As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 59
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Tradução: Gab
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Luazan continuou a interpretar o papel de irmão benevolente, enquanto por dentro ridicularizava a irmã, fascinada por um mero servo.
“Eu sei que você tem sentimentos profundos por ele. Embora agora seja o filho de um traidor, originalmente ele pertencia a uma linhagem nobre, inferior apenas à família imperial.”
Aran não conseguiu compreender onde o irmão queria chegar, mas, por alguma razão, seu coração começou a bater com força.
“O Imperador e a Imperatriz sempre desejaram a sua felicidade, e eu também quero seguir a vontade deles.”
“O que está querendo dizer…?”
“Depois de devolver a ele às suas terras e restaurá-lo ao antigo posto, pretendo decretar novamente o casamento de vocês. Claro, a oposição será grande.”
“Isso é verdade?”— Seu rosto se iluminou de alegria.
“Mas você sabe que é impossível restaurar sua honra apenas por ele ter salvado a sua vida.”
Aran assentiu.
“Por isso pensei: que tal enviá-lo para a fronteira oeste e fazê-lo reconstruir o exército de lá?”
“Fronteira oeste?”— Os talheres escorregaram de sua mão, e o som metálico ecoou alto ao atingir o chão.— “A fronteira oeste não é um lugar de clima árido, onde monstros vagam dia e noite? Um lugar para onde se enviam prisioneiros de guerra ou aqueles que cometeram crimes graves?”— Aran retrucou de forma ríspida e lançou um olhar duro para Luazan.
“Eu jamais permitirei isso.”
Apesar de sua ingenuidade, ela conhecia bem a má fama da fronteira oeste. Uma terra fria e desolada. Além disso, monstros e selvagens surgiam com frequência, e sobreviver ali era uma luta constante.
Pouquíssimos dos que eram enviados para lá retornavam em segurança — dois ou três em cada cem. A maioria morria congelada ou de fome antes mesmo de lutar, e mesmo os que tinham sorte o bastante para sobreviver acabavam mortos pelas mãos de monstros ou selvagens. No fim, ninguém em sã consciência se voluntariava para ir até lá, de modo que apenas prisioneiros condenados à morte ou culpados de crimes graves eram enviados para guardar as fronteiras, como uma medida temporária.
“Eles querem enviar o Enoch para um lugar desses…?”— pensou.
Só de imaginar, um calafrio percorreu o seu corpo. Seu apetite desapareceu por completo, e ela não conseguiu comer mais nada.
“Aran.”
“E ele ainda nem se recuperou totalmente. Agradeço sua consideração, mas vou fingir que não ouvi isso.”
Luazan soltou uma risada baixa diante da reação afiada da irmã.
“Parece que você se importa mais com ele do que eu imaginava. Mas não se preocupe. Acha mesmo que eu enviaria o futuro marido da minha irmã para uma armadilha mortal?”
“…”
“Como você disse, a fronteira oeste é perigosa, mas tudo o que sabe sobre ela é coisa do passado. Agora, os monstros estão quase extintos, e os selvagens já não são tão ativos quanto antes. E se ele aceitar essa proposta, eu garantirei pessoalmente a segurança dele.”— Luazan tentou convencê-la com um tom suave, mas Aran permaneceu irredutível. Ela não queria enviar Enoch para lugar algum que fosse perigoso.— “Tente se lembrar. Todos os que retornaram de lá foram reverenciados como heróis, independentemente de seu passado. O mesmo acontecerá com Enoch Roark.”
“Não importa onde seja, eu não posso enviá-lo para o campo de batalha.”
Dylan, já impaciente com a resistência maior do que esperava, retrucou.— “Você é muito imatura, Aran. Achou que a honra do filho de um traidor poderia ser restaurada sem custo algum?”
“Quer que ele arrisque a própria vida por algo tão trivial quanto honra?”—Aran não cedeu.
Os dois irmãos se surpreenderam, pois a irmã costumava ser sempre gentil.
“Não há motivo para não fazê-lo. Se ele continuar vivendo de forma tão miserável como agora, seria melhor–“
“Dylan.”— Luazan cortou as palavras do irmão friamente. Somente então Dylan, percebendo o erro, fechou a boca com uma expressão constrangida.
Luazan lançou um olhar ao segundo irmão, que quase arruinara seus planos, e então voltou-se para Aran com um sorriso ainda mais artificial.
“Claro que não pretendo forçá-la se você é totalmente contra isso, mas pense bem. Se ele, que um dia foi o mais nobre entre os nobres, deseja ser um servo até o dia da própria morte. Você também é um membro da família imperial, então deve entender o que quero dizer.”
Aran fechou a boca.
Luazan estava certo. Embora Enoch não expressasse os seus sentimentos, ele não conseguia esconder o desprezo por si mesmo enquanto vivia dia após dia na servidão. O ardiloso Imperador Regente percebeu a agitação da irmã mais nova. Ao passar por ela, acrescentou de forma sutil:
“Hm… acho que tive uma ideia frívola e acabei confundindo-a. Finja que eu não disse nada.”
O coração de Aran afundou com aquelas palavras. Aquilo soava como uma retirada da promessa de restaurar a identidade de Enoch.
“Não, não. Foi só muito repentino. Dê-me um tempo para pensar.”
“Foi mesmo? Bem, acabei falando demais. Então pense com calma.”— Luazan assentiu com um ar aparentemente bondoso. Não havia pressa. Sua irmã tola acabaria seguindo a vontade dele de qualquer forma.