Noites de Caos (novel) - Capítulo 92
Tradução: Gab
Revisão: Gab
“Há rumores de que tem convidado estudiosos para se divertirem com cortesãs.”— O marido pigarreou diante das palavras de Heein. Jihak sorriu.
“Os rumores se espalham bem rápido.”
“Isso não é engraçado, tem noção das coisas que falam?”
“Mas tudo o que estão falando é verdade. Eu enlouqueci desde que fiquei cego.”
“Príncipe…! Por que é tão despreocupado?”— Ela tinha uma expressão severa. Mesmo tendo abandonado a posição de Príncipe Herdeiro, ele não deveria perder completamente a sua autoridade. Heein se arrependeu de como as coisas estavam.
Lee Hyungwoo segurou a mão trêmula dela. Ele temia que ela voltasse a irritar o Príncipe, como acontecera antes.
“A culpa é da Eun-Ha? Foi ela quem mudou a sua vida? Parece representar um perigo para você. O que provocou essa sua transformação?”— Heein tentou controlar as emoções. Jihak sorriu, pois aquilo parecia algo dramático.
“Eu gosto do que sou. Uma pessoa livre. Não sei o que a está incomodando. Parece achar que estou possuído, mas eu mal consigo enxergar.”
“Você me ameaçou com uma adaga por causa dela.”
Jihak sorriu com uma expressão relaxada, mas não lhes ofereceu chá. Embora aquele tratamento a fizesse sentir-se humilhada, ela ainda não queria desistir do irmão. Parecia que o que era humilde lhe dava uma alegria que coisas preciosas não podiam oferecer. Mas ela acreditava que esse sentimento desapareceria a qualquer momento.
“Diga-me. Para manter a presença dela em sua vida, posso ajudá-lo. Vou garantir que a mulher se torne a sua concubina, desde que se abstenha de novas ações imprudentes.”
Jihak, que colocou o cachimbo no cinzeiro, sentou-se. Heein sentiu o sangue gelar quando ele riu de cabeça baixa. Seus ombros tremeram levemente.
“Isso significa que eu teria de me casar.”
“Príncipe. Meu único desejo é que se concentre…”
“Você ainda acha que eu sou uma criança, não é?”
Lee Hyungwoo sorriu com nervosismo.— “Minha esposa sempre se preocupa com você, Príncipe.”
O sorriso desapareceu do rosto de Jihak.— “Toda noite alguém tenta tirar a minha vida. Meus olhos não distinguem quase nada sem ajuda. Parece que deseja acabar com a felicidade do seu irmão. Que pessoa cruel você é.”
Heein levou a mão à boca, pois aquelas palavras trouxeram lembranças à tona.— “Príncipe.”
“Quem você acha que serão os meus verdadeiros olhos? Através de quais olhos eu poderei observar o meu povo? A cegueira não afeta apenas a percepção visual. Não venha mais. Não quero ter que dizer novamente o por que não tirei sua vida.”— Ele sacudiu as cinzas do cachimbo.
“Imagino que você saiba quem ela é.”
“Como eu poderia esquecer? Aqueles olhos chamaram a minha atenção desde a primeira vez. Os gritos dela, suplicando pela vida dele, estão gravados na minha mente.”— Jihak esfregou as têmporas.— “Você está certa, irmã, aquela garota é um veneno para mim. Eu escolhi com as minhas próprias mãos o veneno que me consumirá. Ela é o meu belo infortúnio.”
Heein teve dificuldade para respirar. Lee Hyungwoo ajudou-a a se levantar.— “Não posso substituir a sua mãe, mas o criei com todo o meu coração. Qual é a razão para trazer alguém que pode feri-lo para dentro da sua casa? Isso não faz sentido.”
Um sorriso tão tênue quanto a lua surgiu em seus lábios.
“O refém perfeito. Infligirei uma dor profunda àqueles que tentaram me ferir. Eu nunca serei um Rei sábio.”
***
O pincel fino deslizava por sua pele. Yeom tentava suportar as cócegas.
“Meu Deus, Eun-Ha! Quando vai terminar? Por que sou tão suscetível a cócegas?”
“Espere. Você me pediu para escrever o seu nome. Não se mexa.”
Então todos que aguardavam a vez começaram a repreender Yeom.
“Eu escrevo rápido, mas tenha paciência.”
“É difícil. Essa parte também faz cócegas.”
Tudo começou porque a Eun-Ha atribuiu significado ao nome da Gari. Chorando, ela lhe pediu que escrevesse seu nome no braço. A leitora escreveu com o pincel que mantinha na cozinha quando praticava caligrafia. Todos passaram a pedir que ela desse significado aos seus nomes. Eun-Ha, obviamente, não recusou. Ela ficou feliz em fazê-lo.
Por fim, escreveu os últimos caracteres.
“O que vocês estão fazendo?”— As pessoas se dispersaram rapidamente. Quem falara fora Jihak. Yuljae, que também havia aparecido, olhou lentamente ao redor da cozinha.
“Por que havia tanto barulho?”
“Eu só escrevi os nomes deles nos braços.”— Gari, perspicaz, guardou o pincel discretamente e cobriu os caracteres em seu braço. Sentiu-se aliviada por Jihak não enxergar bem.
“Então escreva o meu nome também.”
“Hã?”
Ele inclinou o tronco na direção de Eun-Ha.
“Tente. Quero ver o resultado.”