As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 49
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Tradução: Gab
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O que Aran apontava era um caminho extremamente estreito, por onde apenas uma mulher conseguiria passar. A pequena Aran atravessou com facilidade, mas Enoch precisou andar de lado, como um caranguejo, para conseguir avançar pelo corredor apertado.
Aran balançou a cabeça ao comparar a largura dos ombros de Enoch com a passagem.
“Terei que ir sozinha a partir daqui… muito obrigada por ter vindo comigo.”
“Eu consigo continuar.”
“Deve ser difícil para você, é muito estreito. Eu não me importo de ir sozinha.”
“Não me faça repetir.”
“… Está bem.”
O caminho era ainda mais estreito do que ele havia imaginado. Provavelmente fora uma passagem usada por criadas há muito tempo, mas agora estava completamente abandonada e esquecida pelo passar dos anos. A princesa caminhava naturalmente pelo trajeto sinistro, coberto de teias de aranha.
“Você pode voltar quando quiser, se mudar de ideia.”— Enquanto avançava pelo corredor, Aran olhava para trás repetidas vezes.— “Eu não esperava caminhar aqui com você. É uma passagem secreta que conheço há muito tempo.”
Enoch soltou um suspiro. Sua dor de cabeça parecia piorar sempre que ouvia o falatório unilateral e interminável dela.
“Fique em silêncio. Podemos ser pegos. A noite está silenciosa, preciso prestar atenção a qualquer ruído distante.”
“Ah… entendi… desculpa.”
Um silêncio pesado caiu quando a princesa ficou quieta. Os dois não trocaram mais nenhuma palavra até chegarem ao quarto de Aran.
“Voltei em segurança graças a você. Desculpa tê-lo feito andar tanto estando doente.”
“Se já sabe disso, não venha me ver à noite.”
“Tudo bem.”— Aran respondeu de maneira abatida e segurou uma longa corda pendurada pela janela do quarto. A corda, feita grosseiramente de seda, parecia perigosa só de olhar.
“Você está pensando em subir por isso?”— Enoch franziu a testa.
“Sim. Por quê?”
“Ha… sério…”— Ele já não tinha forças nem para se irritar. Era um mistério como uma criança dessas podia ser filha do astuto imperador e da imperatriz.
Aran piscou, sem entender por que Enoch suspirava.
“Com licença, Vossa Alteza.”
Enoch afastou de forma um tanto brusca a mão de Aran que segurava a corda e a ergueu no ar. Surpresa, Aran tentou gritar quando seus pés saíram do chão, mas Enoch rapidamente cobriu sua boca.
“Não grite, a menos que queira que eu seja executado.”
Aran assentiu com a cabeça. Ao confirmar que ela havia se acalmado, Enoch retirou a mão de seus lábios e a ergueu mais alto.
“Estenda os braços, segure a moldura da janela e pise no meu ombro.”
“Hã…? C–como eu poderia…?”
“Apenas pise em mim.”— Enoch suspirou.— “Se você hesitar e perder o equilíbrio, nós dois iremos nos machucar.”
“Como assim? Você vai se machucar…?”— Aran disse com a voz embargada. Enoch pensou que talvez não devesse ter dito aquilo.
“Não vai acontecer. Eu irei segurá-la firmemente para que não se machuque. Pise.”
Diante da insistência de Enoch, Aran, relutante, tateou a moldura da janela e apoiou levemente os pés em seus ombros.
“Deve se apoiar completamente em mim. O dia já está quase amanhecendo.”
Somente quando ele ficou realmente irritado é que Aran fechou os olhos com força e colocou peso nos pés. Levou um tempo, mas ela conseguiu subir até o quarto em segurança.
Ainda bem que a princesa era leve. Se pesasse uns três quilos a mais do que agora, Enoch teria sofrido várias fraturas.
“Obrigada.”— Aran acenou para ele da janela.
Enoch fez uma reverência mecânica e virou as costas. Ele estava completamente exausto por ter se esforçado demais enquanto estava doente. Voltar por aquele caminho estreito era igualmente irritante e lidar com a princesa, cansativo demais.