As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 48
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Tradução: Gab
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“E eu não me importo se você me seduzir…”— Enoch fingiu não ouvir o murmúrio tímido de Aran. Provavelmente ela nem sabia ao certo o que o termo “seduzir” significava.— “…você também cuidava de mim quando eu ficava doente. Claro, não entrava escondido, mas… eu… eu não consegui simplesmente ir embora sabendo que está assim.”
“Está tudo bem, eu entendo. Mas não faça isso da próxima vez.”—Aran assentiu com vigor. Enoch, tendo dito o que precisava, retirou a mão do ombro dela e a afastou com suavidade.— “Obrigado pela preocupação, mas já está tarde. Volte.”
Aran esfregou o ombro que ele havia tocado, com uma expressão arrependida.
“Eu só vou ficar e vê-lo comer. Ah… porque eu preciso levar o cesto e a louça de volta.”— Aran arranjou uma desculpa para ficar um pouco mais com Enoch. Foi o mesmo quando ela o viu dormindo, mas agora que ele havia acordado e conversavam, ela não conseguia se separar dele.
Embora a boca estivesse seca, Enoch engoliu o pão diante da insistência da princesa. Ele achava que não tinha apetite, mas assim que colocou a comida na boca, não conseguiu parar. Depois de terminar a sopa fria, o pão e as frutas, Aran lhe entregou uma pílula redonda e a água que acabara de servir. Enoch engoliu aquilo também.
“Bom garoto.”
Ele ouviu um leve farfalhar e algo tocou seus lábios. Quando abriu a boca, meio atordoado, um pedaço de doce foi colocado ali. Ele não era uma criança. Enoch olhou para Aran com os olhos cheios de confusão, e ela abriu um largo sorriso quando seus olhares se encontraram. Em vez de retribuir o sorriso, Enoch virou o rosto e se afastou um pouco.
Antes da queda de sua família, os encontros entre eles eram limitados, então ele podia ignorar facilmente esse tipo de comportamento infantil. Mas agora, a situação e a posição de ambos haviam mudado. A princesa continuaria tentando invadir sua vida cotidiana, como fazia agora. Se ele quisesse usar a princesa, precisaria se ajustar ao ritmo dela até certo ponto, mas só de pensar nisso sua cabeça começou a doer.
“Então, eu vou indo.”— Aran se levantou devagar, com cuidado. Era um sinal claro de que ela estava morrendo de vontade de ficar mais.
Enoch olhou pela janela. O tempo estava nublado desde a manhã, e a lua estava encoberta pelas nuvens.
“Eu irei escoltá-la,”— disse Enoch.
“Hã?”— A gentileza inesperada fez o coração de Aran se apertar.
“É um longo caminho daqui até o palácio. Como pretende ir sozinha a essa hora da noite?”
“Mas você está doente, não precisa. Eu vim sozinha antes, então posso voltar sozinha também. Eu conheço atalhos por onde as pessoas quase não passam.”
Aran tentou impedir Enoch às pressas. Ainda assim, ficou feliz ao ouvir a oferta gentil. Mas ele, contrariando o conselho dela, saiu da cama. Era incômodo, mas não queria mandar uma garota tão nova de volta sozinha na escuridão. A dor era suportável por enquanto, embora uma onda de tontura o atingira no momento em que se levantou.
“Eu vou ficar bem. De verdade.”—disse Aran.
“Mostre o caminho.”— ordenou Enoch de forma seca, ignorando as palavras dela.
Diante daquela atitude estranhamente autoritária, Aran deu um passo à frente, observando a expressão dele. Enoch a seguiu.
A noite estava profunda e não havia ninguém por perto. Ocasionalmente, guardas em serviço noturno patrulhavam a área, mas toda vez Aran encontrava um jeito de não cruzar com eles, como um fantasma. Parecia que havia mais vezes do que Enoch conseguia contar em que ela escapava assim durante a noite.
“Hum… agora vamos passar por este caminho.”