As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 39
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Tradução: Gab
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“Pai, você escondeu a minha espada de madeira?”
O imperador respondeu naturalmente à filha.— “Espada de madeira? Que espada? Você tinha uma espada de madeira?”
“Não finja que não sabe. Eu sei que foi você quem a pegou quando veio ao meu quarto anteontem. Enquanto eu dormia!”— Aran não conseguiu conter a raiva e caiu em lágrimas. O Imperador olhou para a filha com uma expressão aflita e a sentou em seu colo, acalmando-a com carinho.
“Não chore. Decidi ensinar-lhe a espada de forma adequada no seu aniversário. Espere só mais um pouco.”
“No meu aniversário, o senhor adiará de novo usando a minha enfermidade como desculpa.”— Disse Aran, sem sequer olhar para o ele.— “Por que não me deixa aprender nada? Meus irmãos estudam e treinam esgrima com tanto empenho. Por que só eu…? Eu sou a mais tola deste palácio.”
“Haha, se existir no mundo outro tolo que consiga controlar o Imperador como você, que se manifeste logo.”
“Isso é porque o senhor me ama. Ser amada é completamente diferente de não ser tola.”
O imperador suspirou. Sua filha era apenas imatura, não uma tola.
Ele conhecia o destino dos membros da família Imperial que não conseguiam ascender ao trono, mas possuíam talentos excepcionais, e por isso deliberadamente não ensinava nada à princesa. A princesa, que não conhecia os pensamentos íntimos do pai, sempre desejava apenas aquilo que ele não podia lhe conceder. Se quisesse vestidos, joias ou até uma mansão luxuosa, ele teria permitido que seu guarda-roupa transbordasse.
“Seus irmãos, na verdade, não querem estudar nem aprender esgrima, por isso vivem aprontando, mas, ao contrário deles, você está sempre ferindo o coração do seu pai.”
“Então atenda ao meu pedido, assim seu coração não doerá.”
“Você sabe o quão difícil é estudar e praticar esgrima? Provavelmente não aguentaria e desistiria depois de alguns dias.”
“Não é tarde demais para eu mesma julgar isso depois de começar. Eu também quero cumprir a minha parte.”
O imperador acariciou os longos cabelos da Aran.
“Você já cumpriu a sua parte apenas por ter nascido. Não trouxe alegria ao seu pai, à sua mãe e a toda a nação? É algo que seus irmãos jamais poderiam fazer. A propósito, você ouviu? Ultimamente está na moda pendurar seus retratos em todas as casas.”
“…Quer dizer que eu não valho nada se não lhe der alegria? Então qual é a diferença entre mim e um bobo da corte?”
Percebendo que chegara o momento em que sua retórica já não convenceria mais a princesa, o imperador suspirou, entristecido.
“Aran, eu queria mostrar-lhe meu coração. Se você pudesse compreender meus sentimentos, eu ficaria feliz em fazê-lo. A razão de eu não lhe conceder esse direito é que há muitas obrigações que viriam depois. Você é fraca e delicada demais para suportá-las.”
“…”— Aran não compreendeu plenamente as palavras do pai e imperador, mas conseguiu sentir a tristeza dele. Por isso, conteve o que queria dizer.
“Você não consegue simplesmente viver feliz, sem direitos nem obrigações? É apenas isso que eu desejo. Se, por acaso, no futuro o céu e a terra se inverterem e você se tornar a Imperatriz Regente, então admitirei que este seu pai estava errado.”
Mais tarde, o céu e a terra realmente se inverteram, e Aran tornou-se a primeira Imperatriz Regente do império. Mas seu pai, que deveria admitir o erro, já havia falecido.
“Pai.”— Aran chorou, mesmo sabendo que aquilo era um sonho. Finalmente, ela compreendeu o que ele quis dizer. Se pudesse voltar àquele tempo, desejava permanecer como uma adorável boba da corte, que nada sabia e nada podia fazer sobre aquilo que queria.
Alguém a envolveu em um abraço apertado enquanto ela soluçava com a voz trêmula. Uma mão grande afagou a sua cabeça. De alguma forma, isso a fez chorar ainda mais. Aran se aninhou contra um peito largo e acolhedor. Ela adormeceu novamente, e seus sonhos continuaram.