As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 52
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Tradução: Gab
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Era uma tentativa constrangedora demais para ser chamada de beijo, mas intensa como um furacão para uma garota e um rapaz sem experiência. Os dois, que roçavam os lábios de forma desajeitada, instintivamente aprofundaram o gesto em busca de uma sensação mais doce. Seus lábios se abriram e as línguas se entrelaçaram. Os sons úmidos soavam estranhos. Em alguns momentos, eram atrapalhados e apressados, chegando a morder com força — mas até isso lhes trouxe êxtase. Uma paixão ardente se espalhou por todos os pontos em que seus corpos se tocavam, não apenas pelos lábios entrelaçados.
Perdidos um no outro, sem perceber a passagem do tempo, só recobraram a razão quando o sino da meia-noite soou. Enoch foi o primeiro a despertar para a realidade. Afastou-se dela às pressas, tomado pela surpresa. Aran também estava confusa e envergonhada. Para amenizar o constrangimento, ambos evitaram se encarar. Ainda assim, o calor que não se dissipava e as respirações ofegantes após o beijo eram prova suficiente do que havia acontecido instantes antes.
“Desculpe.”— Enoch murmurou um pedido de desculpas que jamais imaginara dizer. Era um pedido por tudo o que fizera.
Aran, olhando para os próprios pés, balançou a cabeça com vigor.—“Não. Não peça desculpas. Na verdade… eu gostei.”
Enoch, que sempre ferira Aran com palavras diretas demais, não soube o que dizer. Acabou retornando ao próprio quarto sem se despedir adequadamente.
Pensou em como deveria tratar a princesa dali em diante, mas o calor persistente atrapalhava qualquer julgamento racional. Seus lábios pareciam ainda guardar o toque dos dela. Decidiu adiar qualquer conclusão e fugir dos pensamentos entregando-se ao sono. Infelizmente, o calor o seguiu até os sonhos e continuou a atormentá-lo.
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No dia seguinte, Enoch ouviu que Aran estava doente. Um grupo de damas de companhia passou por ele trocando comentários de que nem as damas da corte nem as criadas podiam entrar em seu quarto, pois a princesa estava enferma.
‘Ela está doente?’— pensou.
No dia anterior, ela não fizera nada em excesso e, até o momento em que se separaram, parecia perfeitamente bem. Tomado pela curiosidade, Enoch corou de repente.
“Será que foi por causa daquilo…?”
Se fosse, ele era ao menos metade do motivo da enfermidade de Aran. Sentindo remorso, foi visitá-la no dia seguinte.
Por algum motivo, não havia criadas por perto, e ela estava deitada na cama, coberta pelo edredom até a ponta da cabeça.
“Vossa Alteza, sou eu.”— Não houve resposta. Quando Enoch tentou verificar se ela havia adormecido, percebeu que se mexeu levemente.— “Está muito doente?”
“Não.”— A resposta veio apenas então, ainda com o cobertor puxado até o rosto.
“Ouvi dizer que ficou de cama o dia inteiro. Está sentindo muita dor?”
“Isso é…”
Aran espiou por baixo do cobertor. Uma ideia atravessou a mente de Enoch. Sem fazer mais perguntas, ele abaixou o edredom que cobria o rosto dela.
“Ah!”— Aran tentou se esconder tarde demais. Enoch já havia visto seus lábios, inchados de forma evidente. Ficou sem palavras.
Enoch estava bem, mas a pele sensível de Aran sofrera os efeitos da paixão da noite anterior. Qualquer um que visse seus lábios perceberia o que havia acontecido — razão pela qual ela não queria sair da cama.
“Vai… melhorar logo.”— Enoch disse, num tom pouco convincente.
Se Aran estivesse um pouco mais calma, teria notado que ele estava mais perturbado do que o habitual. Mas, naquele momento, ela também encontrava-se completamente desnorteada.