As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 68
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Tradução: Gab
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“É perigoso.”— O Grão-Duque respondeu calmamente.
“Estou levando a Guarda Real para garantir a minha segurança.”
“A Guarda Real não pode segui-la até o banheiro e o quarto.”
“O quê?”
“Você não ouviu falar que o rei LeVain foi recentemente assassinado na banheira dentro de sua mansão? É preciso estar sempre alerta.”
Claro que Aran também ouvira a história. Mas o rei LeVain e Aran eram diferentes. Foram seus próprios irmãos que assassinaram o rei LeVain, e Aran não tinha mais parentes de sangue disputando o trono. O homem à sua frente havia matado todos eles.
“Também tenho damas de companhia treinadas, então não precisa se preocupar. Elas são mais fortes do que a maioria dos homens.”
É claro que Aran não tinha a menor intenção de deixar que sequer elas a acompanhassem até o banheiro, mas não mencionou isso. Não, ela preferia mostrar o corpo nu a estranhos a fazer uma excursão ao lado do Grão-Duque.
“Não gosta quando eu a acompanho? Ou estava pensando em levar outro homem enquanto eu estivesse ausente? Fui descuidado?”
Ela ficou sem palavras diante daquela afirmação absurda. Como, afinal, ele a enxergava? Ouvindo-o falar, parecia que ela havia se tornado a mulher mais obscena do mundo.
“Você sabe melhor do que ninguém que não. Não há homem algum que me queira, para começo de conversa…”
Todos os homens tentavam agradá-la quando Aran ainda era uma princesa. Exceto aquele que ela mais desejava.
Ironicamente, agora tudo havia mudado. Agora que nenhum homem queria Aran, apenas o Grão-Duque permanecia ao seu lado. Ainda que fosse uma relação de submissão desprezível, e não de afeto. De fato, se ela fosse um homem, também não desejaria amar uma mulher tão frágil e magra quanto galhos secos. E mesmo que surgisse um cego disposto a cuidar dela, Aran não teria condições de retribuir seus sentimentos no estado mental em que se encontrava. Perdida em pensamentos, ela não percebeu que o olhar do Grão-Duque se tornara feroz.
“Isso mesmo. Ninguém a quer. Mas eu sempre estarei ao seu lado.”
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Aran adoeceu novamente, e a viagem foi adiada. Era mais um problema mental do que físico. A memória daquele dia deixou um choque profundo em sua mente. Após dias de reclusão, ela voltou a aparecer em público no teatro do palácio. Mesmo trajando roupas belíssimas, não conseguia esconder a sua aparência abatida. Ao seu lado estava, como sempre, o Grão-Duque de Roark.
Os nobres presentes reconheceram a Imperatriz Regente e o Grão-Duque, e os cumprimentaram. As saudações formais se sucederam e uma senhora idosa aproximou-se do Grão-Duque para sussurrar algo em seu ouvido. Tratava-se de um assunto importante, difícil de abordar publicamente naquela ocasião, mas que não podia ser ignorado. O Duque conferiu o horário. Ainda havia algum tempo antes do início da apresentação. Ele voltou o olhar para Aran. Ela assentiu levemente, indicando que ele podia se ausentar. De fato, ele era responsável por assuntos da Imperatriz Regente e não podia se dar ao luxo de assistir tranquilamente à peça.
“Voltarei em breve.”
Depois que o Grão-Duque se afastou, Aran, deixada sozinha, permaneceu sentada, olhando para o palco. A apresentação de hoje havia sido dedicada a ela por um dos dramaturgos mais populares da atualidade, e contava a história de um belo imperador que se apaixonava por um cavaleiro leal.
Sua reputação estava no fundo do poço entre a nobreza, mas, devido à juventude e à aparência agradável, ela era bastante popular entre artistas e o povo em geral. Os nobres não se importavam muito com isso. Pelo contrário, alguns aristocratas incentivavam os artistas que patrocinavam a produzir obras que exaltassem a beleza da imperatriz ou sua história de amor. Em tais obras, Aran era retratada apenas como uma mulher bela e frágil, nunca como uma soberana. Graças a isso, muitos passaram a vê-la como uma princesa jovem e fraca, e não como uma Imperatriz Governante. Isso dava à nobreza uma justificativa para desobedecer às suas ordens.
Por isso, Aran já tinha visto e ouvido a história da peça de hoje inúmeras vezes, em canções e pinturas. Ainda assim, ela gostava de si mesma naquela história, pois sabia que jamais seria a protagonista. A vida de uma monarca sem poder era como caminhar constantemente sobre gelo fino.
“Talvez seja só impressão minha, mas não acho que a senhora goste desse tipo de amor clichê.”— Ao virar a cabeça em direção à voz, Aran viu o Duque Sylas sorrindo. Seus olhos se arregalaram por um instante, mas logo ela voltou o rosto para a frente.
Ele não tinha culpa, mas ver seu rosto a deixava desconfortável, pois lhe fazia lembrar do Grão-Duque compelindo-a. Sem perceber, Aran deu um passo para trás. Ainda assim, o Duque de ar misterioso aproximou-se.
“Acertei? A senhora não parece muito animada.”
“Bem. O conteúdo não importa. Qualquer coisa com um final feliz está bom. Espero que seja o caso da apresentação de hoje.”— Aran respondeu sem encará-lo. Aquilo era verdade. Como a realidade era dura, ela desejava que ao menos os personagens do palco fossem felizes.
“Tenho certeza de que será como deseja.”
“Sim.”
“Ouvi dizer que esteve doente. Está se sentindo melhor agora?”
As palavras do Duque soaram como uma preocupação genuína. Embora soubesse que tudo não passava de encenação, Aran sentiu-se emocionada por um instante. Fazia muito tempo desde que ouvira alguém se preocupar com ela daquela forma…
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“Eu estarei ao seu lado.”
Ele se inclinou e mordeu sua orelha com força excessiva. Aran soltou um grito involuntário e encolheu-se. Ignorando a sua reação, o Grão-Duque continuou lambendo e mordiscando seu lóbulo e sua bochecha. O beijo, que começara como uma provocação, tornou-se gradualmente mais intenso. Pouco antes de seus lábios se encontrarem, Aran finalmente não aguentou mais e empurrou seu ombro.
“Pare. Eu realmente não consigo…”— Ela implorou, abandonando qualquer resquício de orgulho. Seus olhos se encheram de lágrimas.
O Grão-Duque que reencontrara após três anos de separação não era o Enoch que ela conhecera. Aran não conseguia compreender seus pensamentos, ações ou palavras. Sempre se perguntava para onde havia ido o seu Enoch.
Mesmo enxugando as lágrimas, elas continuavam a cair. Talvez por ter sonhado com um passado distante, ela não conseguia se acalmar. Inesperadamente, o Grão-Duque afastou-se dela sem resistência. Depois de limpar suas lágrimas com um toque indiferente, falou:
“Mesmo assim, não posso deixá-la ir sozinha. Vossa Majestade não sabe o quão perigoso é fora do palácio.”
Um leve sentimento de rebeldia surgiu dentro dela diante daquela afirmação definitiva. Aran também sabia que era ignorante e inexperiente. No entanto, o palácio onde vivera por toda a vida tampouco fora um refúgio.
“Eu entendo.”— Ela não queria mais discutir, então apenas assentiu. Se ele já havia decidido, não tinha como impedi-lo. Aran virou o corpo cansado de lado e fechou os olhos.