As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 32
────────∘⊰⋅⋅⋅⋆
Tradução: Gab
───────────┘
Aran, com os olhos turvos de surpresa, percebeu que os lábios de um homem estavam plantados nos seus. Lutou sem trégua, incapaz de emitir qualquer som por causa da língua desconhecida que se remexia dentro de sua boca.
Em um instante, em um piscar de olhos, foi arrastada para um canto.
Aran agarrou os cabelos da figura desconhecida e arranhou-lhe o rosto com a mão livre, enquanto o estranho a apertava com força contra si, limitando os seus movimentos. Sentia-se sufocada, esmagada, e instintivamente entreabriu mais os lábios para deixar o ar entrar. No entanto, aquele homem… aquela figura desconhecida empurrou a língua ainda mais fundo em sua boca ao mesmo tempo em que erguia a bainha de seu vestido.
Logo, sem que percebesse, suas costas tocaram a grama.
O homem pairou sobre ela e imobilizou-lhe braços e pernas, impedindo qualquer possibilidade de fuga. A bainha do vestido subiu até a cintura, expondo suas pernas lisas. O vento fresco soprou e roçou sua pele.
“Como ousa…”— Sentiu raiva… raiva por não conseguir deter aquele agressor e arrependimento por não ter trazido uma escolta ou guarda consigo, achando que seria incômodo. Jamais imaginara que terminaria metida naquela situação, especialmente ali.
Uma voz ecoou, chamando seu nome como quem procurava a Imperatriz. Estava a uma distância em que bastaria um mínimo de atenção para notarem imediatamente sua presença. Aran tentou produzir algum som, de qualquer maneira, mas seus lábios estavam bloqueados e só conseguiu emitir um suave ronronar nasal, semelhante ao das mulheres que pouco antes saíam para encontros secretos e prazerosos com seus amantes.
Interpretando o som como algum tipo de preliminar, o criado que a procurava virou-se imediatamente e se afastou. Somente quando a presença do criado desapareceu por completo foi que o homem afastou os lábios dos dela.
Aran fitou com fúria o homem oculto na escuridão. Ele baixou os olhos para ela. Na penumbra densa, a governante não conseguia distinguir seus traços nem sua expressão. Enquanto isso, a mão do homem deslizou por suas coxas, acariciando lentamente.
Aran rangeu os dentes e o advertiu em voz baixa, digna e contida.—“Como ousa tentar oprimir uma mulher sob o véu da penumbra? Não conhece honra alguma?”
A mão que tocava a sua pele macia e suave deteve-se, como se a ameaça tivesse surtido efeito. Aran sentiu alívio interior e tentou empurrá-lo. No entanto, o homem não permaneceu imóvel por muito tempo. Pelo contrário, sua mão serpenteou mais fundo entre as suas coxas, afastou a calcinha para o lado e tocou as dobras de sua boceta. Aran engoliu em seco um suspiro agudo e agarrou o braço dele.
“O-o que está fazendo…?!”
O homem ignorou a sua resistência e estendeu o dedo até tocar seu clitóris. Um toque lento, quase automático, brincando com a área carnuda, esfregando-a para frente e para trás.
“Q-quem pensa que eu sou?! Se não parar, enfrentará um castigo além de seu conhecimento e terrível!”— Aran disse, esforçando-se ao máximo para escapar. Mas era inútil. Ele era mais forte que ela e a mulher se sentia fraca.
O homem fingiu não ouvir.
Aran tentou gritar com toda a força quando percebeu que não conseguia compreendê-lo e que não poderia se livrar daquilo com palavras. Nesse exato momento, seus lábios foram invadidos novamente e uma mão deslizou para o seu interior.
“!”
Uma substância estranha e dolorosa penetrou-a de repente, sem cerimônias. Mais do que isso, recebeu um choque mental muito maior. O homem cutucava sua carne sem a sua permissão. Lágrimas escorreram com dor e vergonha. Estava impotente para fazer qualquer coisa. Além disso, ele parecia ainda mais excitado ao vê-la expressar dor. Apenas pensar nisso, fez uma vergonha abissal a invadir.
Logo o dedo do homem roçou seu ponto fraco e Aran reagiu. Seu corpo começou lentamente a se aquecer e a própria ideia a aterrorizou. Estava apavorada. Contorceu-se querendo escapar, mas cada esforço apenas estreitava ainda mais o aperto do homem sobre ela. E, devagar, seu corpo respondeu ao movimento constante e firme da mão dele, arrastando-a para uma sensação terrível que ela não desejava.
Quando os lábios dele se afastaram dos dela e ele olhou para Aran, somente então revelou, tardiamente, sua identidade.