As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 54
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Tradução: Gab
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Aran apontou o dedo para a protuberância evidente em sua parte inferior. Sua voz trazia apenas curiosidade pura. O rosto de Enoch estava quente como lava.
“…Não fique pensando nisso. Não é isso.”
“Você não costuma ficar assim.”
“É só… quer dizer, é bom estar assim com você.”— Enoch respondeu com dificuldade, suportando o próprio constrangimento.
“De verdade?”
“…Sim.”
Um sorriso se espalhou pelo rosto de Aran.
“Eu também gosto. Mas meus pais vão dar um banquete em três dias…”
“Até lá, você conseguirá disfarçar com maquiagem.”
“Seria possível?”
Enoch voltou a olhar para os lábios de Aran. Doía vê-los delicados, rachados e inchados.
“Espere um pouco.”
Enoch saiu do quarto e voltou instantes depois com uma taça cheia de cubos de gelo.
“Será que o inchaço não diminui se esfregar isso?”
“Boa ideia.”— disse— “Sinto como se meu coração fosse explodir, é muito bom.”
Aran segurou a cintura dele. A parte superior do corpo dela se pressionou contra o peito nu de Enoch. Sob o vestido fino, ele sentiu o volume suave de seus seios sendo comprimido contra ele. Enoch cerrou os dentes para conter o desejo que rugia dentro de si. Por ora, queria arrancar aquele tecido horrendo que separava as suas peles e morder toda a carne frágil escondida por baixo. Queria abrir as pernas dela e enfiar sua rigidez enquanto ela arfava, surpresa.
Em vez de transformar seus pensamentos em ação, abraçou a princesa com cuidado. Enterrou o rosto entre os cabelos maravilhosos dela e conteve a respiração descontrolada.
Aran, sem saber o que se passava em sua mente, se remexeu e bateu de leve no peito e nas costas dele com os dedos, dizendo.— “Estou sufocando.”
Ela não fazia ideia do quanto aquilo o provocava. Se ele fosse a Aran, jamais teria feito algo assim. Incapaz de resistir ao impulso, Enoch segurou os pulsos dela e os pressionou contra a cama.
“O que foi?”— Aran o olhou, confusa.
Se ele tirasse o vestido dela agora, Aran ficaria envergonhada, mas logo estaria completamente nua diante dele. Bastaria uma palavra para que ela se acalmasse, abrindo as pernas, suportando a dor e o medo. Mas Enoch não conseguia fazer isso. Não conseguia morder aquela pele delicada com toda a sua ganância. Não suportaria ver o sangue brotar ao invadir profundamente um caminho que jamais fora aberto. Não queria ver aqueles olhos confiantes turvados pela dor. A mão que segurava o pulso da princesa perdeu a força.
“Deve ter doído.”— Aran sussurrou, entristecida. Ela olhava para as cicatrizes espalhadas pelo torso dele.
Havia muitas marcas pequenas em seu corpo. Metade vinha do treinamento para se tornar cavaleiro; a outra metade, das punições sofridas após ser subjugado pelos servos.
“Agora está tudo bem.”— Aran acariciou as cicatrizes. A ferida em seu flanco era a mais recente e ainda estava avermelhada.— “Eu devia tê-lo protegido…”
Aran ergueu o corpo. Desta vez, era Enoch quem estava deitado sob ela.
Ela beijou a cicatriz e a lambeu suavemente. Não era um beijo carregado de sensualidade, mas de puro afeto. As lágrimas que caíram sobre ele atravessaram o coração de Enoch e se acomodaram em seu âmago. Olhando para os cabelos loiros e claros espalhados sobre seu peito, pensou em seus pais mortos. Eles se amaram intensamente — um amor tão profundamente absoluto que não reservaram sequer um grão de afeto para o próprio filho.