As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 53
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Tradução: Gab
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Aran fez um leve bico com os lábios. Enoch retirou um pedaço de gelo e começou a esfregá-lo suavemente sobre eles.
“Está muito frio”— Aran reclamou em voz baixa.
“Aguente só mais um pouco.”
Diferente do habitual, Aran reclamava e Enoch a acalmava, mas nenhum dos dois percebeu isso conscientemente. O clima não estava quente, ainda assim o gelo derreteu rapidamente. As pontas dos dedos de Enoch roçaram os lábios gelados dela. Aran, anestesiada pelo frio, não percebeu, mas Enoch retraiu os dedos, surpreso.
O pensamento de aquecer aqueles lábios frios com o próprio calor do corpo surgiu sem aviso. No instante em que isso lhe ocorreu, Enoch quase deixou o copo cair. Não fora o gelo que derretera, e sim sua mente. Aquilo não era diferente de Claude — aquele a quem tanto desprezava. Ele virou o rosto, afastou-se de Aran e estendeu-lhe o copo.
“Agora faça sozinha.”
“Ah… tudo bem”.
Aran aceitou o copo em silêncio. Enoch lançou um olhar para a princesa enquanto ela passava o gelo nos lábios. Ao vê-los úmidos e se abrirem, pensamentos estranhos voltaram a invadir a sua mente. No fim, ele saiu apressado dali sob o pretexto de que precisava trabalhar.
Havia algo errado. Aquilo não fazia bem nem para ele, nem para a princesa.
Especialmente para ele.
Enoch detestava tudo o que não fosse racional ou razoável. A imagem humana que mais desprezava era a daqueles que se deixavam levar pelas emoções e acabavam arruinando tudo. Ele sempre se considerara bastante inteligente e, em parte, isso era verdade. Mas ainda era um jovem que havia vivido apenas dezoito primaveras, arrogante o suficiente para subestimar os próprios sentimentos.
Infelizmente, Enoch não sabia que, uma vez despertado o desejo, não havia como voltar atrás.
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Aran ergueu os grandes olhos e o encarou. Seu coração se aqueceu ao ver o próprio reflexo nos olhos dele. Enoch limpou com os dedos a umidade ao redor da boca da princesa. O inchaço de seus lábios já havia desaparecido por completo, retornando à forma original. A experiência lhe ensinara como beijá-la sem deixá-los inchados.
Nos últimos meses, os dois haviam se beijado diversas vezes — sob os altos muros do palácio imperial, em um canto da antiga biblioteca, entre os canteiros de lavanda do jardim.
Aran curvou suavemente os lábios. Ignorante do efeito daquele pequeno gesto, Enoch sentiu novamente o impulso de beijá-la. Puxou-a para si, sem conter a tentação. Ao perceber sua intenção, Aran fechou os olhos docemente e entreabriu os lábios. Mais uma vez, suas bocas se encontraram com força.
“Ah…”
Enoch segurou firmemente a nuca dela com a mão e deixou escapar um gemido baixo. As mãos da princesa, que se agarravam às suas costas, desceram e deslizaram para dentro da barra da camisa. Enoch inspirou fundo quando os dedos frios tocaram sua pele nua. Sem hesitar, Aran passou as mãos por sua cintura e por suas costas.
Mantendo os lábios unidos aos dela, Enoch tirou a própria camisa para facilitar o toque. Alguns botões se romperam e rolaram pelo chão, mas nenhum dos dois se importou. O calor fervilhava a cada vez que as mãos frias dela deslizavam lenta e suavemente por sua pele. O beijo prolongado fez o pescoço de Aran doer. Enoch então a ergueu e a deitou com cuidado sobre a cama.
“Ha, Enoch…”— Ela murmurou seu nome, num suspiro.
Ao ouvir aquela voz suave, o sangue correu por seu corpo com violência. As pernas de ambos estavam entrelaçadas, e Aran sentiu imediatamente a reação dele.
“Desde a última vez eu venho pensando…”
“Diga.”
“O que há de errado com isso? Você não está doente, está…?”