peito tremia. Ela não conseguia compreender o caos que havia causado. As palavras da garota sozinhas eram capazes de levá-lo ao céu ou ao inferno.
Ele seria capaz de descartá-la com facilidade? Ou desejaria mantê-la por perto, apesar dos ferimentos que ela pudesse lhe causar? O que desejava dessa meretriz?
Seu pescoço fino parecia que se quebraria se o dobrasse, mas ele não queria. Ele nem sequer conseguia apertar o pescoço dela quando a mesma causava caos dentro dele.
Ele segurou suavemente a bochecha da mulher trêmula com a mão.
***
“É verdade? Ela está na casa do Príncipe deposto?”
O vendedor de doces assentiu para as pessoas reunidas. Mas todos balançaram a cabeça, como se não conseguissem acreditar.
“Não acredito que a Eun-Ha esteja nos braços daquele homem. Parece que os membros da realeza gostam de criadas.”
“Dizem que as pessoas podem escutar sons obscenos o dia todo.”
“Não acredito. Por que uma garota como ela abriria as pernas?”
“Tsk, tsk. Ela salvou a irmã da casa de cortesãs. Com certeza, aquele dinheiro veio do bolso do Príncipe deposto.”
Sir Song, que entrou silenciosamente na livraria, saiu com uma tigela de água. Então, despejou água sobre o vendedor de doces.
“Meu Deus, você enlouqueceu?”