As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 29
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Tradução: Gab
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“Está pensando em dançar mais um pouco?”— Uma mulher de posição elevadíssima dirigiu-se a Enoch.
“Acho que seria meio difícil dançar, estou bêbado demais.”— Ele recusou o convite mostrando a taça de vinho vazia.
“Mas o senhor não parece bêbado.”
“Não devo demonstrar sinais de embriaguez diante da Imperatriz. Se tiver oportunidade, na próxima vez serei eu a convidá-la para dançar.”
A mulher ficou desapontada, mas não se sentiu nem um pouco ofendida pela cortesia de Enoch. Aran invejou as mulheres que ele rejeitava. Ela desejava que também pudesse ver apenas aquele lado belo e educado dele — e não o demônio escondido dentro de sua jaula.
“No que está pensando?”— Enoch perguntou ao notar Aran observando as damas nobres.
“Nada.”— Aran evitou seu olhar.
“Quer dançar com elas?”— Enoch perguntou novamente.
Aran piscou, constrangida. Felizmente, o salão de banquetes estava barulhento, e os aristocratas pareceram não ter ouvido a pergunta.
“Isso não é da conta do Grão-Duque.”
“A senhora não me odeia por eu conversar com aquelas mulheres?”— Enoch inclinou-se em sua direção e sussurrou de forma provocadora.
“…”
O que ele disse era verdade.
No passado, Aran era tomada por um ciúme ardente ao ver Enoch conversando com outra mulher ou sequer trocando olhares com alguma.
Naquele tempo, ela não conseguia comer nem dormir. Mesmo assim, ela não podia se permitir demonstrar seus sentimentos. Enoch não gostava de mulheres inconvenientes. Ele sempre fora educado com Aran, mas, às vezes, o coração dela afundava ao ver aqueles olhos vermelhos carregados de uma irritação invisível.
Por que ele estava trazendo esse assunto agora?
“Eu era jovem e imatura naquela época. Embora seja um pouco tarde agora, peço desculpas.”
“Não precisa se desculpar.”
Num gesto levemente irritante, Enoch chamou o criado para encher a taça vazia com vinho.
Aran observou seu belo perfil.
Ele parecia irritado, sem dúvida, mas ela não sabia o motivo. Mesmo que a situação mudasse, não conseguiria compreendê-lo e tampouco tinha coragem de perguntar. Tudo o que Aran podia fazer em momentos assim era permanecer imóvel.
O olhar de dela desceu por seu pescoço e ombros, até a mão esquerda que segurava a taça de vinho. Não havia nada em seu dedo anelar. Aqueles dedos vazios a incomodaram, talvez por lhe lembrar da tradição. Assim como a família Imperial, os aristocratas de alta posição costumavam se casar cedo. Aran se perguntou por que Enoch ainda não havia escolhido uma parceira. Ela também não sabia se ele estava se envolvendo com alguém.
A Casa de Roark era famosa por sua tradição de guerreiros habilidosos. Enoch era o único filho daquela casa. O falecido Grão-Duque não queria que seu filho se casasse com Aran, que era frágil. Agora que ele não era mais o noivo da Imperatriz, podia ter qualquer mulher que desejasse.
De alguma forma, ela começou a imaginar como Enoch trataria sua esposa. Ele seria dominador como era com ela, ou gentil como fora com aquelas damas nobres há pouco? Se ele tivesse uma esposa, ele não olharia mais para ela, certo…?
De repente, sentiu algo estranho. Não sabia exatamente o que era, mas havia algo estranho dentro de si.
Enoch, percebendo o olhar de Aran, voltou-se para ela.—“Há algo que queira dizer?”
“Por que o senhor…”
Aran, que estava prestes a perguntar por que ele ainda não havia se casado, fechou a boca rapidamente. Seria constrangedor fazer uma pergunta dessas. Eles haviam passado inúmeras noites juntos, mas nunca haviam compartilhado assuntos pessoais.
“Nada.”
Sim… agora não era o momento de se preocupar com o casamento dele.
Aran baixou o olhar para seu braço magro, tomada por um leve sentimento melancólico. Algum dia, se não agora, ela teria de cumprir o seu dever e gerar um filho como sucessor. Sua menstruação não vinha havia muito tempo, e era duvidoso se ela conseguiria engravidar com um corpo tão frágil.
A discussão entre o Grão-Duque e o Duque Heston naquele dia terminou em um pequeno tumulto, porém, no futuro, a pressão por sucessão e casamento continuaria de forma implacável. Estava claro que a sua posição enfraqueceria se o futuro consorte imperial descobrisse que ela era incapaz de gerar um filho.
Aran pensou que, se a vida fosse como um conto de fadas, gostaria de dar à luz uma criança.
Não… Aran descartou o pensamento.
Mesmo que milagrosamente tivesse um filho, ela não sabia o que seria daquela criança. Seria como ela? Fraca de corpo e de espírito? Não… Aran não queria que seu filho passasse pelo mesmo que ela. Apesar de a Imperatriz Regente estar sentada bem ao lado de Enoch, os aristocratas, ignorando-a, estavam ocupados bajulando o Grão-Duque. Era uma grande falta de respeito ignorá-la, mas ninguém apontou isso.
Assim, o equilíbrio de poder entre a Imperatriz e o Grão-Duque pendia cada vez mais.
“A senhora parece estar desocupada.”— Aran estava tão absorta em seus pensamentos que não percebeu alguém se dirigindo a ela.— “Vossa Majestade?”