As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 31
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Tradução: Gab
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Aran encarou os olhos azuis do Duque Sylas e respondeu com um tom amargo. — “Então teria sido melhor eu me tornar uma revolucionária. Pelo menos teria servido de inspiração para alguém.”
O Duque Sylas inclinou a cabeça diante de suas palavras.—“Por que diz isso, Vossa Majestade? O Grão-Duque não é como um membro do seu próprio corpo? Enquanto a lealdade dele para com a senhora permanecer firme, não há nada que não possa ser alcançado.”
A Imperatriz Regente tendia a subestimar a si mesma em excesso, mas, aos olhos do Duque, ela era deveras racional e possuía um julgamento sensato. O grande problema era que não tinha uma opinião elevada de si mesma. Se tivesse ascendido ao trono de maneira normal, teria sido uma grande monarca. Era isso que o Duque pensava.
Por um instante, Aran cambaleou. Felizmente, o Sylas apoiou firmemente suas costas. Ela ficou tensa. A pequena curva de suas costas e cintura podia ser sentida sob a palma da mão dele.
Aran, que logo retomou o centro da dança, respondeu com calma.— “Mas a autoridade dele não é minha, é?”
Como sempre, a Imperatriz era sensível quando o assunto envolvia o Grão-Duque.
“Vossa Majestade, o Grão-Duque a deixa desconfortável?”— O Duque Sylas fez uma pergunta que o intrigava havia muito tempo.
Ele não acreditaria nisso nem mesmo se os costumes afirmassem que ela acolhia o Grão-Duque calorosamente. Embora o Grão-Duque tivesse matado brutalmente o falecido Imperador, aquilo era compreensível. Esse era o caminho da política e do poder.
Se as coisas tivessem sido diferentes, o Duque acreditava que Aran teria sido uma grande Imperatriz. Considerando o ambiente em que crescera, ela provavelmente jamais imaginou que seu próprio sangue a venderia como se fosse uma simples prostituta. O próprio irmão tentou vendê-la ao velho Marquês Maxwell para satisfazer os seus interesses pessoais.
O Marquês Maxwell era um homem rico, embora tivesse o péssimo hábito de trocar de esposa com frequência. Se o Duque estivesse no lugar dela, teria assassinado o irmão muito antes de o Grão-Duque tomar qualquer atitude.
A Imperatriz Regente baixou o olhar.— “Fingirei não ter ouvido a pergunta de agora. Eu me diverti muito. Obrigada, Duque.”
Assim como ele vira no gabinete, frieza e um cansaço profundo surgiram em seu delicado rosto. O Sylas percebeu seu erro e tentou se desculpar, mas Aran soltou a mão dele. Ao mesmo tempo, a música chegou ao fim.
O Duque Sylas pediu-a para que dançasse mais uma vez, porém ela recusou. Aran voltou ao seu lugar e saciou a garganta seca com um copo de água. Ela sabia que expressar em voz alta suas opiniões pessoais sobre Enoch, em sua posição oficial, era inadequado. Ainda assim, sempre que via o rosto dele ou mesmo apenas ouvia seu nome, uma mistura complexa de emoções a invadia.
Depois de pousar o copo, Aran levantou-se silenciosamente e seguiu em direção ao jardim deserto. Precisava de ar fresco, e tinha certeza de que Enoch não perceberia a sua ausência. Ele estava ocupado demais. Além disso, por um tempo, dificilmente alguém notaria que ela havia saído. Porém, escolher o jardim não foi a melhor decisão. Os amantes que haviam deixado seus lugares antes de Aran cochichavam palavras de amor entre as árvores e flores. O galanteio do homem e os gemidos da mulher podiam ser ouvidos por toda parte.
O servo que a acompanhava também ficou constrangido. Ele não sabia se deveria expulsar os amantes semidespidos ou afastá-los discretamente informando que a Imperatriz estava ali. Aran levou o dedo aos lábios, sinalizando silêncio ao servo, e apressou-se em se afastar antes que os amantes percebessem a sua presença. Era cem vezes melhor voltar ao salão do banquete e se sentar do que ouvir aquelas vozes excitadas.
Aran, que mal conseguia enxergar na escuridão da noite, seguiu o servo com os olhos semicerrados. Quando se aproximava do salão do banquete, uma mão a puxou repentinamente para a escuridão e apertou a sua cintura com força. Um calor quente e intenso cobriu seus lábios no momento em que ela ia gritar de surpresa.
“!”