As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 56
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Tradução: Gab
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Aran pensou que estivesse enganada por causa da chuva. Mas, quando fechou os olhos e os abriu novamente, tudo permanecia igual.
“Não olhe!”— Enoch tentou cobrir seus olhos por trás. Aran escapou de seus braços.
“Mãe, Pai!”
E, sem pensar duas vezes, correu em direção à carruagem de seus pais. Ela sequer conseguiu enxergar os cavalos que haviam perdido o controle, assustados. Escapou por pouco dos guardas que tentavam detê-la e, por fim, aproximou-se da carruagem. Um gemido baixo veio de dentro. Era a voz do imperador.
“Espere um pouco, Pai!”
O imperador, ao reconhecer a filha, ergueu a mão, mesmo com a consciência já turva.
“Não… volte, Aran…!”— Mas seus gritos angustiados caíram em ouvidos surdos. Aran ajoelhou-se no chão e tentou abrir a porta da carruagem com toda a força, mas a porta, completamente amassada, não se mexeu.
Então, um grande cavalo avançou em sua direção. Aran o percebeu apenas tarde demais e ficou paralisada, incapaz de se mover. Naquele instante desesperador, Enoch envolveu a sua cintura com os braços e rolou com ela para o lado. O cavalo, em fúria, acertou um coice em suas costas.
Enquanto Aran piscava, atônita, ele perguntou com dor.— “Vossa Alteza, a senhorita está bem!”
Aran desmaiou naquele mesmo instante. E, quando voltou a abrir os olhos, muitas coisas haviam mudado.
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Aquele dia foi um desastre em todos os sentidos da palavra. O acidente tirou a vida da imperatriz no local, e o imperador sofreu uma grave lesão na cabeça, passando a não reconhecer sequer o rosto de sua amada filha. O príncipe Luazan, o irmão mais velho de Aran, tornou-se imperador regente para preencher o vazio deixado.
Antes do acidente, o imperador havia concedido a Aran dezenas de grandes minas de ouro na província de Setia, a maior reserva do país. O ganancioso Luazan e o Segundo Príncipe, Dylan, cobiçavam a riqueza da irmã. Até pouco tempo atrás, o imperador ainda os contivera, de modo que não ousavam interferir. Agora, porém, não havia mais nada que os impedisse. Os dois príncipes, que normalmente viviam em conflito, estavam dispostos a unir forças para alcançar os seus objetivos.
Não era como se o imperador ignorasse a ganância dos filhos. Antecipando que, após sua morte, eles deixariam a irmã em apuros, ele pretendia garantir a segurança de Aran por meio de seu casamento com o herdeiro do Grão-Duque de Roark. No entanto, seus planos foram frustrados pela rebelião do Grão-Ducado. Sem ter conhecimento da traição iminente, o imperador não conseguiu preparar nenhum outro plano de contingência.
Aran colocou um buquê de flores brancas sobre o caixão da imperatriz. Incapaz de comparecer ao funeral, o imperador deixou a organização da cerimônia aos príncipes e à princesa. Ela só recuperou minimamente a consciência na noite anterior e conseguiu comparecer ao funeral, mas chorou tanto que quase desmaiou novamente. Luazan segurou Aran, que mal conseguia se manter em pé.
“Como nossa mãe poderia descansar em paz vendo-a nesse estado, Aran?”
“Irmão mais velho…”— Aran ergueu o olhar para Luazan, surpresa.
Ela nunca fora muito próxima de seus dois irmãos mais velhos. Os príncipes, educados com rigor extremo desde a infância como membros da família imperial, não nutriam afeição por Aran, que, sem esforço algum, monopolizava o amor dos pais. Aran, por sua vez, também tinha dificuldade em se comunicar com irmãos com quem possuía uma grande diferença de idade.
“Fomos indiferentes demais com você. Mas, em momentos de necessidade, o sangue clama pelo próprio sangue. A partir de agora, Dylan e eu iremos protegê-la.”— Luazan falou em um tom afetuoso.
Dylan enxugou as lágrimas de Aran. A tristeza ainda permanecia, mas a gentileza de seus únicos parentes de sangue restantes trouxe-lhe um grande consolo. Jovem e ingênua, Aran não possuía a sagacidade necessária para enxergar a escuridão no coração de seus irmãos.
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Durante algum tempo, os dois irmãos fingiram cuidar dela, e, antes que Aran percebesse, havia se tornado completamente dependente dos príncipes.
Após o funeral da imperatriz, a rotina diária de Aran tornou-se extremamente simples. Assim que abria os olhos pela manhã, visitava o imperador, prestava-lhe homenagens e cuidava dele até o pôr do sol. O imperador não apenas perdera a lucidez, como mal conseguia se mover. Ainda assim, Aran não poupava esforços, acreditando firmemente que ele logo se recuperaria.
E, quando o imperador adormecia, ela ia ver Enoch.