As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 67
────────∘⊰⋅⋅⋅⋆
Tradução: Gab
───────────┘
Aran despertou do sonho coberta por um suor frio e, por reflexo, olhou para o lado. Suspirou aliviada ao confirmar que não havia ninguém ali. Sonhos com o passado sempre a faziam sofrer. Era ainda mais doloroso quando envolviam o Grão-Duque, com quem compartilhara aquele passado.
A Imperatriz estendeu o braço dolorosamente até a mesa de cabeceira. Um pequeno papel ficou preso em sua mão. Assim que o sino tocou, a dama de companhia entrou.
“Estou com sede.”
“Buscarei água.”
A dama de companhia saiu novamente. Aran envolveu-se firmemente no cobertor como um casulo e fechou os olhos. Ela caiu em um sono leve até que a porta do quarto se abriu outra vez. A dama de companhia parecia ter trazido a água.
“Ajude-me a levantar”— disse Aran, ainda deitada, sem abrir os olhos. Suas pálpebras estavam tão pesadas quanto seus músculos. Felizmente, naquela tarde ela tinha apenas alguns compromissos menores na agenda, então achou que não haveria problema em adiá-los um pouco.
Ela ouviu a dama se aproximar e pousar o jarro de água. Era peso demais para ser sustentado por uma mulher, mas Aran, exausta, não percebeu. Logo, um toque familiar sustentou seu pescoço e ombros. Tarde demais, Aran percebeu que aquela mão era grande demais e forte demais. Seus olhos se abriram em um sobressalto aterrador. O rosto do Grão-Duque estava muito próximo do seu. No instante em que seus olhares se encontraram, o torpor do sono se dissipou por completo.
Exceto pelo fato de sua pele estar um pouco mais bronzeada e a linha do maxilar mais definida, ele não era tão diferente do passado. Ainda assim, ela já não conseguia associá-lo ao jovem servo sensível, de aparência frágil e mutável. Aran não fazia ideia do que ele havia passado durante os três anos em que estiveram separados. Enoch não fez nada em particular, mas aquela presença opressiva foi suficiente para deixá-la tensa. Talvez percebendo a sua reação, o Grão-Duque calmamente levou o copo de água até seus lábios. A mulher hesitou por um instante, mas acabou cedendo à sede. Na verdade, ela sequer tinha forças para resistir.
Depois de umedecer a garganta, o Grão-Duque a deitou novamente. Ao encarar seu rosto límpido, tudo o que havia acontecido na noite anterior pareceu um sonho. No entanto, o corpo latejante de Aran era real demais. O Grão-Duque observou seu rosto em silêncio por um longo momento. Então, de repente, estendeu a mão e segurou seu queixo.
“Sorria, por favor.”
Constrangida por um pedido que jamais ouvira dele antes, Aran franziu a testa.
“Por que está pedindo isso de repente…?”— Aran virou o rosto, mas ele aplicou força e o desvirou para encará-lo.
“Depressa.”
Diante da insistência repetida, Aran curvou levemente os lábios. Era ridículo ver aquele sorriso rígido e forçado. O Grão-Duque observou sua expressão por um instante, com um olhar indecifrável, e logo a soltou, como se tivesse perdido o interesse. O rosto de Aran corou de vergonha. Era o mesmo quando passavam a noite juntos: às vezes, ele a fazia sentir-se humilhada de maneiras que ela sequer conseguia imaginar. Por mais que o observasse atentamente, jamais conseguia ler seus pensamentos.
“Em breve visitará as províncias.”
“Aham.”
Em comemoração ao primeiro aniversário de sua ascensão, estava programado que ela visitasse diversas regiões do império para avaliar como o povo estava sentindo. Ao ouvir o Grão-Duque mencionar o assunto de repente, Aran sentiu um aperto no peito.
“Eu irei com você.”
“Por quê?”— A voz de Aran elevou-se.
Na verdade, ela aguardava ansiosamente pelo dia em que deixaria o palácio. A vida ali era sufocante, mas aquela também era sua única chance de se afastar do Grão-Duque por algum tempo. Ela jamais imaginou que ele — mais ocupado até do que um imperador — sequer cogitaria acompanhá-la.