As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 36
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Tradução: Gab
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Enoch sabia que estava forçando a situação. Aran não estava disposta a prosseguir com aquele ato carnal a menos que fosse encurralada. Ela parecia assustada. Profundamente.
Mas, de alguma forma, isso pouco importava para ele. Sua raiva, fosse qual fosse a origem, não diminuía. O rosto de Aran quando ela olhava para o Duque Sylas permanecia em sua memória. Não, pensando melhor, ele não conseguia se lembrar de nada além da expressão que ela mostrava diante dos outros.
Havia uma fúria anormal fervendo dentro dele, e ele não sabia o motivo. Achava que tinha muito a ver com desejo de posse e obsessão. Aran era uma joia preciosa, uma mulher bela como nenhuma outra, alguém que jamais poderia ser comparada às demais, e ele não tinha intenção alguma de dividi-la com ninguém. Não precisava de outras mulheres além dela. Ela lhe pertencia.
Enoch roçou o dedo na entrada quente e úmida dela. Por mais preciosa que fosse, brinquedos ainda eram brinquedos. Era natural que fizesse o que quisesse.
“E-eu não quero fazer assim… eu odeio esse tipo de coisa.”— Aran disse com a voz rouca.
“Então me diga aquilo que quer. Sempre diz não, mas está molhada aqui embaixo. É difícil acreditar em você.”
“…”
Aran não conseguiu responder. Aquilo era uma relação unilateral, e ela não sabia o que queria daquela ligação, mas sabia o que não queria. Não era isso. Não desse jeito.
Enoch desamarrou o pulso que estava preso, soltando o tecido que havia sido usado para amarrá-la à estrutura da cama. Ela se assustou, mas ele rapidamente voltou a segurá-la com força.
“E assim?”
“O-o que você vai fazer…? Desamarre logo…”— A voz dela vacilava, corroída pela ansiedade. A venda que cobria seus olhos era espessa. Não importava o quão forte fosse a luz da lâmpada, ela não conseguia enxergar nada.
“Eu apenas cobri os seus olhos. Não precisa tremer desse jeito. Você parece assustada. Mais do que um pássaro selvagem.”— Ele estalou a língua e abaixou a cabeça até a nuca dela. Os nervos de Aran se retesaram. Ela sentiu a respiração dele roçar sua pele, provocando arrepios ao longo da espinha.
Aran tentou se acalmar com respirações lentas e profundas, mas a ansiedade não diminuía ao pensar no que Enoch poderia fazer. Sempre fora assim com ele. Naquele momento, não havia nada que pudesse fazer além de respirar. Ela concentrou toda a atenção em Enoch. Sentiu-o estender um braço, mantendo-a presa. Ouviu sons de objetos sendo mexidos, como se ele estivesse procurando algo sobre a mesa.
“O que era? O que ele estava planejando?”
Fosse o que fosse, não seria algo a seu favor. Enoch pairou sobre ela enquanto Aran prendia a respiração. Ele não pressionava o peso do corpo contra o dela, mas era como se uma força invisível a esmagasse.
Ele acariciou a cabeça de Aran e murmurou suavemente: —“Você deve ter percebido que eu não estou bem. Acho que me sentirei muito melhor quando ouvi-la gemer, quando vê-la sentindo prazer. Não tente resistir ou se conter.”
“B-bem… isso…”— Era impossível, não importava quantas vezes ela pensasse a respeito.
“Não é difícil, não é mesmo? Basta se soltar e aproveitar.”
Aran não conseguiu responder.
“Por que envergonha-se tanto por estar em meus braços?”— A voz dele ficou fria.
“Se os outros ouvirem…”
“São apenas criadas.”— Enoch respondeu.
Eram criadas. Isso era verdade. Enoch estava certo. Ainda assim, Aran sentia vergonha de se agarrar a ele, de sentir prazer em suas mãos, de se permitir perder o controle.
A mão que acariciava a sua cabeça se afastou.
“Cobri seus olhos, então imagine que está abraçando o Duque, não a mim. Não, pensando bem, tive uma ideia melhor. Por que não o chama aqui e aproveitam juntos? Eu não gosto que outros a olhem, mas acho que você não se importaria.”
“Não, não faça isso. Eu… eu farei o que você mandar…”