As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 69
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Tradução: Gab
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“Estou bem. Obrigada pela preocupação.”
“Estamos apenas preocupados com a saúde de Vossa Majestade. Recupere-se logo, para que se torne a protagonista de uma grande epopeia de guerra, e não de um simples romance.”
“Esse dia realmente chegará?”— Aran baixou o olhar para os próprios braços finos.
“O que quer dizer? No fim das contas, é só uma peça de teatro. E, se ninguém escrever algo assim, então eu mesmo escreverei. Hmm… você interpretaria um papel poderoso. Que tal um cenário em que empunha uma espada maior do que a do Grão-Duque?”
“Perdão?”— A ideia daquela peça imaginária era absurda. O comprimento da espada de Enoch era quase do tamanho dela. Sem perceber, Aran deixou escapar um sorriso de canto de boca. Coincidentemente, Enoch, que observava à distância, virou o rosto em sua direção.
Aran apagou rapidamente a expressão satisfeita. Ele estava longe demais para ouvir seu escárnio, mas não havia como ter certeza. Felizmente, ele desviou o olhar de volta para o Duque Sylas e estendeu-lhe a mão.
“É um prazer encontrá-lo, Sylas.”
O Duque Sylas curvou-se levemente.— “Temos nos visto com frequência ultimamente.”
O Duque sorriu com gentileza e apertou a mão de Enoch. No entanto, o sorriso desapareceu quando uma mão grande apertou a sua com força excessiva. Sylas franziu a testa e olhou para o Grão-Duque. Ele mantinha um sorriso perfeitamente alinhado. Teria sido imaginação sua? Ainda assim, a marca avermelhada em sua pele provava que não era ilusão.
Os olhos vermelhos do Grão-Duque cintilaram e, por um instante, Sylas sentiu-se oprimido. Ao perceber isso, irritou-se. Embora não detivesse o mesmo poder que o Grão-Duque, ainda era um duque, senhor de um feudo. Também possuía autoridade equivalente à de um príncipe imperial. Incomodado, o Duque retribuiu a pressão do aperto de mão, embora não compreendesse o motivo daquela hostilidade.
Normalmente, nobres que se detestavam buscavam subjugar seus oponentes de forma muito mais maliciosa, não com métodos tão infantis. Além disso, estavam em um teatro, não em um campo de batalha. Sylas tentou adivinhar a intenção do Grão-Duque, perguntando-se se, em algum momento, o havia ofendido. Havia poucos episódios que lhe vinham à mente, mas todos insignificantes demais para causar tamanha tensão.
Quando finalmente soltaram as mãos, ambas estavam marcadas de vermelho. O Duque Sylas observou o olhar do Grão-Duque. Não conseguia entender o que se passava em sua mente. Seria um sentimento de humilhação? Ele precisava descontar sua raiva em alguém? Não permitiria isso. Também tinha seu orgulho. Quando Sylas abriu a boca para falar, as luzes do palco se apagaram, anunciando o início da peça. Os convidados começaram a se movimentar em direção a seus assentos.
“Desejo-lhe uma boa apresentação, Duque Sylas”— disse Aran, sem perceber o que ocorrera entre eles.
Sylas sorriu com um pequeno atraso.— “Obrigado. Espero que Vossa Majestade também aproveite o espetáculo.”
Ele se virou e se afastou. Era a única coisa que podia fazer. O Grão-Duque não lhe dirigira palavra alguma, e não havia vantagem em criar inimizade com alguém tão poderoso. Sylas não costumava remoer incidentes, porém, dessa vez, não conseguiu se livrar da sensação de constrangimento. Ao olhar para trás, viu o Grão-Duque servir a Imperatriz com extrema cortesia. Como sempre, ela mantinha o olhar fixo à frente, sem expressão. Pareciam não ter uma relação amigável, mas, ainda assim, havia entre eles uma familiaridade indescritível.
O Duque Sylas observou-os por mais um instante, então virou o rosto. Não voltou a olhar naquela direção até o fim da peça.
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Uma mulher entrou em cena. Seus longos cabelos loiros platinados pareciam uma peruca, cintilando sob a luz. Pelas reações do público, era evidente que se tratava de uma atriz popular.
Aran assistiu com olhos curiosos.
“Eles erraram na escolha do papel. Ela não se parece em nada com a imperatriz”— murmurou o Grão-Duque.
Aran não respondeu, embora concordasse em silêncio. Ela era magra como um galho seco, enquanto a atriz exibia curvas bem definidas. A atriz circulava pelo palco, exibindo sua beleza recatada. Não possuía a elegância própria da família imperial, mas sua figura irradiava vitalidade. Apenas em aparência, ela se assemelhava à imperatriz. Os personagens coadjuvantes que surgiam em cena elogiavam a beleza da atriz. Ainda assim, ela balançava a cabeça com um olhar solene.
“Neste vasto palácio imperial, ninguém realmente compreende a minha solidão.”— Seu suspiro ecoou pelo teatro.
Um homem bonito surgiu por trás.— “Estou disposto a compreender. Por favor, permita-me, Vossa Majestade.”
Era um cavaleiro que nutria há muito tempo admiração pela imperatriz. Ela se apaixonou por ele à primeira vista e confessou seus sentimentos.
Eles se tornaram amantes.
Aran observava com indiferença.
A atuação era excelente, e as falas calorosas, mas ela não conseguia sentir o amor entre eles. Parecia-lhe irreal, desprovido de emoção.
Enoch observou o rosto inexpressivo dela.— “Por que você deu risada naquela hora?”— perguntou.
“O quê?”— Aran se confundiu. Achou que ele não tivesse ouvido. Estava enganada.
“Sorria de novo.”— O pedido repentino a fez corar. O que ele queria dela? Enoch aproximou o rosto do dela.— “Caso contrário, aquilo que fará será chorar”— sussurrou suavemente.
Aran ergueu o olhar. Seus lábios se entreabriram devagar, e logo um sorriso suave se formou. Era bonito, mas não igual ao de antes. Não era isso que ele queria.
“Está bom?”— perguntou Aran, ansiosa.
Enoch balançou a cabeça.
Ela forçou os cantos dos lábios e sorriu mais amplamente.
Ele balançou a cabeça novamente.
Aran pressionou os lábios, depois tentou sorrir outra vez. Repetiu isso várias vezes, até entrar em pânico e sua expressão se tornar distorcida.
“Não é um pedido difícil. Então por que você não está sorrindo?”
“Eu estou.”
“Eu não disse que não era isso o que eu queria?”
“Eu não entendo o que quer dizer.”
“Não é difícil. Então por que não consegue?”— disse— “Não importa. Se não consegue sorrir, então chore.”
Aran não o compreendia. Fitou, atônita, o Grão-Duque enquanto ele soltava os botões do punho.
Ele arregaçou as mangas da camisa e puxou a barra do vestido dela. Aran quase arfou quando suas coxas pálidas ficaram expostas de repente. Ela tentou segurar a sua mão invasora, mas já era tarde. A mão dele havia alcançado o interior de suas coxas. Ele acariciou sua pele com leveza, sorrindo de soslaio.
“…A-agora?”