Uma Proposta Vulgar - Capítulo 04
Havia se passado uma semana desde que Carlos Ivan encontrara Inês pela última vez no corredor.
Durante esse tempo, Carlos não procurou Inês, nem ela foi atrás dele.
Por causa disso, o homem estava convencido de que Inês havia decidido aceitar a realidade. Se ela pretendesse recusar o casamento até o fim, já teria protestado ou encenado alguma manifestação, como aqueles que gritavam do lado de fora dos portões do castelo.
Acreditando que um problema complicado tinha sido resolvido, ele pôde se concentrar mais em sua pilha de trabalho acumulado.
Isso até seu atendente trazer uma montanha de petições.
Carlos torceu os lábios e atirou irritadamente o pergaminho para o lado.
— Estão todos ansiosos para ver Inês morta.
Pareciam desinteressados em restaurar o país, que havia sido lançado no caos pelo golpe. As petições dos nobres continham apenas pedidos para executar a impotente Inês.
Tsc.
Carlos estalou a língua brevemente e ordenou, como se a visão das petições empilhadas fosse insuportável.
— A partir de agora, dispense qualquer assunto relacionado a Inês. Não vale a pena considerá-los.
Hesitando diante da ordem, Herman falou:
— O senhor realmente pretende fazer daquela mulher… da senhorita, sua rainha, apesar da oposição dos nobres? Ela traiu Vossa Majestade e tentou se casar com seu meio-irmão. Não é por isso que até o templo se opõe a isso?
Carlos levantou a cabeça com as palavras de Herman, recordando a carta que recebera do Papa alguns dias antes.
— Estão alegando adultério.
O templo se opunha ao casamento de Carlos e Inês, alegando que era adultério irmãos compartilharem a mesma mulher. De acordo com a lei religiosa, um casal só é reconhecido se tiver consumado o casamento. Portanto, embora Joseph e Inês não fossem oficialmente um casal, o templo apontava para os rumores que haviam se espalhado discretamente.
— Eles estão trazendo à tona o boato de que Inês e Joseph foram íntimos antes do casamento?
O templo não reconhecia nada como fato a menos que fosse oficialmente confirmado. Ainda assim, se opunham ao casamento com base em meros rumores sem provas. Era completamente ridículo.
— Mesmo que eles tenham sido íntimos, isso não importa. Há apenas 150 anos, este país tinha um sistema chamado casamento por levirato. Se era possível há 150 anos, não há razão para não ser agora.
Herman, que vinha ouvindo em silêncio, objetou:
— Os cidadãos e o templo não verão dessa forma.
— Por que a opinião deles deveria importar? — Carlos inclinou a cabeça, como se não houvesse problema algum. — Eu quero.
Diante da resposta resoluta de Carlos, Herman calou-se. Apesar dos protestos que se arrastavam há dias e dos nobres unidos contra o casamento, Carlos não tinha intenção de recuar.
— Mesmo que ignore a opinião dos cidadãos, não pode desconsiderar a dos nobres e do templo, a menos que planeje matá-los todos ou mudar a religião oficial.
— Isso não seria tão ruim.
— Vossa Majestade!
— Mas não há necessidade de ir tão longe. Basta dar algum dinheiro ao templo.
Apesar de sua fachada sagrada, o templo já estava corrupto há muito tempo. Era risível. Eles tinham recebido tanto do Duque de Claudia, e agora queriam expulsar sua filha amada. Pessoas tão transparentes.
— Então o que fará em relação aos nobres? Não pode simplesmente ignorar a opinião deles.
Concordando com o ponto de Herman, Carlos bateu os dedos na mesa.
— Primeiro, informe o sacerdote Michael. Diga a ele que desejo fazer uma doação para o desenvolvimento do templo.
— Uma doação?
— Sim. Então eles provavelmente pararão de comentar sobre meu casamento com Inês.
Embora Herman não estivesse satisfeito com Carlos doando ao templo por causa de Inês, isso era melhor do que mudar a religião oficial, então ele concordou.
— …Quanto deve ser a doação?
— Envie 300 moedas de ouro.
Ao ouvir 300 moedas de ouro, Herman respirou bruscamente.
Esse valor era mais do que a família Claudia e a dinastia anterior jamais haviam doado ao templo.
— Isso é generoso demais! Por que uma quantia tão grande…?
— Essa quantia deve ser suficiente para mantê-los em silêncio.
— Vossa Majestade!
Herman não conseguia entender. Por que ele estava indo tão longe por uma mulher que o havia traído?
Incapaz de se conter por mais tempo, Herman acrescentou:
— Por que está fazendo tudo isso? O senhor é o único neste país que quer esse casamento. Nem mesmo a própria senhorita o quer. Ela está se recusando a comer em protesto…
— O quê?
A resposta fria de Carlos fez Herman perceber que havia falado demais, e ele se calou.
— Quem está se recusando a comer?
O fato de Inês estar se recusando a comer era um segredo não dito dentro do palácio. Havia mais do que alguns que esperavam que ela morresse silenciosamente de fome.
— Bem, é só que…
— Herman Tishi.
Mesmo temendo as consequências, Herman havia permanecido em silêncio. Mas sob o olhar intenso de Carlos, ele não conseguiu deixar de confessar.
— …A senhorita disse que se recusaria a comer até que o senhor retirasse seu pedido de casamento.
— Desde quando?
— Hoje completa o quarto dia.
Era inacreditável. Nenhum relatório havia chegado até ele durante esse tempo. Isso significava que ninguém se importava com o bem-estar de Inês.
— Por que só está me informando isso agora?
Diante da pergunta de Carlos, Herman desviou o olhar. Sua reação era resposta suficiente. Eles esperavam que Inês morresse de fome.
— Ha.
Carlos soltou uma risada em descrença e se levantou abruptamente.
Não era de se admirar que estivesse tão silencioso. Inês já estava protestando sem que ele soubesse.
Os passos de Carlos eram pesados de irritação.
Enquanto isso, Inês passava o dia todo deitada de bruços na cama.
Era porque ela não tinha tomado um gole de água há quatro dias.
Seu corpo inteiro parecia drenado, como se alguém tivesse sugado toda a sua energia, mas ela conseguia suportar. Estava acostumada a passar fome assim.
‘Tudo que preciso é fazer Carlos desistir do casamento.’
Ela havia desistido de persuadi-lo com palavras. Esse era o único modo de mostrar que não queria o casamento.
Ela não queria mais ser um fardo para ele. Queria se livrar da culpa que sentia por dentro. O homem havia perdido tanto por causa dela. Não podia permitir que manchasse a posição arduamente conquistada por ele. Então ela esperava. Desejava que Carlos a deixasse ir a esse ponto.
Perdida em seus pensamentos, foi então que ouviu passos familiares e uma voz ecoar no quarto.
— Me disseram que a senhorita não come nada há quatro dias.
— Uh, bem…
Era Carlos. A criada que o acompanhava parecia ansiosa, temendo ser punida por não cuidar do bem-estar de sua senhora.
No entanto, em vez de repreender a criada, Carlos deu outra ordem.
— Deve haver uma refeição pronta na cozinha. Traga para cá.
— S-sim…!
A criada, avaliando o humor de Carlos, saiu rapidamente. Um silêncio pesado se instalou no quarto, restando apenas os dois.
Carlos se aproximou silenciosamente de Inês e a examinou de perto. Sua aparência fraca e sem forças era evidente à primeira vista. Enquanto a observava em silêncio, Carlos franziu a testa.
— Ouvi dizer que você não tocou nem mesmo em um gole de água. Está fazendo um protesto? Dizendo que não vai se casar comigo?
Inês virou a cabeça ao som de sua voz fria e frustrada.
— Se for a única maneira.
Sua voz estava fraca ao responder. Carlos soltou uma risada vazia. Assim como Inês não conseguia entender Carlos, ele não conseguia entendê-la. Ele a salvara da morte, oferecendo não apenas a vida, mas a mesma riqueza e luxo de antes—por que ela estava rejeitando?
— O que você quer?
Inês continuou, como se estivesse zombando da pergunta.
— O senhor sabe. Eu não quero este casamento.
— E se não se casar comigo, o que pretende fazer então?
— Me mande para um convento.
— Um convento?
— Sim, se me mandar para lá, viverei quieta sem causar problemas. Então…
Mas a risada subsequente de Carlos silenciou Inês.
— O quê, pretende encontrar um amante secreto lá e compartilhar afeto?
Foi um comentário insultuoso. No entanto, Inês nem tinha energia para discutir.
— Pense o que quiser. Eu não tenho reputação a preservar de qualquer forma. Ninguém neste mundo aprova nossa união. Nem eu a quero. Este casamento é apenas uma teimosia sua.
— Teimosia, é? Você não faz ideia do que aconteceria se eu agisse unilateralmente.
Após um breve silêncio, Carlos deu um passo mais perto de Inês.
— Coma enquanto estou pedindo educadamente.
— E se eu me recusar?
Inês demonstrou determinação em não recuar até que sua opinião fosse respeitada.
Enquanto os dois se encaravam em silêncio, uma batida soou. Era um sinal de que a criada trouxera a refeição.
Mas, sem dar a ordem para entrar, Carlos continuou a encarar Inês e falou:
— Toda vez que você se recusar a comer, eu cortarei um dedo da criada.
(Elisa: eu deixava cortar o dedo de todos deste castelo. 🙄🙄)
Continua…
Tradução: Elisa Erzet