As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 57
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Tradução: Gab
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Ele também estava deitado na cama, gravemente ferido. O médico do palácio que cuidava dele dissera.— “Felizmente, o impacto não atingiu pontos vitais”— e acrescentara — “Se os cascos dos cavalos tivessem se movido um pouco mais, ele teria morrido”.
Aran acariciou o rosto pálido de Enoch. Sentindo o toque, ele abriu os olhos.
“Por que está chorando?”
Ele odiava vê-la chorar. As lágrimas dela o faziam sentir algo muito estranho. Quis enxugar seu rosto molhado, mas os braços não se moviam, então apenas a fitou.
“Porque me sinto culpada.”
“Por que se sente culpada?”
“Porque quase o ma… matei.”
“Estou bem”— respondeu Enoch, em um tom de voz bastante complexo. Sua mente estava confusa.
Por que ele havia envolvido a princesa com o próprio corpo naquele momento?
Durante alguns dias, tentou encontrar uma razão racional para isso. A resposta veio rápido. Até então, ele só conseguira manter a própria vida e viver com certo conforto graças ao favor da princesa; se algo acontecesse com ela, sua situação também estaria, sem dúvida, em risco.
Mas isso, por si só, não explicava todos os sentimentos que o invadiram naquele instante.
Quando viu um cavalo correndo em direção à princesa, seu coração despencou e sua mente esfriou abruptamente. Nem mesmo quando a traição de seus pais fora descoberta, ou quando vira suas gargantas serem cortadas, Enoch sentira um desespero tão profundo quanto aquele.
Ele não pensou que poderia se ferir ao ser atingido pelos cascos do cavalo. Tudo o que lhe veio à mente foi a necessidade de tirar a princesa dali e levá-la a um lugar seguro. Sentiu-se aliviado ao ver o rosto e as mãos dela intactos, sem um único arranhão. Enoch teve de admitir que, em algum momento, seus sentimentos pela princesa haviam mudado. Mas ainda não conseguia definir claramente até onde chegavam agora.
“Está tudo bem porque você está bem. E o médico do palácio disse que eu tive muita sorte. Que não sofri nenhum ferimento fatal e que sou resistente, então logo conseguirei me levantar.”
A afirmação era verdadeira. Tanto os médicos da corte quanto os cuidadores observavam sua recuperação dia após dia e exclamavam — “Ele é um monstro”. Enoch achou que fora uma sorte ter sido ele a se ferir. A frágil Aran não teria suportado o impacto daquelas lesões.
“Obrigada por salvar a minha vida. Mas não faça isso de novo.”
“É natural que um escravo sacrifique a própria vida pela sua senhorita.”
“Você não é um escravo.”— Aran inclinou a parte superior do corpo para encará-lo. As íris vermelhas dele a fitavam. Havia quem desaprovasse seus olhos, dizendo que eram da cor do sangue, mas para Aran eles pareciam apenas muito especiais e belos.— “Você é meu amado.”
Amado…— Enoch repetiu a palavra em sua mente. Era tão doce quanto açúcar.
Aran sobrepôs seus lábios macios aos dele, firmes. As lágrimas misturadas a seus lábios tinham um gosto salgado, mas, ainda assim, ele sentiu que ela era mais doce do que qualquer coisa que já havia provado.
“Você não pode me deixar. Se minha mãe tivesse partido daquele jeito, e você também não estivesse aqui, eu realmente…”
Ela deixou o final da frase escapar, como se estivesse sufocada pela dor. As lágrimas, que haviam cessado por um momento, voltaram a brotar. O dorso da mão dela, que ele segurava com força, parecia tão fino que os ossos quase se destacavam.
“Sinto muito por Suas Majestades.”
“Eu não esperava me despedir deles assim, sem sequer dizer adeus. Não imaginei que fosse minha própria mãe, e não outra pessoa, que… Meu pai também não me reconhece mais, e ultimamente sinto como se tivesse me tornado, de repente, uma órfã…”