As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 47
────────∘⊰⋅⋅⋅⋆
Tradução: Gab
───────────┘
No escuro, alguém estava sentado ao lado de sua cama. Quando Enoch ergueu a mão instintivamente para tocar o próprio rosto, algo úmido e frio caiu ao lado de sua cabeça. Era uma toalha molhada.
“Ah… ah… você acordou?”— Ele reconheceu a voz da princesa. Seus olhos tremularam. Ela parecia surpresa. Enoch suspirou, sem esconder o cansaço.
“O que está fazendo aqui, princesa?”
“Ouvi dizer que estava doente… vim pois fiquei preocupada.”
“Por que não me acordou?”
“Para você poder descansar.”
Ela estava cautelosa com os olhares alheios, por isso veio à noite, como uma ladra. Enoch conseguiu se sentar com um gemido e acender a lâmpada.
“Não se levante… eu faço isso…”— Aran murmurou.
“Quando você chegou?”— Enoch perguntou, ignorando as palavras dela.
“Há um tempinho. Bem, eu trouxe um pouco de comida porque não sabia se você tinha jantado.”
Aran se remexeu e tirou uma sopa cheia de carne, pão macio e frutas. Ao contrário do que dissera, de que havia acabado de chegar, a sopa estava fria. Aran pareceu constrangida quando ele percebeu.
“Por que esfriou tão rápido? Vou trazer outra.”— Sob a luz da lâmpada, o rosto dela estava visivelmente corado.
“Não precisa. Deixe aí e eu como depois.”
“Trouxe um remédio também, então tome depois da refeição.”
“Vossa Alteza.”
“Hm?”
Ao ver o rosto inocente dela, o coração dele apertou levemente. Em breve ela completaria quinze anos. Ainda assim, ela não estava sendo cuidadosa, e ele precisava apontar isso.
“Não é prudente entrar sozinha no meu quarto à noite, Vossa Alteza.”
“Mas o que eu poderia fazer, se não consegui evitar?”
“Você deveria ter mandado outra pessoa.”
“Está com medo de que alguém tenha me visto? Não contei a ninguém e vim em segredo. Não se preocupe. Sou boa com janelas. Na verdade, no dia em que o vi pela primeira vez, escapei pela janela.”— Aran tentou tranquilizá-lo, animada. Enoch não sabia por onde começar. Não entendia o que os tutores particulares e as criadas da princesa estavam fazendo para deixá-la assim.
“Esse é um problema secundário. E se eu fizesse algo com você? Deveria ter trazido um guarda ou uma criada.”
Aran inclinou a cabeça.
“Hã? Por que eu precisaria?”
Achando que seria mais rápido dizer claramente uma vez do que rodear o assunto cem vezes, Enoch segurou suavemente os ombros dela e a puxou para mais perto. Aran se deixou conduzir sem resistência. O rosto, já ruborizado, ficou ainda mais quente à medida que se aproximava do dele.
“Você precisa tomar cuidado com os homens, Vossa Alteza. Há muitos homens neste mundo ansiosos para seduzir a princesa, que já está quase em idade de se casar.”
“Inclusive eu.”— Enoch não disse esse pensamento em voz alta. Ele não pretendia seduzi-la de forma consciente, mas também não se sentia bem em usá-la como bem entendesse.
Somente então Aran, compreendendo o que ele queria dizer, desviou o olhar, sem saber o que fazer.
“Ah, não… eu não quis invadir seu quarto desse jeito. Eu só estava preocupada com você, mas entrar assim não foi educado. Eu pretendia apenas abrir a porta um brevemente, e deixar a comida e o remédio.”
“Mas?”
“Mas aí eu entrei porque você estava gemendo.”
“Eu estava gemendo?”— Enoch franziu a testa. Ao que parece, a princesa mimada ouvira os sons de sua dor ecoando pelo quarto enquanto ele dormia profundamente. Ele se sentiu ofendido por ter sua fraqueza exposta daquela forma.
“Não é mentira. Não era a minha intenção inicial entrar escondida… e-eu estou falando sério.”