As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 28
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Tradução: Gab
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O Duque Heston sentia-se um tanto inquieto. Ele não temia o Grão-Duque. Chegara até a visitar recentemente uma agência de espionagem para uma auditoria, mas sua tentativa de monopolizar a Imperatriz havia sido distorcida.
Ainda acredita que é o noivo de Sua Majestade, pensou o Duque.
Ele acreditava que Enoch era responsável por oitenta por cento do fracasso da Imperatriz Regente em se casar. Não era estranho que circulassem rumores sobre a Majestade e o Grão-Duque — ambos em seu auge, solteiros, e ainda nutrindo o afeto do passado.
A atitude do Grão-Duque, sempre tão próximo da Imperatriz, também alimentava inúmeros boatos.
Mas aqueles que observavam os dois de perto sabiam que tudo isso era absurdo. A Imperatriz Regente era fria com o Grão-Duque, e era o próprio quem demonstrava, de forma evidente, guardar afeto apenas por ela.
O Duque Heston não conseguia compreender por que o Grão-Duque permanecia ao lado da Imperatriz, chamando-se a si mesmo de seu cão leal. A Regente sequer tinha um osso decente de lealdade para lhe atirar. Uma coisa era certa: o Grão-Duque não traria nada de bom para os planos do Duque Heston. Ele ambicionava colocar seu filho no trono como Imperador. A Imperatriz, fraca e dócil, era a peça perfeita para ser manipulada em suas mãos. O caminho seria acidentado, mas o Duque Heston confiava em seus planos.
“Ainda não é tarde, então por que não começa a considerar candidatos adequados como seu parceiro, Vossa Majestade?”
“Pare de falar sobre esse assunto, Duque”— Enoch cuspiu friamente.
O rosto já ruborizado do Duque Heston tornou-se vermelho vivo.— “O quê?”
“Eu não pretendia dizer isso, mas parece que o senhor não conhece o seu lugar. Sua Majestade é a minha governante, deste baile e do Império — não uma simples semente destinada apenas a dar à luz. Ah, mas se ela vier a ter um filho, certamente o parceiro não será da Casa Heston.”
O ar ao redor esfriou.
Diante das palavras selvagens e descaradas de Enoch, as palavras sumiram da cabeça da Aran. Quando estavam sozinhos, ela sabia que Enoch desprezava os aristocratas em cargos oficiais e despejava todo tipo de palavrões, mas em público ele sempre preservava as boas maneiras.
O que ele estava fazendo agora?
O rosto do Duque Heston parecia prestes a explodir.— “O Grão-Duque não está sendo um pouco indecoroso? Como ousa me criticar por fazer uma sugestão?! Como ousa usar palavras tão vulgares…”
“Falo assim porque enxergo através do senhor.”— Enoch continuou, sem se dar ao trabalho de esconder o escárnio.— “Como o senhor mesmo disse, Sua Majestade é uma mulher, não um homem, então por que não encontra outra pessoa para dar um descendente ao seu filho, sem envolvê-la?”
“O… o quê?”
“Grão-Duque…”— Surpresa, Aran agarrou instintivamente o braço de Enoch, mas ele não demonstrou intenção de parar.
“Está sugerindo que coloquemos um filho ilegítimo no trono? Ignorando a legitimidade da história de seiscentos anos da família Imperial, não acredito que tenha princípios diferentes!”— protestou o Duque Heston em voz alta.
“Estou apenas dizendo a verdade. Seja o filho ilegítimo ou não, seja o pai de alta ou baixa posição, seja ele um simples plebeu, nada disso importa. Quem quer que Sua Majestade escolha não importa. O que o senhor está tramando? E quem, neste mundo, teria mais legitimidade do que uma criança nascida do ventre da Imperatriz Regente?”
O Duque Heston fechou a boca. Pensou em como refutar as palavras do Grão-Duque, mas não encontrou resposta. Negar a legitimidade de alguém gerado pela Imperatriz seria o mesmo que insultar a família Imperial.
“Basta. Os dois”— disse Aran.
Por fim, ela não conseguiu mais suportar a cena e interveio entre os dois homens. Exceto por Enoch, ela não tinha experiência alguma com homens e sentia-se confusa e envergonhada com um tema que a deixava desnorteada.
“Ainda há muito a ser feito em relação aos assuntos do Império. Ascendi ao trono há pouco tempo. É melhor discutirmos parceiro e sucessão depois que a situação política estiver estabilizada”— disse Aran, com calma.
“Sim, perdoe-me”— Enoch inclinou a cabeça.
“Eu também fui precipitado. Saiba que não tive outras intenções ocultas, Vossa Majestade”— o Duque Heston pediu desculpas a contragosto.
“Eu entendo.”
Naturalmente, Aran não acreditava nisso, mas aceitou o pedido de desculpas para conter rapidamente a situação fervente. Ainda assim, o clima frio não se dissipou com facilidade.
O Duque cerrou os dentes em silêncio e lançou um olhar feroz ao Grão-Duque. A governante hesitara ao falar sobre sucessão. Um pequeno empurrão talvez tivesse levado a um encontro com seu filho… mas o Grão-Duque interferira. Agora, a garantia de que a Imperatriz ouviria sua súplica havia desaparecido.
Enoch ignorou o olhar ardente do Duque Heston, enquanto Aran, nervosa, pegou uma taça de vinho e deu um gole. Enoch franziu a testa, ciente de que ela tinha pouca tolerância ao álcool.
“Essas coisas aconteceram apenas por excesso de lealdade, então não se preocupe. Hoje é um bom dia, aproveite como desejar.”— Aran forçou um sorriso brilhante para aliviar a atmosfera constrangedora.
Enoch olhou para ela de maneira estranha.
Enquanto isso, algumas almas corajosas se aproximaram dele, enquanto o Duque Heston, com o rosto endurecido, se afastava, ainda lançando olhares hostis ao Grão-Duque.