As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 50
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Tradução: Gab
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Talvez o remédio dado pela princesa tivesse sido eficaz. Enoch se recuperou rapidamente do leito de enfermo e voltou a se levantar. Pouco depois, passou a circular novamente pelo palácio. Ele supôs que Aran passaria a procurá-lo com mais frequência.
Enoch tentou se consolar murmurando.— “É melhor do que apanhar.”
Como esperado, a princesa frequentemente o chamava, dava-lhe comida, escolhia suas roupas e o fazia descansar. Enoch aceitava as atenções dela com certa moderação, mas tomava cuidado para não permitir que Aran se apegasse demais a ele. O afeto de Aran era uma espada de dois gumes. Se o Imperador descobrisse que sua amada princesa, já em idade de casamento, nutria sentimentos pelo filho do Grão-Duque decaído, ele não hesitaria em matá-lo. Por isso, Enoch às vezes dizia coisas que feriam a princesa. Acreditava que, um dia, ela acabaria caindo em si.
No entanto, a princesa de raciocínio lento esbanjava afeto sobre ele sem cessar. Era como um rio que nunca secava. E sem perceber, Enoch acabou afundando naquele carinho. O tempo passou e chegou o momento de Aran celebrar seu 16° aniversário. Ela já não era mais uma criança. O pescoço e os membros haviam se alongado como os de um cervo, e o corpo que antes parecia feito de galhos finos agora se preenchera com curvas suaves.
Enoch acompanhou essa mudança de perto. Às vezes, sentia algo desconhecido quando os delicados cabelos da princesa tremulavam ao vento ou quando seu próprio olhar pousava nos olhos claros e enevoados dela. Mas afastava rapidamente esse sentimento. Mesmo crescendo, ela continuava imatura e ingênua. Ainda que as pessoas elogiassem a sua beleza, ele zombava disso em silêncio.
“Claude virá hoje”— disse Aran, que passeava pelo jardim com um tom animado.
O filho do marquês era dois anos mais velho que Aran. Próximos desde a infância, ele sempre vinha vê-la quando acompanhava o pai ao palácio.
“É mesmo?”— respondeu Enoch de forma seca.
Enoch não gostava de Claude. Sempre que Aran não estava por perto, ele provocava brigas ridículas. Às vezes fazia exigências descabidas e, quando Enoch se recusava, o golpeava em lugares que Aran não podia ver. Os punhos treinados de um guerreiro atingiam sem piedade o corpo frágil de um jovem nobre como Enoch. Ele não achava que perderia para Claude em habilidade, mas, no momento, não tinha escolha a não ser suportar. Afinal, o outro era um aristocrata.
Diante de Aran, Claude fingia ser um anjo gentil. O sorriso afável que exibia apenas ao conversar com a princesa era repugnante. E o pior de tudo era o olhar que lançava a ela. Diferente de Aran, que o via como um amigo puro, Claude a observava como um bastardo no cio.
Com o passar dos dias, aquele olhar tornava-se cada vez mais irritante e Enoch sentia vontade de arrancar os dois olhos do desgraçado, se pudesse.
Aran, alheia às circunstâncias, inclinou a cabeça.— “Você parece estar de mau humor. Aconteceu alguma coisa hoje?”
“Nada.”
“Mentira. Está escrito no seu rosto que algo extremamente incômodo aconteceu.”
“…”— Enoch não podia contar o que Claude lhe fazia. Preferia apanhar algumas vezes a ver Aran chocada e fazendo um alvoroço por causa dele.
Aran segurou a mão de Enoch.—“Não precisa me dizer se não quiser. Algum dia chegará o momento em que você vai me contar primeiro até os seus pensamentos mais íntimos.”
Enoch acreditava que isso jamais aconteceria.
“Apenas lembre-se, Enoch: eu sempre estou do seu lado. Espero que isso seja, ao menos, um pouco reconfortante para você…”