Noites de Caos (novel) - Capítulo 98
Tradutora: Gab
Eun-Ha ficou tão perturbada que largou o pincel.
“Talvez até já seja tarde demais.”
As últimas palavras dele ecoaram em sua mente. Ele havia dito que ela era a substituta para o cervo. Quando se lembrou dos nomes escritos em seu braço, sentiu o coração se partir.
“Achou mesmo que era especial? Talvez tenha pensado que ele estava apaixonado por você!”
Ela estava errada.
“Não pense que pode escapar deste lugar apenas por ter lido todos os livros.”
Ela achou que Jihak a ouviria.
Quando lhe disse que iria à montanha, ele pedira que ficasse ao seu lado.
“Não suba a montanha, suba em mim. Você não precisa de vegetais, pode me devorar.”
Ela apertou o próprio braço com mais força. Marcas vermelho-escuras de unhas ficaram gravadas em seu braço pálido. Mas não sentia dor alguma.
Eun-Ha, frustrada, abriu a porta. Passou pelos servos ocupados e ficou sob o carvalho de onde se podia ver o anexo. A janela lateral do anexo se abriu. As cortesãs riam. Os homens se divertiam, alguns até se levantando para participar da dança.
Eun-Ha olhou para Jihak. O Príncipe, que tinha um sorriso torto no rosto, de repente virou a cabeça. No instante em que seus olhares se encontraram, ela se escondeu atrás do carvalho. Não sabia por que fizera aquilo, mas seu coração batia tão rápido que sentiu como se tivesse visto algo que não deveria. Suor escorreu por suas costas. Ela ficou agachada atrás do carvalho por um longo tempo. Esperava que a escuridão fosse embora logo.
Alguém havia fechado a janela?
Quando espiou novamente em direção ao anexo, um robe branco apareceu diante de seus olhos.
“Ei!” — Quando levantou a cabeça, ele estendeu a mão enquanto sorria.— “Está se escondendo como um ratinho outra vez? Avisei para que ficasse no quarto.”
O pulso dela acelerou.
“Eu só me senti sufocada. Por que o senhor saiu?”
“Pensei que houvesse um tolo assassino escondido atrás do carvalho.”
“Jihak! Isso é um mal-entendido…”
Ele tinha um aroma peculiar. Eun-Ha se levantou sozinha. Após uma reverência, tentou deixar o local. Mas Jihak a puxou pelo pulso e a abraçou. Ela virou o rosto para evitar o beijo. Os lábios dele tocaram sua bochecha e o coração dela disparou enquanto um sorriso se formava em seus lábios.
“Sabia que espalharam rumores sobre você? Todos estavam curiosos. Será que é apenas uma leitora ou eu a tomei em meus braços durante a noite?”
“Não tenho certeza quanto ao seu motivo para afirmar tal coisa.”
O sorriso no rosto dele sumiu. Ela ficou constrangida, mas não conseguiu entender as suas palavras. Quando virou a cabeça, algumas pessoas no anexo, que haviam aberto as janelas, olhavam em sua direção, cochichando. O rosto de Eun-Ha ficou vermelho.
“Por favor, solte-me.”
“Por que as suas bochechas estão vermelhas?”
“Muitas pessoas estão nos observando.”
“Mas foi você que veio até aqui.”
“Eu achei que ninguém perceberia…!”
Jihak segurou seu queixo e então a beijou. Seus lábios delicados se separaram. Quando as línguas se misturaram, ele empurrou o corpo dela contra o carvalho. Ela cerrou os punhos e mordeu o lábio inferior dele. O gosto de sangue se espalhou por sua boca. Mesmo assim, o Príncipe apenas respirou fundo.
O sorriso dele era tão amplo que ela sentiu um calafrio.
“Diga-me. Quem está nos observando?”