A Tatuagem de Camélia - Capítulo 28
Em meio a essa situação intensa, os cavaleiros estavam quase em transe.
Lutar contra a Raça Fantasma não era tarefa fácil. Apesar das risadas e conversas, muitos soldados haviam caído.
Eles riam e gritavam para manter a sanidade diante de tanto terror.
Felizmente, os extensos preparativos feitos antecipadamente permitiam uma resposta imediata.
‘Se não tivéssemos nos preparado para isso…’
Esse pensamento terrível fazia os cavaleiros estremecerem todas as noites. Agradeciam repetidamente à Grã-Duquesa.
Seu primeiro ato ao chegar foi garantir a segurança deles, fornecendo luvas feitas de couro precioso para proteger suas mãos.
Quanto mais pensavam nisso, mais elogios tinham para ela.
Se conseguissem voltar vivos e bem, contariam à Senhora o quanto eram gratos. Como as espadas de ferro de Litton salvaram suas vidas.
Com esses pensamentos em mente, os cavaleiros brandiam suas espadas.
As espadas em chamas derretiam a neve e cortavam o gelo. Se tivessem segurado essas armas em flamejantes com as mãos nuas, teriam se ferido gravemente.
— Viva a Grã-Duquesa!
— Viva! Viva! Viva!
Eles não queriam morrer em vão, mesmo que tivessem que perecer. Se caíssem, seria em batalha, com a espada nas mãos. Nunca mostrariam as costas ao inimigo.
Gritando elogios em vez de brados de guerra, cerraram os dentes e lutaram ferozmente.
Se sobrevivessem a essa batalha, poderiam voltar para suas famílias, que os esperavam.
A Princesa havia prometido reunir e proteger suas esposas, filhos e pais dentro do castelo, e eles confiavam em sua palavra.
Suas famílias certamente estariam vivas quando retornassem.
Portanto, eles também precisavam voltar.
— Fenrir apareceu! Ele está se juntando à luta!
— Abram caminho.
Quando o vigia gritou em alerta, os escudeiros recuaram rapidamente. Os cavaleiros, astutamente, atraíram o monstro e abriram espaço.
Pelo caminho livre, Igmeyer avançou com uma velocidade invisível, como se vaporizasse a neve em seu trajeto.
Os cavaleiros maravilharam-se com a habilidade de seu Mestre, mas logo voltaram o foco para a própria sobrevivência. Sabiam que ele, recém-casado, era provavelmente o mais ansioso para voltar para casa.
— Finalmente, a Grão-duquesa terá sua capa.
— É verdade.
— É algo bom. Viemos de tão longe, e valeu a pena.
— Agora, só nos resta voltar para casa inteiros.
O segundo grupo de cavaleiros, que estava em espera, suspirou e pegou suas espadas novamente.
Era hora de trocar o turno com o primeiro grupo.
🌸🌸🌸
Enquanto os cavaleiros lutavam, o castelo principal de Niflheim também estava em constante movimento.
Não importava o quanto, comida, remédios e bandagens fossem produzidos, nunca era suficiente.
Os suprimentos do castelo eram transportados sob a proteção de um grupo de cavaleiros, seguindo uma rota predeterminada.
Embora houvesse ataques, resultando em algumas perdas, mais de 70% dos recursos chegavam aos destinos. Amber calculava a taxa de perdas e incentivava o povo a produzir ainda mais.
‘Por favor… apesar dos relatos de vitória, ainda não podemos relaxar.’
Antes do amanhecer, ou de se sentar diante do tear, Amber se ajoelhava e orava ao lado da cama.
Nunca havia buscado Deus antes, pois estava ocupada demais com seus ressentimentos.
Mas agora era diferente. Amber agarrou-se à fé com desespero.
Ela orou pelo retorno seguro de Igmeyer e pela sobrevivência dos outros cavaleiros. Desejava que todos voltassem ilesos.
Sua mente estava preenchida por esse único pedido. Que ao menos mais uma pessoa, mais um…
— Por favor, Deus… proteja também o povo. Eles são preciosos demais para morrer enfeitiçados por meras ilusões. Que sejam como flores que desabrocham por muito tempo, e não como botões que murcham antes do tempo.
Após a oração, Amber abriu lentamente os olhos.
A primeira luz do sol nascente infundiu em seus olhos cor-de-rosa pálidos.
Se não fosse pelas criaturas perigosas lá fora, seria o tipo de luz serena e bela que a faria querer passear à beira do rio.
— Senhora, descansou bem?
— Sim.
Logo, Nora bateu com energia e entrou. Após lavar o rosto com água limpa, Amber pediu a Nora que prendesse bem seu cabelo.
— Ah, Senhora, seu cabelo é como uma cascata dourada… fica mais bonito solto.
— Ser bonita não é útil na situação em que estamos.
— Mas mesmo assim, é uma pena.
— Não há ninguém para apreciar, de qualquer forma.
Amber dispensou o comentário com indiferença e se olhou no espelho.
Na verdade, ela parecia exausta, mas seus olhos brilhavam como estrelas.
‘Ter um propósito e pessoas que contam comigo é uma alegria imensa’
Os trabalhadores trazidos das vilas próximas eram todos amigáveis com ela.
Talvez por estarem dentro do castelo, protegido pelos cavaleiros, se sentiam seguros e gratos.
‘Só pude aceitar aqueles que tinham condições de ajudar na produção, devido ao espaço limitado…’
Mas as pessoas em cada vila também deveriam estar seguras em seus abrigos.
Obs: A “MINHA” tradução dessa Novel está disponível somente na “NOCTURNE.”
Continua…
Tradução Elisa Erzet