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O Marido Malvado(novel) - Capítulo 226

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  3. Capítulo 226 - História Paralela 01
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Leone estivera aterrorizado, com a frieza que sentira diante da morte da própria mãe. Se Eileen algum dia descobrisse aquela indiferença fria, certamente o encararia com a mesma piedade temerosa.

Cesare, por sua vez, desejava apenas uma coisa acima de tudo: que aqueles olhos verde-dourados, que brilhavam como estrelas sempre que o fitavam, jamais fossem tocados por tamanha escuridão.

Ele, que raramente remoía o passado, soltou uma leve risada. Zombou de seus próprios pensamentos juvenis e sentimentais que tivera aos dezoito anos e, então, com um movimento elegante, mergulhou a caneta-tinteiro e assinou o documento.

[Cesare Traon Karl, Imperador]

Com um único traço de tinta, o destino de sua falecida mãe foi oficialmente decidido.

Ela receberia um título real e seria sepultada no sagrado mausoléu imperial. Ele não sentia nenhum apego pessoal por ela, mas, como novo Imperador, aquela era sua obrigação. Originalmente, seu irmão Leone, o antigo Imperador, planejava fazer isso após seu casamento com a filha do Duque de Farbellini.

Após assinar, Cesare largou a caneta e se levantou da cadeira. 

— Onde está a Imperatriz?

O criado fez uma reverência, prometendo encontrá-la imediatamente. Enquanto esperava, Cesare considerou as possibilidades. O laboratório, a estufa, ou talvez seu escritório particular. Um daqueles três, ele tinha certeza. Mas, para sua surpresa, sua previsão estava errada.

— Sua Majestade está recebendo um visitante na sala de audiências. — relatou o criado.

Cesare arqueou as sobrancelhas, surpreso. Pelo que sabia, Eileen não tinha nenhum compromisso agendado para hoje.

🌸🌸🌸

Ela acordou antes do amanhecer e soltou um leve gemido enquanto tentava se espreguiçar. Ou, pelo menos, tentou. 

Um peso familiar a mantinha presa, tornando impossível se mover. Mas, em vez de se alarmar, uma profunda sensação de paz a envolveu. Eileen apenas se aconchegou ainda mais nos braços que a envolviam com tanta segurança. Levantou lentamente a cabeça e observou o homem adormecido ao seu lado.

Mexeu-se um pouco, mas Cesare continuava adormecido profundamente, um feito que teria sido impossível no passado. Os lábios de Eileen se curvaram em um sorriso suave ao olhar para seus longos cílios escuros. Uma sensação quente agradável espalhou-se por seu peito.

Antigamente, ele mal conseguia dormir.

Cochilava por poucos instantes antes de despertar novamente, mesmo com ela ao seu lado. Agora, porém, Cesare conseguia dormir profundamente. Mas havia apenas uma condição: precisava estar abraçado a ela, mas era um preço pequeno a pagar pelo sono verdadeiramente reparador que antes lhe era negado. Os pesadelos que o atormentavam finalmente haviam desaparecido. Incapaz de resistir, Eileen se inclinou, os lábios roçaram levemente seu queixo, um gesto silencioso de carinho. Queria beijar seus lábios, mas a diferença de altura tornava impossível naquela posição.

A testa de Cesare franziu levemente. Ele estava acordando? Em vez de abrir os olhos, ele a puxou para mais perto, sua mão grande pressionando suavemente a nuca dela contra seu peito firme. Com os olhos ainda fechados, falou, sua voz pesada de sono:

— Bom dia.

— Bom dia, Cesare. — respondeu ela, com a voz abafada contra o peito dele.

O ritmo constante das batidas de seu coração preenchia seus ouvidos, um lembrete agradável de que ele estava ali, vivo.

Após um momento, ela finalmente tentou se levantar. Já era quase hora do dia começar.

Como Imperador do Império Traon, Cesare possuía uma agenda completamente lotada.

Seu tempo valia mais do que o ouro. Cada minuto desperdiçado na cama era precioso.

Como esposa e Imperatriz, era seu dever ajudá-lo em suas responsabilidades imperiais.

Assim, tentou despertá-lo com delicadeza.

— Hum… você não deveria levantar agora?

A resposta veio em um murmúrio preguiçoso, seus olhos ainda fechados:

— Talvez não.

Eileen simplesmente não sabia como reagir quando ele respondia assim. Ficou completamente imóvel, como uma pequena boneca de madeira.

— Ah… mas você realmente precisa levantar…

As criadas e os assistentes eram proibidos de entrar no quarto para acordar Cesare. Nunca havia sido necessário. Ele sempre fora extremamente pontual. Além disso, havia estabelecido uma regra rígida: Sem sua permissão, ninguém além de Eileen podia entrar naquele quarto.

Ultimamente, porém, Cesare vinha permanecendo cada vez mais tempo na cama. Todas as manhãs se transformavam numa nova batalha. 

(Elisa: Eu todo dia pra acordar 🥲)

Remexendo-se nervosamente, Eileen tentou novamente:

— Cesare?

Finalmente, as pálpebras dele se abriram.

Seus suaves olhos carmesins pousaram sobre ela. Um leve sorriso surgiu em seus lábios enquanto passava os dedos por uma mecha dos cabelos dela, que brilhavam sob a luz da manhã em uma mistura de cores quase misteriosa. O contraste entre os cabelos claros de Eileen e os fios escuros de Cesare era impressionante.

Sua mão deixou os cabelos dela e deslizou até seu pescoço. No passado, seu toque teria sido quase possessivo, agora, porém, ele apenas pressionou suavemente o polegar contra sua pele por um instante antes de continuar o movimento. Sua mão parou sobre sua bochecha, a palma quente envolveu delicadamente seu rosto. Ele se inclinou.

Um beijo leve pousou sobre sua testa, acompanhado por um som quase imperceptível. Cesare recuou e a encarou, com uma expressão impossível de interpretar.

Eileen, por sua vez, retribuiu o olhar, ainda maravilhada com a realidade absoluta dele, como se ver seu rosto todas as manhãs fosse um sonho. Ela percebeu que agora estavam realmente atrasados.

— Hum… Cesare.

Ao ouvir sua voz suave, os braços que a prendiam finalmente afrouxaram. Ela levantou um pouco o corpo e o beijou nos lábios.

Ele riu baixinho e finalmente saiu da cama. Então, a pegou no colo e a carregou até o banheiro.

Ela poderia caminhar perfeitamente sozinha. Mesmo assim, não recusou seu abraço. Enquanto ele a carregava, seus olhos se encontraram. Os dois trocaram um sorriso discreto, compartilhando sua cumplicidade.

Eram justamente esses momentos simples que tornavam seus dias especiais.

🌸🌸🌸

Com Morpheu agora no mercado ao lado de Aspilia, a fama de Eileen estava disparando.  Todos que experimentavam os medicamentos elogiavam-na sem parar. Como resultado, outras nações ficaram intensamente curiosas sobre os novos medicamentos.

Entretanto, o Império Traon já enfrentava dificuldades para suprir a própria demanda interna, por isso, a exportação dos medicamentos era estritamente proibida. É claro que nenhuma proibição era totalmente bem-sucedida. 

Aspilia e Morpheu começaram a ser contrabandeadas para o exterior, e aqueles que as experimentaram os queriam mais do que nunca. Morpheu, em particular, tornou-se extremamente procurado por causa de suas aplicações específicas.

Logo, o Império Traon foi inundado por solicitações diplomáticas vindos de todo o continente. Alguns eram discretos. Outros exigiam abertamente o fornecimento dos medicamentos.

A situação tornou-se tão caótica que chegou a paralisar os assuntos diplomáticos da corte imperial.

Cesare, porém, já tinha um plano.

Bloqueou toda aquela confusão para que nada chegasse a Eileen. Protegia-a cuidadosamente de qualquer pressão. Queria que ela se concentrasse em sua pesquisa sem qualquer senso de dever ou fardo. Também instruiu seus diplomatas a manterem todas as cartas na mão e negociarem a partir de uma vantagem absoluta.

Eileen sabia que os medicamentos que havia desenvolvido eram populares, mas não fazia ideia de que eles estavam provocando tamanha comoção global.

Continua…

Tradução e Revisão: Elisa Erzet 

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