Noites de Caos (novel) - Capítulo 91
Tradução: Gab
Revisão: Gab
“Também irá ordenar para que eu decapite minha própria irmã?”— Jihak entregou a adaga ensanguentada a Yuljae.
“Milorde.”
“Não diga mais absurdos. Tranque o homem que caçamos, eu mesmo vou interrogá-lo.”
Yuljae respondeu com preocupação.— “Ele é perigoso. Impedimos seu suicídio, mas não sabemos o que fará quando recuperar os sentidos. Eu farei o interrogatório.”
“Ele foi enviado pelo Palácio da Rainha?”
Yuljae mostrou o emblema que estava amarrado ao manggeon do homem. Jihak o pegou em silêncio. Ele conseguia perceber, pelo tato, os caracteres gravados no emblema de madeira. Sabia o que aquele emblema significava, porque fora ele mesmo quem o havia escolhido. A Ordem das Sombras. É claro que ele não conhecia a identidade das pessoas escolhidas para usar aquele emblema e elas não serviam a um Reino; seu Mestre era Jihak.
Mas a pessoa que obtivera o emblema tentou tirar a vida dele!
A raiva infiltrou-se em seu coração como água da chuva em solo ressecado.
“Sei que trouxe todas as Sombras com você.”
“Isso não é verdadeiro. Parece que outra Ordem foi criada dentro do palácio real. Nós jamais trairíamos nosso o Mestre. Sua vida é a nossa vida. Nós somos o senhor.”
“Vida…”— Jihak esfregou as têmporas com um sorriso. Então devolveu o emblema a Yuljae.
“Vou verificar isso com os meus próprios olhos.”
Ele ousara fingir que era uma Sombra.
Jihak, que passou por Yuljae, entrou no pátio onde Heein estava com o marido. Então Heein, que aguardava Jihak ansiosamente, aproximou-se dele.
“Vossa Majestade, como alguém com a visão tão fraca consegue subir a montanha?”
Heein agia como uma pessoa completamente diferente da última vez. Era uma atitude gentil, contrastando com o olhar venenoso que tivera quando falou de Eun-Ha.
Jihak imitou sua postura.
“Está preocupada? O clima estava agradável, então quis caminhar.”
“Tem razão. Parece que a qualquer momento pode começar a nevar.”
Depois de trocar olhares com o marido dela, ele foi para os próprios aposentos. Então viu Eun-Ha no quintal dos fundos, que usava um lenço na cabeça, seguia para a cozinha com Gari.
“Eu tenho um pedido.”— Ela sabia da visita de Heein. Então lhe fez um pedido enquanto desciam a montanha.
“O que seria?”
“Faz muito tempo que não envio uma carta à minha irmã.”
“Parece que a sua irmã vai se tornar a cortesã do Ministro da Defesa.”
“Essa notícia prova que há algo errado. Sohyeon disse que contrataria a minha irmã como serva. Mas a minha irmã vai recusar, porque não sabe da minha situação. Por isso, quero que ela saiba que estou segura.”— Os olhos dela voltaram a se iluminar. Embora as nuvens tivessem encoberto o sol, uma luz desconhecida prevalecia nos olhos da mulher.
Ele sabia que, quando aquela luz se apagava, a mulher se tornava dócil e se perguntou se aquela luz poderia ser estilhaçada.
“Não é melhor para ela ser a concubina de um nobre do que viver como serviçal?”
“Talvez esteja certo, mas isso não é o que a minha irmã quer. Eu também não suporto que minha ela seja vendida como um animal.”
“Um animal…”— Parecia que Jihak falara consigo mesmo.— “Permitirei que envie a carta.”
Era uma simples permissão, mas Eun-Ha sorriu feliz. Ela parecia até que ia chorar por poder entrar em contato com a irmã. O rosto alegre dela desapareceu assim que ele abriu a porta fechada.