A Tatuagem de Camélia - Capítulo 27
Amber sentia confortada por que as memórias de seus pais falecidos agora traziam mais sorrisos do que lágrimas. Ela conseguia recordá-los com carinho, não mais com tristeza.
— Você deve sentir falta dos seus amigos.
— … Sim. Seria mentira dizer que não sinto. Mas está tudo bem. Todos sabíamos que seria difícil nos encontrarmos depois de casados. Eu estava preparada para isso.
Amber descreveu seus amigos — a alegre e rechonchuda Rochele, Vista com seu talento prodigioso para o piano, e Jeanne, habilidosa com agulhas e sempre alvo de inveja.
Igmeyer ouvia atentamente suas histórias, que poderiam parecer desinteressantes. Mas ele não a interrompeu nem demonstrou sinal de tédio.
— Seria bom convidar seus amigos para cá, sinto muito, mas esta terra não é exatamente adequada para visitantes.
— Só de pensar nisso já é suficiente, Igmeyer. Mas, se for possível… depois que derrotarmos Nidhogg, gostaria de convidá-los para o meu aniversário.
— Bem específica, não é?
Igmeyer riu com vontade, e Amber se juntou a ele, sentindo um alívio após a risada.
— A lua está linda esta noite.
— Sim, está.
A lua brilhava intensamente, sua luz parecia tremular.
Enquanto Amber olhava através da janela fechada, algo despertou em seu subconsciente.
“Esse é o segundo segredo de Niflheim.”
As palavras de Igmeyer ecoaram em sua mente, ditas quando ele lhe mostrou o depósito subterrâneo.
Na hora, ela estava empolgada demais e quase não percebeu a importância do que ele havia dito.
— Igmeyer.
— Por que me chama com tanta doçura?
— Estou curiosa sobre o primeiro segredo de Niflheim. 🥹🥹
Ela fitou suas pupilas vermelhas, captando brevemente um traço de amargura. Mas aquela emoção fugaz logo desapareceu. 🥲
— Esse é um segredo passado apenas aos grão-duques de Niflheim. Eu não poderia contar, mesmo se quisesse.
— Existe algo assim?
— Na verdade, é um segredo revelado em sonho ao herdeiro no dia que assume o título de Grão-Duque. Mas você não precisa saber. Não tem muita importância. 🥹🥹
A primeira parte era verdadeira, e a última, uma mentira.
Amber percebeu astutamente a mentira, mas escolheu não insistir, respeitando sua privacidade, assim como ele respeitara suas emoções antes.
— Existe um terceiro segredo?
— Não. Apenas esses dois.
— Entendo.
🌸🌸🌸
O tempo passou rapidamente e logo se aproximou o período que Igmeyer havia alertado como “os tempos difíceis”.
Os cavaleiros de elite receberam espadas feitas de ferro Litton, enquanto aprendizes e escudeiros olhavam com inveja aquelas afiadas obras de arte.
Jean, usando suas conexões dos tempos de mercenário, contratou um artista pirotécnico de um circo. Graças a ele, todos aprenderam a colocar fogo em suas armas.
Os aldeões seguiram as instruções distribuídas, sacrificando galinhas para usar seu sangue e marcar as entradas dos abrigos.
Dentro deles, sinalizadores de fumaça foram instalados. Se uma aldeia fosse atacada, as outras veriam o alerta e evacuariam rapidamente.
A cada dia tenso que passava, todos no castelo permaneciam em alerta.
Amber reuniu as mulheres para tecer bandagens sem parar, enquanto os servos trabalhavam nos pães de emergência, duros e duráveis.
Os suprimentos preparados no castelo de Niflheim eram carregados em cavalos e distribuídos entre os vilarejos, empilhados em cada abrigo.
Então, num dia nublado com ventos cortantes, as criaturas Fantasmagóricas finalmente apareceram.
Apesar de todos os preparos meticulosos, uma aldeia foi devastada.
A partir daí, começou o “Rugido de Nidhogg”.
As noites eram passadas com todos prendendo a respiração.
— Concentrem-se, caramba!
— Salvem o cérebro! Ei! Eu disse salvem o cérebro!
— Droga, não queimem o cérebro!
Em Hayim, o extremo norte de Niflheim — onde dizem que as pálpebras congelam com um simples sopro —, a lenda conta que ali nasceu o deus do vento norte. Mas hoje, a terra gelada ardia de calor incomum.
Os cavaleiros incendiavam suas espadas e enfrentavam as Criaturas.
Embora numerosas, elas não resistiam ao fervor dos guerreiros e caíam uma após a outra.
Uma cena marcante era a dos escudeiros esperando para vasculhar as carcaças das criaturas, extraindo seus cérebros e colocando-os em caixas com gelo.
Não se sabia exatamente onde ou como seriam vendidos, mas cada caixa levava o nome do cavaleiro que os reivindicava.
Os cérebros seriam comprados pelo Grão-Duque de Niflheim, e mais tarde, os cavaleiros receberiam um bônus generoso por cada criatura que matassem. 🥰🥰
É questionável que cavaleiros se deixem cegar pelo dinheiro, mas muitos eram ex-mercenários, ávidos por riqueza. Até os mais nobres corriam o risco de se contaminar pela ganância ao redor.
— Essa aqui é minha! Eu peguei!
— Ah, droga! Eu devia ter dado o golpe final! — (Elisa: o famoso ladrão de kill 🤭🤣)
Suas aparências, com sangue de galinha manchado da testa até as bochechas, era bastante bizarra. Quase duas semanas sem um banho decente e seus rugidos frequentes os faziam parecer mais bandidos do que cavaleiros. 😅😅
Continua…
Tradução Elisa Erzet