As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 43
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Tradução: Gab
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A princesa, que olhava pela janela, virou a cabeça. Os cabelos loiros muito claros brilhavam brancos sob o sol.
“Você chegou?”
Ele não conseguia ver bem o rosto dela por causa da luz, mas dava para perceber que ela o encarava diretamente.
“Desculpe chamá-lo tão de repente. Mas tenho algo para lhe dizer… poderia ouvir, se não se importar?”
“É claro. Você é minha mestra.”
Aran inclinou a cabeça. Parecia tentar avaliar se a resposta dele era sarcástica ou não. Enoch acabou rindo. O tempo que passara se perguntando se ela havia mudado de ideia tinha sido um desperdício. Ainda assim, como fazia tempo que não a via e como ela havia feito algo digno de agradecimento naquele dia, decidiu ser gentil com ela.
“Fui muito rude outro dia. Peço desculpas.”
“Hã? Ah… não. Desculpe-me. Eu não estava pensando direito.”—Aran deslizou até Enoch. Seus longos cabelos exalavam um perfume suave. Ela murmurou, olhando para o chão.
“Eu tenho pensado nisso.”
“Pensado em quê?”
“Em como mantê-lo perto sem deixá-lo desconfortável.”
Era um pensamento até louvável.
“E a que conclusão chegou?”
“Tenho vergonha, mas não cheguei a nenhuma. Acho que aquilo que o deixa desconfortável sou somente eu.”
Enoch corrigiu levemente a ideia de que a princesa era tola. Agora que ela conseguia enxergar isso, ele se sentiu estranhamente perdido.
“Então, o que pretende fazer?”
Aran cerrou o pequeno punho.— “Desculpe. Eu apenas decidi mantê-lo ao meu lado. E eu… eu… não consigo ficar sem você.”
“Haaa.”— Ele não esperava que ela chegasse a uma solução plausível em primeiro lugar, mas foi surpreendente ouvir uma resposta tão descarada.
“Eu sei que você não gosta de mim. Não precisa fingir que gosta. Só me deixe protegê-lo.”— Aran ergueu o olhar para Enoch, com os olhos bem abertos. Ele nunca tivera muito interesse na aparência da jovem princesa, mas os olhos verdes dela, quase verde-claro, de fato conferiam-lhe uma aura singular.
“E como pretende me proteger?”— Enoch perguntou, escondendo o deboche.
“Eu não vou deixar ninguém perturbá-lo. Eu irei… eu irei fazê-lo feliz.”
Era uma resposta irritantemente ingênua.
Enoch desistiu da intenção de ser gentil. Ela precisava encarar a realidade ao menos um pouco. A relação entre os dois já estava arruinada havia muito tempo, e ele decidiu ensinar a essa mulher ingênua que a princesa e seu servo — quem também era filho de um traidor— jamais poderiam ficar juntos.
“Felicidade. Sou capaz de senti-la? Com a filha do homem que matou os meus pais?”
Os olhos de Aran se arregalaram. Ele disse isso com uma frieza que fez o que dissera na visita anterior soar quase romântico. Enoch sempre fora gentil quando ainda era seu noivo, então ela jamais imaginara que fosse ele quem falaria de forma tão amarga. O que mais lhe apertou o coração, porém, foi o fato de que todas as palavras dele eram verdadeiras. Enoch sorriu ao olhar para o rosto paralisado de Aran.
“Você não precisa se sentir culpada. Se a traição dos meus pais tivesse sido bem-sucedida, quem teria perdido a cabeça seriam o imperador e a imperatriz. Eu também não poderia garantir a sua vida. Claro que eu não teria passado fome para salvá-la. Isso nem teria sido possível, para inicio de conversa.”
“…”— Aran não conseguiu falar, mas seus lábios tremiam. As sobrancelhas delicadas e os lábios adoráveis se distorceram, e ela estava à beira das lágrimas.
“Eu não teria nada a lhe dizer, mesmo se eu fosse vendido como escravo.”— Enoch, olhando para o rosto dela cheio de lágrimas, pensou que sempre acabava dizendo coisas cruéis quando estava com a princesa.
Era estranho. Havia muitos desgraçados ao seu redor que mereciam esse tipo de tratamento muito mais do que qualquer um. Mas ele não sabia por que só se sentia assim em relação à princesa. E ele ainda queria dizer-lhe mais coisas, ainda mais dolorosas e cruéis.