As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 44
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Tradução: Gab
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Enoch deduziu que ela devia estar com raiva, já que a princesa não disse nada. De qualquer forma, ele não queria ser vendido como escravo, então tentou se desculpar. Nesse momento, a princesa segurou a mão dele. Sua mão era pequena, mas macia e quente.
“Pode me dizer coisas piores. Eu ficarei feliz se isso fizer você se sentir melhor. Assim, pelo menos, serei um pouco útil.”— Com os olhos cheios de lágrimas, a princesa sorriu. Desta vez, Enoch ficou sem palavras. Ele quase se engasgou com o nível de estupidez dela. Chegou a pensar que queria vasculhar a cabecinha da Aran, mas, de algum modo, não conseguiu se desvencilhar daquela mão que o segurava gentilmente.
“É natural que você não consiga se importar com os sentimentos dos outros quando está passando por dificuldades e zangado com o mundo. Além disso, eu não estou com raiva nem cansada, mas tenho ignorado seus sentimentos. Já fiz algo terrível com você, então não precisa se sentir culpado.”
“Quem é que estava se sentindo culpado?”— pensou. Era tão estúpido que ele nem teve vontade de rir.
Aran enxugou as lágrimas com a manga e o conduziu até a mesa. Assim que o pequeno sino tocou, os criados apareceram com bandejas cheias de comida.
“Você não comeu, não é? Venha comer comigo.”
A mesa estava repleta de pratos gordurosos e luxuosos.
Enoch sentiu, tardiamente, uma fome voraz. O palácio imperial nunca foi mesquinho com seus funcionários, mas, à medida que o assédio se intensificava, tornava-se difícil para ele fazer uma refeição adequada. Enoch não podia se nutrir direito com comida misturada a lixo e pedras. Até então, tinha suportado graças à sua força física natural, mas até isso estava gradualmente chegando ao limite. Toda a comida na mesa era de seus pratos favoritos. Nem mesmo o paciente Enoch conseguia resistir a tamanha tentação.
“Venha e sente-se. Pedi para prepararem com cuidado, mas não sei se vai agradar ao seu paladar.”— Aran conduziu Enoch, que ainda permanecia imóvel, até uma cadeira. Então, sua mão roçou casualmente o estômago dele.
“Ugh…”— Como tinha baixado a guarda, Enoch deixou escapar um gemido pouco elegante.
“O que foi?”
“Não é… nada…”
Ele apressou-se em esconder o rosto, mas não conseguiu conter o suor frio que brotava em sua testa. Aran percebeu imediatamente seu mau estado.
“Você está com dor?”
“Não.”
“Deixe-me dar uma olhadinha.”— Enoch segurou a mão de Aran quando ela tentou levantar as suas roupas.
“Não posso acreditar que você levantaria as roupas de um homem em plena luz do dia. Se Sua Majestade souber disso, minha cabeça certamente vai rolar.”
“Não haverá problema se você não contar a ele. Solte-me.”— Aran falou com ele em um tom ríspido. Ainda assim, Enoch suspirou, sem soltar a sua mão.— “Embora eu prefira não fazer desse jeito, isto é uma ordem.”
Diante de tais palavras, Enoch lentamente soltou a mão dela. Aran retirou o casaco dele sem dizer nada. Logo depois, abriu a boca, atônita, ao ver as feridas que se revelaram.
“Ah…”
O corpo de Enoch estava coberto de hematomas roxos e negros e de feridas por onde quer que seus olhos passassem. Algumas mal tinham cicatrizado antes de serem cobertas por novas.
“N-não… como você…”— Claro, Aran jamais havia experienciado a violência. Por isso, o choque foi ainda maior, e lágrimas se acumularam em seus olhos.— “Quem… quem fez isso com você?”
“E isso importa?”
“Diga-me quem foi. Eu não deixarei que façam isso de novo.”— Aran sentia-se perdida, sem saber o que fazer. Ela jamais poderia imaginar que ele estava sendo tratado dessa forma por causa de como ela se agarrava a ele. Não tinha ideia da situação em que se encontrava o Grão-Duque caído.
Ela se ressentia de sua própria estupidez. Seu rosto queimou ao pensar em como ele devia ter rido por dentro quando ela disse que o protegeria e o faria feliz.
“Diga de uma vez.”
“Para quê? Irá matá-los?”