Figurante B - Capítulo 07
Ano 493, 6° meia-lua de jade.
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12 anos atrás, Grão-Ducado de Rosenberg.
— Ele está ardendo em febre, minha senhora. Precisamos de um médico.
A serva corre até a banheira com a criança de três anos nos braços e a coloca gentilmente na água fria.
A porta se abre com um estrondo. Anastasia entra às pressas, olhos vermelhos e marejados, as bochechas com os rastros úmidos das lágrimas. Um médico equipado de uma grande bolsa de couro a acompanha.
— Ele está aqui, doutor… Por favor, ajude meu filho…
O médico se ajoelha ao lado da banheira. Apoia o garoto em um braço e, com a outra mão, ergue um pequeno cristal luminoso envolvido em uma camada escura; a claridade se focaliza pela única saída, funcionando como uma lanterna. O feixe de luz atinge a pupila do menino inconsciente.
O rosto do médico endurece.
— Intoxicação por mana…
Ele não perde tempo. Tira a criança da água e a envolve nos dois braços.
— Precisamos levá-lo à catedral. Agora!
O palácio do Grão-Duque parece intimidador enquanto o médico desce as escadas correndo com o pequeno Aramis. A escadaria parecia não ter fim.
As botas ameaçam escorregar nos degraus de mármore, mas ele recupera o equilíbrio encostando na parede.
A porta principal já estava aberta; o cocheiro os aguardava na carruagem. A nobre duquesa mal consegue se manter em pé, tropeçando na entrada; o braço rápido do médico a apoia, puxando-a para dentro.
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As portas pesadas da catedral se abrem com um ranger profundo. O arcebispo os recebe a passos apressados.
— Por aqui, vossa alteza.
A batina balança enquanto ele guia ambos pelos longos e majestosos corredores da catedral; os vitrais coloridos dispersam a luz das luas, projetando sombras no granito branco do piso.
As portas começam a se abrir em frestas, de onde os olhos vazam em curiosidade e cochichos.
O arcebispo força uma grande porta dourada. Uma cúpula vasta e um salão descomunal apequenam qualquer pessoa naquele local.
Mais à frente, um vasto altar onde quatro invólucros envoltos em bandagens descansam em pedestais de cristal, cada um com forma e cor distintas.
A mão do arcebispo se estende, mostrando o caminho ao médico.
Os passos são receosos, como se houvesse medo de profanar o santo altar; os saltos das botas ecoam a cada passo nos degraus de ouro. O médico coloca a mão do garoto no primeiro invólucro, o vermelho.
O objeto pulsa.
Uma torrente de chamas explode no ar; a luz vermelha reflete no ouro polido, iluminando toda a cúpula.
O médico recua e cai sentado, o suor escorrendo pela testa. O alívio dura pouco — a febre reduz, mas continua queimando a pele do menino.
Ele se levanta e guia a mão da criança até o segundo invólucro.
Um brilho verde tênue cresce…
Uma rajada violenta de vento invade o salão. O vestido da duquesa se agita; o arcebispo segura o solidéu para não perdê-lo. O médico abraça o pedestal de cristal enquanto o vento tenta expurgá-lo.
A febre não cede, mas a respiração relaxa, como se o ar finalmente conseguisse inundar os pulmões.
O médico engole seco e leva o garoto ao terceiro invólucro.
Assim que o toque acontece, água jorra em abundância. O piso se encharca; o dreno não dá conta. O arcebispo cai de joelhos, mãos trêmulas presas ao pingente em forma de espada.
O suor cessa, mas, mesmo assim… a febre persiste.
Trêmulo, o médico conduz Aramis ao último invólucro, escuro, sujo.
O contato acontece.
Pilastras de terra se erguem do chão com um estrondo surdo; as colunas se fragilizam; um pedaço do teto se desfaz, inerte ao chão… E então, enfim, o corpo do garoto relaxa. A respiração desacelera. A febre desaparece.
Silêncio.
O arcebispo, em lágrimas, caminha até o médico. O homem desce lentamente os degraus do altar, as pernas trêmulas. O arcebispo toca a testa da criança. As mangas recuam, revelando braços cobertos por tatuagens negras, antigas, que pulsam como se a vida corresse por elas.
Ele encara o garoto por um longo momento.
A voz falha.
— Eu… eu… eu te nomeio… Arthur de Avalon.