As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 22
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Tradução: Gab
Revisão: Gab
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Depois que o Duque se retirou, Aran permaneceu com a mente em tumulto. Enoch dissera que apoiaria a vontade dela, e não eram muitos os que a contrariavam abertamente, mas alguns dos aristocratas de mais alta patente estavam decididos a criar problemas.
A regente suspirou e examinou os documentos que o Duque Sylas lhe deixara.
Clared Changeback, Duque Heston, Marquês Bjorn…
Os nomes ali listados pertenciam à aristocracia mais poderosa. Aran esfregou as têmporas e separou mentalmente aqueles que poderiam ser persuadidos daqueles que lhe trariam grandes dificuldades.
Clared Changeback era alguém que ela podia convencer e trazer para o seu lado. Conhecia-o desde a infância, e o falecido Imperador ajudara seu pai inúmeras vezes. Valia a pena o esforço para mudar sua opinião. O Duque Heston buscava uma parceira de casamento para o seu sucessor. Havia margem para conciliação, desde que ela lhe apresentasse uma casa adequada e estável.
E…
O semblante de Aran ficou sombrio ao ver o nome do Marquês Bjorn na lista. Ele era duro, cruel e difícil de lidar. Não nutria antipatia por ela, mas, ainda assim, era um adversário formidável. O Duque Sylas concordara em tentar persuadi-lo, porém até ele se mostrara cético quanto ao resultado. Não sabia o quão eficaz seria o plano. Se não conseguisse mudar a opinião do Marquês Bjorn, seus planos iriam por água abaixo. A única razão pela qual a aristocracia aceitava sua vontade era o poder do Grão-Duque, do qual ela se valia. Eles aceitavam prontamente a vontade de Enoch, mas isso não significava que não reagiriam depois.
Aran baixou os olhos para a própria palma e mordeu o lábio, como um mau hábito. Ainda sentia a ardência na mão.
Ele estaria zangado? Reverteria sua decisão?
Aran sabia muito bem… sem ele, não passava de uma Imperatriz Regente frágil. Sua posição era precária. Ela o desprezava, o odiava do fundo da alma, e ainda assim não tinha escolha senão depender dele.
Com o coração pesado, a Aran escreveu cartas para Clared Changeback e para o Duque Heston. Era exagerado que uma Imperatriz enviasse cartas pessoais na esperança de mudar a opinião de nobres, mas… ela estava sem saída e não sabia o que mais poderia fazer.
Ao terminar as duas cartas, colocou-as de lado e puxou outra folha. As anteriores já haviam sido difíceis, mas esta — esta a paralisou.
No fim, ela não conseguiu escrever ao Marquês Bjorn.
Sabia que não poderia evitar o confronto com ele para sempre. Ainda assim, sua mente lhe dizia para afastar-se enquanto fosse possível. Esperava que o Duque Sylas fosse capaz de persuadi-lo. A primeira pessoa a responder à carta da Imperatriz foi Clared Changeback. Ele expressou o desejo de visitá-la e trocar opiniões assim que encontrasse tempo.
O rosto abatido de Aran iluminou-se após muito tempo ao receber uma resposta positiva que não esperava. Embora agora estivessem afastados, haviam sido amigos no passado. Seria mais fácil lidar com o Marquês Bjorn se conseguisse mudar a opinião de Clared Changeback. Talvez pudesse resolver tudo sem recorrer ao poder de Enoch. A face de Aran, ao lembrar-se daquele homem, tornou a ficar sombria. Não o via desde aquele dia. A princípio, sentira-se aliviada por ele não ter aparecido diante dela, porém, à medida que os dias passavam e se alongavam, o dito cujo não a visitara sequer uma vez, e a inquietação começou a crescer.
As coisas haviam mudado desde o primeiro encontro. No início, fora ela quem tomara a iniciativa, sempre ansiosa por vê-lo, por contemplar o seu rosto. Um grande vazio se abria em seu coração sempre que ele não estava por perto. Sobretudo, quando ele ainda era um servo. Vivendo sempre em tensão, sempre com medo, sempre estressado. Sua vida fora virada de cabeça para baixo. Pensar nisso partia Aran, e ela não conseguia fazer outra coisa senão abandonar o orgulho e abraçá-lo com força.
Mas tudo mudara desde o Casamento Sangrento. Talvez Enoch esperasse vê-la implorar e agarrar-se a ele de forma desesperada, como antes. Ao pensar nisso, uma súbita sensação de perda tomou conta dela. Jamais imaginara uma vida sem ele. Amara-o ternamente quando jovens, e agora, mesmo odiando-o, era incapaz de fazer qualquer coisa sem sua presença.
Ela soltou um suspiro confuso e carregado de sentimentos. O Marquês Bjorn não era nada se comparado a Enoch. Ainda assim, seria melhor lidar pessoalmente com o ele do que pedir ajuda a Enoch.
Absorvida por suas preocupações, Aran encerrou o dia mais tarde do que o habitual e retornou a seus aposentos com passos carregados. Colocou a carta de Clared Changeback sobre a mesa e retirou o vestido pesado. Vestida apenas com camadas finas, recusou-se a permitir que a criada a acompanhasse e dirigiu-se sozinha ao banheiro. Apenas quando ficou a sós retirou a roupa íntima.
Desde o Casamento Sangrento, nunca mais se despira diante de ninguém além de Enoch. Por mais habilidosa que fosse a criada, Aran sentia vergonha de expor o corpo maculado diante de outros após suas relações com seu ex-noivo. O hábito persistia mesmo quando as marcas arroxeadas já não eram visíveis.
Aran mergulhou o corpo na água quente da banheira sem hesitar. Ao contrário de sua mente atormentada, o corpo logo se aqueceu.
Em pouco tempo o sono a envolveu e a escuridão veio.