As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 61
────────∘⊰⋅⋅⋅⋆
Tradução: Gab
───────────┘
Aran, que se sentira desconfortável ao falar dos príncipes com Enoch, virou o rosto rapidamente.
“Agora responda à minha pergunta.”
“Eu já respondi.”
“Essa não é a resposta que eu quero. Não pense na realidade, apenas me diga o seu desejo. Você quer restaurar o seu nome?”
Enoch foi obrigado a pensar nisso diante da insistência dela.— “Sim.”
“E você se casará comigo se isso acontecer?”
Enoch riu mais uma vez. Após um breve momento de reflexão, assentiu levemente com a cabeça.— “Sim.”
“Por quê…?”— Aran perguntou outra vez, tentando não demonstrar o quanto aquela resposta a agradava. Enoch escondeu sua confusão e respondeu calmamente, como ela queria.
“Provavelmente não existe homem no mundo que a recusaria. Você é nobre, gentil e… também é bonita.”
“Eu sou bonita?”— Aran arregalou os olhos.
Dessa vez, Enoch respondeu sem hesitar.— “Sim.”
“Ah… hum.”— Aran, que nunca recebera um elogio assim de Enoch, começou a torcer uma mecha de cabelo entre os dedos, constrangida. Ao mesmo tempo, resmungou — “Se eu não fosse uma princesa, se eu tivesse um temperamento ruim e fosse feia, você não se casaria comigo? Iria procurar uma mulher de posição mais elevada e mais bonita?”
“Bem… não sei. Mas acho que não. Não consigo me imaginar com outras mulheres, pois estive com você por tanto tempo.”— Ele falava sério. Enoch já não conseguia pensar em nenhuma outra mulher além dela. Nem sequer queria cogitar nisso.
“Então não imagine.”
O que a deixara tão feliz a ponto de Aran envolver o pescoço dele e beijá-lo na bochecha?
Mas o bom humor de Enoch foi se dissipando aos poucos. Era justamente a princesa que lhe fazia perguntas assim e confessava os próprios sentimentos quem, no fim, acabaria se casando com outra pessoa. Ele seria abandonado assim que o coração dela mudasse. Felizmente, a princesa era misericordiosa e não o expulsaria nu. E mesmo que isso acontecesse, ele não poderia culpá-la. Até agora, tudo o que ela fizera já era mais do que suficiente para alguém em sua posição. A princesa lhe dera boas roupas, boa comida e permitira que tivesse uma vida tranquila. Salvara sua vida e lhe revelara os seus sentimentos. Enoch sabia que seria vergonhoso pedir mais do que isso.
Ele segurou a princesa, que ainda o beijava, e afastou o rosto dela. O queixo e a bochecha dela ficaram pressionados contra sua mão grande, levando-a a fazer uma expressão engraçada, mas até mesmo isso era bonito.
“O que houve?”
Enoch não respondeu. Seus olhos vermelhos escureceram.
Ele imaginou o homem que se tornaria o marido da princesa. Um homem bonito, nobre, confiável; alguém com uma mente astuta o bastante para proteger Aran sem jamais prejudicá-la. A mão que segurava o queixo da princesa apertou-se gradualmente. Ele não sabia por que estava tão irritado.
“Está doendo.”— Aran soltou um leve gemido, mas não tentou afastá-lo. Apenas o olhou de baixo para cima com seus olhos sempre suaves.
Ele não queria entregá-la a homem algum.
Enoch se assustou com o pensamento repentino. Ao mesmo tempo, a força deixou sua mão. Aran segurou-a antes que ela caísse frouxa sobre a cama. Um calor suave e acolhedor envolveu sua mão. Ela enterrou o rosto na palma de Enoch e disse em voz baixa:
“Eu não deixarei que viva como um servo. Farei com que você fique ao meu lado outra vez.”
Enoch não acreditava em suas palavras. Conhecia bem demais a realidade para nutrir esperanças nas promessas de uma princesa ingênua. Ainda assim, não conseguiu evitar fantasiar. Assim como havia dependido dela até agora, queria se tornar um homem em quem ela pudesse se apoiar. Queria protegê-la de ser manipulada.
Ele afagou com carinho o queixo dela, onde ficara a marca de sua mão.