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A Tatuagem de Camélia - Capítulo 26

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No entanto, o comentário de Igmeyer sobre o frio era apenas sua maneira de ser atencioso com Amber.

 ‘Atencioso. Essa é uma palavra que não combina em nada comigo.’

Amber era extremamente frágil, a ponto de Igmeyer sentir que não podia deixar de ser cuidadoso com ela.

— Ah, a propósito, a primeira espada feita de ferro Litton foi concluída.  

— Sério?  

— Gostaria de ver, princesa?  

— Claro! Adoraria.  

Amber, que estava deitada, sentou-se rapidamente. Igmeyer colocou uma almofada atrás de suas costas e foi buscar a espada.  

— Está no meu escritório. Vou pegar.  

— Tá bom.  

Os ferreiros haviam priorizado a fabricação da espada dele primeiro.

A nova espada tinha uma lâmina larga e era afiada na ponta. O peso era perfeito para ele, e já havia se tornado seu tesouro. Provavelmente o mesmo aconteceria com os outros cavaleiros.  🥰

Ao receberem essa nova espada, todos elogiariam Amber. Isso era inevitável.

Sempre desejaram espadas caras, e foi graças à persuasão de Amber que Igmeyer mandou fazer e distribuir.

Os cavaleiros de elite próximos a Igmeyer já sabiam disso e elogiavam Amber com entusiasmo.

— Aqui está.  

A nova espada estava cuidadosamente guardada em uma caixa de madeira preta.

Apesar de dizerem que os cavaleiros estavam animados, o próprio Igmeyer também sentia o coração acelerar sempre que via a espada. Confessou que, embora a tivesse recebido há alguns dias, ainda não a havia usado em combate.

Talvez quisesse apreciá-la por um tempo.  

Aquela espada era seu segundo bem mais precioso.  

— Combina muito com você.  

Amber o observou, vendo sua expressão quase infantil, e então olhou para a espada.

Era evidente o quanto ele a valorizava.  

A lâmina estava tão polida que refletia seu rosto. O cabo de couro também parecia rígido, indicando que era nova.

— Quando vai começar a usá-la? Você precisa se acostumar, não é? Embora eu não entenda muito de espadas.  

— Bem, não quero usá-la de qualquer jeito. É muito preciosa.

— Preciosa?  

Amber inclinou a cabeça, confusa com sua resposta. Igmeyer então coçou a nuca, um pouco envergonhado.

— Nunca tive nada novo antes. Exceto minha capa e agora essa espada.

— E sua primeira espada?  

— Era de segunda mão. Nem cheguei a comprá-la, ganhei em uma aposta.

— E você usou essa espada… até agora?  

Amber nunca tinha ouvido essas histórias sobre Igmeyer. Parecia uma oportunidade de conhecê-lo melhor.

Como foi sua infância? Como ele passou de um menino a um homem?  

Sem ninguém para criá-lo direito, como conseguiu crescer sozinho?

Agora ela estava curiosa sobre essas coisas.  

— Não, aquela quebrou rápido, então joguei fora. Quando se partiu, pensei em consertá-la e fui até os ferreiros… Foi assim que minha relação com eles começou.  

— Uma espada quebrada pode ser consertada?  

— Era impossível. Disseram que não dava, mas sentiram pena de mim e me deram várias espadas de treino defeituosas para levar para casa e afiar. Eu as peguei e passei horas lixando numa pedra de amolar.  

Amber piscou.  

Conseguia quase visualizar um Igmeyer muito mais jovem, um menino tão frágil que até o vento poderia derrubá-lo.

 O garoto que valorizava até mesmo as espadas de treino, que não passavam de sucata, e as afiava incansavelmente até as mãos ficarem feridas… ela achou aquilo comovente.  

Naquela época, ele era apenas uma criança, não o homem que é hoje. Era natural sentir compaixão por ele.

— Você se tornou um homem admirável desde aquela época.  

Mas Amber não sentiu pena dele. Ela não ousou dizer que entendia sua dor.  

Ela apenas respondeu de forma simples e serena.

Igmeyer deu uma risadinha e então se jogou de lado na cama.  

— Como você era quando criança?  

— Eu?  

— Só por curiosidade.  

Suas mãos ásperas e calejadas brincavam gentilmente com seus cabelos dourados.

Abraçando os joelhos, Amber apoiou as bochechas, perdida em pensamentos.

‘Como eu era…?’ 

Fazia tanto tempo que ela havia esquecido muita coisa.

— Eu tinha pais amorosos e um irmão mais velho protetor. Todas as manhãs, meu quarto estava cheio de flores, e as empregadas sorridentes lavavam meu rosto.  

— Oooh…  

— Tudo o que eu queria, eu tinha. Se meus pais ou irmão não comprassem, meus amigos me davam de presente.  

— Você tinha muitos amigos?  

— Sim, muitos.  

Era surpreendente. Não apenas compartilhavam intimidade física, mas também conseguiam ter conversas assim.

 E Igmeyer ouvia suas palavras com mais atenção do que ela esperava.  

— Eu adorava conhecer pessoas novas. Sempre que delegações estrangeiras vinham, tomávamos chá junto. Eles me achavam fofa quando criança e me contavam todo tipo de história… tão vívidas que não se encontravam em livros. Eu ficava tão fascinada que mal conseguia dormir.  

— Isso é fofo.  

— Minha mãe me chamava de seu gatinho curioso.  

Um leve sorriso surgiu nos lábios de Amber.  

Continua…  

Tradução Elisa Erzet 

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