As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 51
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Tradução: Gab
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Ele havia testemunhado a tolice dela ao longo dos anos, então sentia pena. Às vezes, tinha vontade de abrir aquela cabecinha linda e gritar que ele estava apenas se aproveitando dela, esperando uma oportunidade para traí-la e fugir. Queria que Aran parasse com aquele amor estúpido que nutria por ele.
Enoch afastou friamente a mão de Aran. Ainda assim, ela sorriu para ele.
“Você não disse que o lorde Claude chegaria em breve?”
“Sim, iremos jantar juntos.”
Franzindo a testa, Enoch ficou de mau humor de repente e, por impulso, disse:
“Não se encontre com ele.”
“Por que diz isso…?”— Aran perguntou de volta, um pouco constrangida.
“Não prefere passar o dia inteiro comigo?”
“De verdade? É realmente verdade?”— Os olhos de Aran se arregalaram ainda mais.
“Sim.”
“Hm… mas o que eu digo ao Claude? Nós marcamos isso há um mês.”
“Se você não estiver interessada em sair comigo, então não saia.”
Diante das palavras secas de Enoch, Aran balançou a cabeça apressadamente.
“Não! Eu estou interessada sim… mas por que tão repentinamente?”
“Porque…”— Enoch não sabia o motivo. Por que não queria que ela se encontrasse com o Claude? Se ele não gostava daquele desgraçado, bastava evitá-lo. Depois de pensar um pouco, logo pensou em uma desculpa adequada.
“Por que o seu aniversário está chegando.”
“Entendi. Obrigada! Eu não sabia que você se lembrava do meu aniversário.”— Aran riu.
Era o sorriso mais radiante que ele já tinha visto. Ao ver o lindo rosto dela, sentiu algo formigar dentro do peito. Era um desconforto desconhecido, mas ele não odiava aquilo e não queria que desaparecesse. Antes que Enoch pudesse refletir melhor sobre aquele sentimento estranho, Aran se apressou e entrou no palácio.
“Tenho que escrever ao Claude dizendo que não posso encontrá-lo. Se eu disser que estou doente, ele vai entender.”
Ele teria preferido que ela simplesmente deixasse Claude plantado, sem dar explicação alguma. Mas Enoch, que conhecia bem o caráter de Aran, escolheu não dizer nada.
Apesar de toda a empolgação, Aran não fez nada além de coisas triviais com Enoch. Comeram, tomaram chá, jogaram dados e escolheram um livro para ler na biblioteca, e o dia quase terminou. Enoch, que estava decidido a atender a todos os pedidos da princesa naquele dia, sentia-se desanimado.
Quando percebeu, já era noite e era hora de Enoch voltar para os seus aposentos. Aran segurou a mão dele com um olhar de pesar.
“Obrigada. Não esquecerei o dia de hoje.”
Não era diferente do habitual, mas Enoch conseguia perceber pelos olhos e pela voz dela que aquelas palavras eram sinceras. A sensação estranha que vinha sentindo há algum tempo se intensificou.
“Desculpe não poder lhe trazer um presente.”— Envergonhado, Enoch respondeu de forma direta.
Nem no ano passado nem neste ano ele conseguiu dar um presente a Aran. Como servo do palácio imperial e cidadão de baixa classe, não lhe era permitido possuir bens. As roupas que vestia e os instrumentos de escrita que usava pertenciam todos ao palácio.
“Você não precisa me trazer nada. Estou dizendo isso somente agora, mas você já é mais do que suficiente como presente.”— Aran encostou cuidadosamente a cabeça no peito dele. O cabelo dela, com um perfume doce, fazia cócegas no queixo de Enoch.
“Eu queria que hoje não acabasse”— murmurou Aran, com a voz trêmula.
Sem perceber, Enoch envolveu as bochechas macias de Aran com as mãos. Ela parecia um pouco constrangida. Seus lábios estavam levemente entreabertos. Como se estivesse possuído, Enoch passou o polegar pelos lábios dela. Ele sentiu as bochechas sob as próprias mãos ficarem cada vez mais quentes.
“Com licença…”— Aran o chamou com o rosto envergonhado. Só então ele percebeu o que estava fazendo e se afastou apressadamente da princesa. Um silêncio constrangedor se instalou.
Quando Enoch tentou se desculpar por sua grosseria, Aran envolveu o pescoço dele com os braços. Então, pousou os lábios nos dele.