As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 55
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Tradução: Gab
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O Grão-Duque pretendia ter apenas um filho, Enoch. Preocupado com a possibilidade de o corpo da Grã-Duquesa ser prejudicado, ele tomou Enoch como seu sucessor assim que nasceu e nunca teve outra criança. Para ele, Enoch não era um filho, mas um herdeiro. Não sabia quando os dois haviam planejado a traição, mas Enoch pensava que eles deviam ter morrido felizes com um único golpe de espada, exatamente como sempre desejaram.
“Vossa Alteza.”
“Hã?”— Aran ergueu a cabeça. Seus olhos ainda estavam úmidos de lágrimas.
“Desde quando?”— Enoch se perguntou há quanto tempo Aran gostava dele. Queria perguntar se o afeto dela era apenas uma brincadeira infantil ou se era um amor cego e interminável, como o de seus pais. Mas jamais seria aceitável deixar uma pergunta tão estúpida escapar de sua boca.
“Eu gosto de você. Eu o amo.”— Como se tivesse lido os seus pensamentos, Aran sussurrou, beijando sua testa, marcada pela hesitação.
Enoch estava ansioso ao ouvir o coração de Aran bater de forma irregular. Mas o que mais o perturbava era a confiança que sentia em acreditar nele.
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“Está chovendo muito…”— Aran murmurou, apreensiva, enquanto olhava pela janela da carruagem.
Para escapar do calor, a família imperial seguia em direção ao retiro de verão. O céu, que permanecera limpo até a partida, de repente se fechou, e uma chuva intensa começou a cair sem aviso.
“Logo irá parar.”— Enoch respondeu.
Originalmente, ele não deveria subir na carruagem com a princesa, mas quando a chuva se tornou mais forte, Aran, preocupada, tornou-se teimosa e o forçou a entrar. Ele sabia muito bem que, mesmo que tentasse recusar, atrairia ainda mais atenção se criasse um conflito.
Era bem constrangedor sentar-se ali, como um rato encharcado pela chuva, entre a elegante princesa e as damas de companhia. Estas, que já haviam percebido a relação entre a princesa e Enoch, alternavam sorrisos estranhos entre os dois. A tragédia no grande palácio e as circunstâncias do herdeiro não lhes diziam respeito. Era apenas divertido e encantador observar um casal de jovens amantes que acabara de começar a se apaixonar.
“Conseguiremos chegar até o fim do dia?”
“Não se preocupe, Vossa Alteza. Pancadas de chuva no verão são comuns.”— Respondeu gentilmente uma das damas.
Naquele momento, a atmosfera ao redor deles mudou de repente. Um mau pressentimento tomou conta, e um relâmpago atingiu uma árvore próxima.
“O que foi isso?”— Gritou uma das damas de companhia.
Poucos segundos depois, um estrondo ecoou no céu. Os cavalos se assustaram e, de repente, a carruagem começou a sacudir violentamente. Algumas damas caíram de seus assentos e chegaram a rolar pelo chão da carruagem. Ouviu-se o cocheiro gritando algo para os cavalos.
Aran temeu que a carruagem virasse e Enoch a envolveu firmemente quando ela quase caiu.
Felizmente, o balançar logo cessou. Aran soltou um suspiro de alívio. No entanto, uma sucessão de gritos e clamores veio de fora.
“O que está acontecendo?”
“Irei verificar.”— Enoch abriu a porta da carruagem e olhou para fora. Pouco depois, seu rosto se endureceu em choque.
“O que houve?”— Quando Aran perguntou, alguém gritou, quase como um lamento.— “VOSSA MAJESTADE…”
Assim que ouviu a voz, Aran empurrou Enoch para fora da carruagem. E então se deparou com uma cena inacreditável. A carruagem em que o imperador e a imperatriz viajavam estava tombada, e sangue escorria misturado à água da chuva. O cocheiro que conduzia-a, havia acabado de cair no chão no momento em que precisou se arrastar para fora dos destroços.