Noites de Caos (novel) - Capítulo 93
Tradução: Gab
Revisão: Gab
A mente de Eun-Ha ficou em branco ao olhar para Jihak. O motivo de ela ter escrito os nomes nos braços foi porque não havia papel. Além disso, como poderia atribuir significado a um nome de forma tão arbitrária?
Eun-Ha fechou os lábios enquanto olhava ao redor da cozinha. Todas as pessoas que poderiam ajudá-la haviam desaparecido.
“Você não quer fazer?”
“Não é que eu não queira. Eu não tenho muito conhecimento sobre isso, apenas escolho os caracteres que combinam com o significado.”
“O resultado é inconsciente. Daria uma boa brincadeira.”—Jihak riu despreocupadamente. Apesar da atitude dele, ela não se sentia à vontade.
Eun-Ha suspirou. Perguntou-se por que ele parecia tão animado hoje. Ela ainda não havia esquecido o homem que encontraram na floresta. Instintivamente, sabia que o que Jihak havia caçado não era um animal. Aquele alvo também era um indivíduo decidido a pôr fim à vida dele. Ele estendeu o braço na direção dela, que procurava uma folha de papel. Ela sentiu ainda mais constrangimento ao ver as veias salientes em seus braços.
“Eu preciso de papel.”
“Quero rir como eles.”
“O que você pretende fazer se a tinta penetrar a sua pele?”
“Fique quieta. O que há de errado com o meu nome?”
Eun-Ha não teve escolha a não ser sentar-se ao lado de Jihak. Acomodada no chão da cozinha, ela segurou com delicadeza o pulso dele. Ficou absorta em pensamentos. Ela levantou a cabeça lentamente. Mais acima do pescoço, podia ver o queixo dele. Ele parecia um nobre erudito, descendente de ancestrais importantes.
Jihak franziu a testa.— “Por que está com essa expressão?”
“Alguns caracteres me vieram à mente.”
“Tente.”
Ela deslizou o pincel pelo braço dele. A tinta marcou sua pele clara. Quando Eun-Ha terminou o primeiro caractere, soprou para que a tinta não borrasse.
沚
Os olhos dele estremeceram quando viu o próximo caractere que ela escreveu.
鶴
“Significa um grou* que se aproxima da água.”
(*N.T: é um tipo de ave com penas escuras, possui pernas compridas iguais às do flamingo.)
Ela levantou a cabeça com uma expressão tímida.— “Não. Refere-se a uma ilhota situada dentro de um rio. E o grou significa pureza.”
“Por quê?”
“Às vezes sinto que o senhor está sozinho. Que observa calmamente as águas turbulentas ao seu redor. A sua solidão é tão bonita que não consigo desviar o olhar.”
Ele olhou em silêncio para os caracteres escritos em seu braço. Ela temeu tê-lo ofendido. Por fim, Jihak riu.
“Você está um tanto certa.”
“É mesmo?”— Ele puxou a cintura dela quando ela tentou se levantar. Fez com que se sentasse em seu colo.
O corpo feminino dela parecia pequeno, como se fosse um bebê. Por isso Jihak não apertou com força o pulso dela. Ele apenas escreveu o próprio nome. Sentiu um prazer estranho ao ver o nome dele no braço dela.
“Meu nome se escreve 坁鶴. Significa uma pessoa que permanece pura.”
“Oh… me desculpe…”
“Então, irá escrever o seu nome desta vez?”
“Eu…”
***
Notinha da tradutora:
Sobre o nome do Jihak, fui pesquisar mais para entender melhor e 1° na simbologia do Leste Asiático, o grou (鶴) representa: pureza, integridade moral, elevação espiritual, ou seja, alguém que não se corrompe facilmente. 2° quando combinado com a ideia de terra (坁), o nome pode sugerir alguém que vive no mundo terreno, mas mantém a pureza, ou seja, alguém que não se deixa macular, mesmo estando entre os outros.
Então a Eun-Ha não errou a escrita, apenas a interpretação 😉