Fênix Project
  • Início
  • Manhwas
  • Novels
  • Concluídos
Entrar Cadastrar
Advanced
Entrar Cadastrar
Entrar Cadastrar
  • Início
  • Manhwas
  • Novels
  • Concluídos
Entrar Cadastrar
Prev
Next

Figurante B - Capítulo 04

  1. Home
  2. Figurante B
  3. Capítulo 04 - Família
Prev
Next

━──────◅▻♢◅▻──────━

Túnel 36, três minutos atrás:

 

— Senhor Graves, tem certeza que é nesta direção? Não vi nenhum sinal de cobre.

Graves manca até o jovem anão que continua a escavação.

— Está insinuando que eu errei, Oscar? Seu fedelho dos infernos!

​Graves afasta o jovem e espalma a parede.

— Não tem erro. Cale a boca e continue cavando.

​No momento em que Graves se vira para se afastar, um pequeno torrão de terra cai sobre sua cabeça. Ele olha para cima e nota uma superfície branca. Sem hesitar, ele enrosca a picareta no jovem, puxando-o com força suficiente para arremessá-lo longe, enquanto a rocha se revela ser um bloco gigante de adenitita.

— Só me dá trabalho!

​Foi a última coisa que Oscar ouviu enquanto o mundo parecia funcionar em câmera lenta; a figura do velho Graves sumia sob a rocha. Oscar cai prostrado no chão. O corpo mal responde quando ele toca o próprio rosto, sentindo algo quente. Quando a mão se afasta, nota as pontas dos dedos tingidas de vermelho. Seu olhar trêmulo e desfocado dirige-se para o chão, deparando-se com um braço ensanguentado projetando-se debaixo da pedra.

— AAAAAAHHHH!

​Ele se levanta enquanto o corpo patina no cascalho, tentando conseguir aderência.

— SOCORRO! — grita o mais alto que pode, ouvindo vozes ao longe. 

— ALGUÉM AJUDA! O SENHOR GRAVES! AAAAHHH!

​O ar rasga sua garganta quando ele dobra à direita, deparando-se com a multidão.

— AJUDA! SOCORRO! O SENHOR GRAVES! O SENHOR GRAVES!

​Oscar mal termina a frase quando os vultos de Cíntia e Cid passam por ele em uma velocidade sobre-humana. Cid ultrapassa a mãe, mas, ao chegar ao final do túnel 36, ele congela ao ver o braço no chão. Começa a hiperventilar e a tremer. Um instante depois, Cíntia passa por ele como um borrão, picareta em mãos.

​Um golpe estrondoso ecoa quando a ferramenta dela se choca contra a pedra. Usando-a como suporte, Cíntia tenta erguer a rocha em um esforço desesperado.

— PAAAI! POR FAVOR… POR FAVOR, DEUS! NÃO!

​O olhar de Cíntia vira-se para Cid; carregava raiva e uma tristeza profunda.

— CIDNEY!

​Isso bastou. Cid volta a si, agarra sua picareta e a crava na rocha, juntando-se à mãe. A pedra treme, começando a ceder. O sangue escorre pelo metal das ferramentas de ambos.

— AFASTEM AS PERNAS!

​Uma voz grave e ancestral ecoa pelo túnel. Cíntia enrosca o pé na perna de Cid, fazendo-o afastar-se para dar espaço. Dois anões mais velhos surgem; cada um, munido de picaretas pesadas, crava-as na base da rocha para fazer a alavanca. Cid escuta um grunhido vindo debaixo do peso. Ele sente o sangue ferver nas veias em uma descarga de adrenalina e tira forças de onde não tem, movendo a rocha o suficiente para que puxem Graves.

​Cid não escuta mais nada. Seus olhos reviram enquanto ele continua erguendo o peso morto.

— SOLTA, GAROTO… SOLTA!

​O corpo de Cid continua mantendo a rocha suspensa. Duas, três pessoas tentam fazê-lo soltar, mas seus músculos travaram em uma rigidez desumana. Até que ele para de respirar e cai para trás, desacordado.

 

━──────◅▻♢◅▻──────━

 

A luz queima a retina quando Cid tenta abrir os olhos. Em um susto, ele se levanta repentinamente da cama.

— VOVÔ!

Ele ofega enquanto o suor frio escorre pela testa; só então nota a mãe ao seu lado, segurando um copo de chá, com olheiras profundas. Antes que Cid possa se situar, é envolvido pelos braços de Cíntia, que o apertam com força.

— Graças aos deuses você acordou… Não me dê mais esses sustos, seu moleque!

Cid se deixa envolver pelo carinho da mãe por alguns instantes.

— E o vô? Onde ele está?

Cíntia se afasta, revelando a figura de Graves deitada na cama ao lado, pálido como nunca estivera. O braço direito, aquele que carregava a picareta com tanta maestria, termina agora em um cotoco enfaixado na altura do ombro. Antes de conseguir pensar, o corpo de Cid o lembra, com uma dor lancinante, do esforço que realizou. Ele se contorce e volta a se deitar.

— Ele vai ficar bem?

As mãos de Cíntia, sempre tão firmes, tremem enquanto seguram a caneca de chá.

— Eu não sei. O médico também não sabe… Costelas, pernas, braços… O doutor disse que é difícil saber o que não está quebrado, e que tudo depende da força dele para continuar vivo.

Cid suspira aliviado, fechando os olhos com um sorriso sutil. Cíntia incomoda-se com a reação.

— Posso saber o porquê do sorriso?

Cid abre os olhos enquanto ergue o punho com confiança, apesar da dor.

— A senhora já viu esse velho rabugento perder uma briga?

Cíntia sorri, quase gargalhando em uma mistura de tristeza e alívio.

— Você tem razão…

Uma voz fraca, quase um sussurro, corta o silêncio do quarto:

— Eu ainda vou enterrar todos vocês, seus fedelhos de merda…

Cíntia vira-se para o lado, chorando como uma criança e caindo de joelhos ao lado da cama do pai.

— Papai…

Os olhos ainda fracos do velho Graves permitem, pela primeira vez em mais de um século, que lágrimas caiam livremente por seu rosto desgastado. Com o que lhe resta de força, ele move o braço esquerdo, acariciando suavemente os cabelos da filha.

​O sol nasce no horizonte. Do lado de fora, a camada de neve faz-se densa como uma parede. Os olhos de Cíntia se abrem; ela coloca o braço sobre o rosto e sussurra:

— Estranho…

— O quê? Não ouviu o barulho de pedra batendo no quintal? — Marcos pergunta, sorrindo ao lado dela.

​Cíntia ri e, logo em seguida, começa a chorar.

— Eu não sei se quero que ele vá. Ele nem partiu e eu já estou chorando por não acordar com o barulho dele treinando no quintal.

​Marcos abraça a esposa, cobrindo-a melhor.

— Bom, ele disse que não iria, então você deveria estar feliz.

— Mas eu quero que ele vá! — Cíntia responde com a voz chorosa e falhando. — É o sonho dele, e nós finalmente conseguimos o dinheiro.

​Ela começa a soluçar. Marcos ri, quase gargalhando.

— Você tem que se decidir.

— Mas eu quero os dois! — Cíntia afunda o rosto no peito do marido.

​Marcos levanta-se da cama.

— Tenho que medicar e trocar as ataduras do seu pai.

​Ele caminha pela casa fria antes de acender a lareira. Aquece as mãos perto do fogo e, então, escuta risadas vindo do quarto de Graves. Ele se aproxima, escorando-se no batente da porta enquanto segura uma bandeja, ouvindo a conversa entre Cid e o velho.

— Aí eu peguei aquele elfo orelhudo pelos pés e disse: “Pega essa magia de água e vai lavar o rabo da sua mãe!”

​Cid, Graves e até mesmo Marcos caem na gargalhada. Cíntia passa pela porta, entrando no quarto ainda com os olhos vermelhos.

— O senhor nunca se cansa dessa história, não é?

— Duas coisas das quais eu nunca me canso: boa bebida e ver elfo se ferrando!

​Graves gargalha, seguido de uma tosse seca e um grunhido de dor.

​O sol se põe cedo, dando espaço ao céu estrelado de Fres. Cíntia procura Cid pela casa e não o encontra; de repente, sente uma brisa fria e nota a porta da sala aberta. Antes de fechá-la, vê Cid sentado na varanda, admirando o céu noturno.

— A lua de jade e a lua de prata… Qual a senhora acha mais bonita?

​Cíntia senta-se ao lado dele enquanto admiram a dupla lua cheia.

— Acho que prefiro a de prata… Pelo menos desde que minha avó me contou uma história dizendo que os goblins vêm da lua de jade. — Ela sente um calafrio.

​Cid sorri e passa o braço sobre o ombro da mãe.

— Me desculpa, mãe. Eu agi como um idiota…

— E quebrou minha mesa — Cíntia completa, e Cid ri.

— Desculpa pela mesa também.

— Está me devendo uma mesa nova.

​Eles riem juntos por um instante. Então, Cid olha no fundo dos olhos dela, com uma seriedade que não tinha antes.

— Eu já me decidi… Eu vou.

Prev
Next

Comentários para o capítulo "Capítulo 04"

MANGA DISCUSSION

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

*

*

VOCÊ PODE GOSTAR

Gemini_Generated_Image_p98zyhp98zyhp98z
O Marido Malvado(novel)
10/07/2026
Gemini_Generated_Image_m0y60im0y60im0y6
Eu Te Darei o Universo
04/02/2025
Imagem do WhatsApp de 2025-10-27 à(s) 21.33.57_37d65cab
Leona, a Lobisomem
31/10/2025
Capaa
Vivendo com o Romeo
14/07/2026
  • Política de Privacidade

© 2026 Fênix Project Inc. All rights reserved - Design by Kng

Sign in

Lost your password?

← Back to Fênix Project

Sign Up

Register For This Site.

Log in | Lost your password?

← Back to Fênix Project

Lost your password?

Please enter your username or email address. You will receive a link to create a new password via email.

← Back to Fênix Project