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O Marido Malvado(novel) - Capítulo 227 (História Paralela 01)

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Os cidadãos do Império Traon estavam plenamente cientes do poder extraordinário de Aspilia e Morpheu. Sabiam que os novos medicamentos haviam causado um verdadeiro caos no exterior. A Imperatriz, uma mulher de beleza incomparável, não apenas elevou o prestígio do império ao criar esses remédios históricos, como também conquistou completamente o coração de seu povo.

No entanto, apesar desse apoio esmagador, a Arquiduquesa raramente aparecia em público. Era uma mulher dedicada unicamente à sua pesquisa. O Conde Shulen, após sua investigação minuciosa, estava convencido de que ela era uma farmacêutica inocente, uma mulher que nada sabia além do seu trabalho. Acreditava que seu passado como simples farmacêutica e sua reputação de inocência na alta sociedade provavam que ela era uma alma gentil.

Seu plano era usar a compaixão dela para conseguir Morpheu de que precisava desesperadamente. Ele a encontraria, apelaria para sua bondade e garantiria o medicamento para seu irmão. Sabia que este era um plano insano, uma aposta perigosa que poderia arruiná-lo. Mas, se tivesse sucesso, não apenas salvaria seu irmão como também criaria uma ligação crucial com a Arquiduquesa, algo que ninguém mais havia conseguido.

Ele chegou ao Palácio Imperial para as negociações e, usando seu status diplomático a seu favor, conseguiu passar pelos guardas e chegar ao palácio dela. Porém, quando finalmente a viu, seu plano cuidadosamente elaborado se desfez.

Sabia que ela era bonita por causa dos inúmeros artigos de jornal e pinturas, mas nada daquilo conseguia capturar a verdadeira essência dela. Sua beleza era algo sobrenatural, uma força divina que não podia ser contida em um pedaço de papel. Foi como receber um raio diretamente na cabeça, e ele ficou ali parado, sem conseguir dizer uma única palavra.

Os guardas rapidamente o trouxeram de volta à realidade, obrigando-o a se ajoelhar. Ele gritou desesperadamente as palavras que havia ensaiado, tentando salvar a situação. Mas a mulher que havia imaginado ser uma ingênua inocente revelou-se surpreendentemente astuta.

Ela identificou imediatamente que ele era um diplomata e agiu com uma calma e racionalidade que contrariavam completamente suas expectativas. Não parecia alguém que havia ascendido ao poder da noite para o dia, mas sim uma mulher que havia nascido em uma vida cercada por respeito e adoração.

Naquele momento, o Conde Shulen teve que encarar a verdade: ele não sabia absolutamente nada sobre a Arquiduquesa.

Se arrumou sob os olhares atentos das criadas e foi conduzido até a sala de estar. Curvou-se com uma humildade que realmente sentia.

— Agradeço por sua generosa graça em me receber, apesar da minha falta de educação.

Ele queria se ajoelhar. Não conseguia sequer encará-la nos olhos, convencido de que estava diante de uma fada, não de uma mulher mortal.

Enquanto isso, Eileen estava preocupada com ele. Seu rosto estava corado e sua respiração irregular. Será que os guardas haviam machucado o homem? Ela sabia que todos ficavam extremamente vigilantes quando se tratava de sua segurança, e talvez tivessem sido agressivos demais.

Aquilo era um pesadelo diplomático. O Reino de Ert era um importante parceiro comercial, e iniciar um conflito com eles seria desastroso.

A sala ficou em silêncio, enquanto cada um se perdia em seus próprios pensamentos. Eileen tomou um gole de chá antes de romper o silêncio.

— Entendo que as negociações sobre Morpheu estão em andamento.

— …Sim — respondeu o Conde Shulen, limpando as palmas suadas com um lenço. Em seguida, colocou as mãos cuidadosamente sobre o colo. — Meu irmão não tem muito tempo de vida.

Ele veio ao império preparado para a possibilidade de voltar para casa apenas para comparecer ao funeral do próprio irmão.

— As negociações ainda levarão muito tempo para serem concluídas, então eu esperava que talvez houvesse uma maneira de conseguir o medicamento antes… Como sabe, todos os países desejam Morpheu.

Ele contou sobre o caos fora do império, esperando que a história sobre sua influência pudesse agradá-la.

Mas, enquanto ouvia, Eileen ficou constrangida. Sabia que seus medicamentos eram populares, mas não fazia ideia de que estavam causando tamanha comoção mundial.

Durante os sete anos em que foi Imperatriz, havia concentrado toda a sua energia em encontrar Cesare e prestado pouca atenção ao sucesso de seus medicamentos. Aquilo era uma surpresa completa.

‘Se eu soubesse disso, teria me concentrado mais na produção em massa.’

Enquanto se repreendia, percebeu por que havia sido mantida no escuro. Cesare devia saber que, se ela descobrisse sobre todo aquele caos, se sentiria responsável e trabalharia até a exaustão. O homem sempre havia tentado protegê-la. Mas agora tudo era diferente. Eles confiavam e amavam um ao outro completamente. Ambos acreditavam que o bem-estar do outro era a coisa mais importante do mundo.

Ainda assim, não conseguia se livrar da sensação de que ele havia escolhido esconder aquilo em vez de conversar sobre o assunto.

O Conde Shulen ficou em silêncio ao perceber sua expressão carrancuda. Eileen afastou os pensamentos sobre Cesare por enquanto e foi direto ao ponto.

— Se lhe der Morpheu a parte, seria uma grande injustiça com os outros. Que motivo eu teria para ajudá-lo a um custo tão alto?

Sua compaixão havia lhe concedido uma conversa, nada além disso. Ele provavelmente sabia disso. Devia ter um plano.

— Se me ajudar e, além disso, prometer negociações preferenciais com o Reino de Ert… — disse ele, mantendo os olhos fixos nela. — Eu lhe darei as informações dos Shulen.

‘Informações?’

Antes que ela pudesse pedir que ele explicasse melhor, Sonio entrou apressadamente na sala.

— Sua Majestade, o Imperador…!

O homem parou imediatamente ao perceber quem estava atrás de Sonio e fez uma profunda reverência. Os olhos de Eileen se arregalaram.

— Cesare!

Ele não deveria estar ali, e sim no palácio principal, a uma distância enorme dela.

Ela correu em sua direção, seus passos acelerando de preocupação e surpresa. Cesare a puxou facilmente para seus braços,  ela o abraçou de volta sem pensar duas vezes. Ele soltou uma risada baixa.

Os olhos do Conde Shulen se arregalaram em descrença.

O homem diante dele, Cesare Traon Karl Imperador, era uma lenda, uma figura brutal, um homem cujos olhos carmesins eram um símbolo de infortúnio. Era impossível acreditar que o mesmo homem pudesse ser tão gentil.

Shulen sentiu como se estivesse dentro de um sonho.

Enquanto permanecia ali, atordoado, os olhos vermelhos de Cesare se curvaram em um sorriso para ele.

— Um convidado? — perguntou a Eileen.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

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