Figurante B - Capítulo 00
Ano 500 — 10ª Meia-Lua de Jade
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O professor anda por entre as fileiras de cadeiras enquanto os alunos mantêm os olhos fixos nos livros.
— Um gênio e um prodígio. Muitos acreditam que são a mesma coisa…
O olhar do professor escapa até um aluno alto e robusto no final da última fileira, mas rapidamente volta para o livro em sua mão.
— Gênio! Arthur de Avalon, um gênio e prodígio da idade de vocês. Quem não gostaria de ser um gênio como ele? Isso nos leva a outro dilema: se todos são especiais, ninguém é. A desigualdade é o que cria os gênios.
O professor ajusta os óculos enquanto seus olhos percorrem a turma.
— Vejamos, por exemplo, o caso do jovem Cidney de Rocca, 9 anos, um prodígio: destacou-se a ponto de o próprio Marquês pagar por sua entrada em nossa escola; contudo, seu crescimento estagnou, e ele mal se mantém no pódio.
Os nós dos dedos de Cidney ficam brancos enquanto ele aperta com força a capa do livro de couro. Os lábios tremem enquanto segura o choro, escondendo-se.
O professor continua:
— Uma comparação tola seria: quem vocês acham que seria mais triste, uma pessoa que nasceu cega ou uma pessoa que ficou cega depois de conhecer o mundo?
O professor fecha o livro com um baque.
— A resposta deve ser clara, pois não há como sentir falta de algo que nunca se teve.
O barulho pesado do sino da catedral anuncia o fim da aula. Enquanto os alunos juntam suas coisas em mochilas de couro, Cidney coloca tudo o que lhe pertence em um saco de juta e sai rapidamente da sala. O olhar do professor o fuzila assim que ele passa pela porta. Ele corre em direção à saída com a cabeça baixa, segurando as lágrimas.
O impacto é seco, fazendo-o cair sentado. Ele olha para cima e vê sua própria mãe, acompanhada de seu pai. Dois aldeões com roupas surradas do trabalho, mas perfeitamente limpas. Seu pai, Marcos, logo estende a mão ao garoto, levantando-o.
Eles se sentam em um banco do lado de fora enquanto sua mãe, Cíntia, adentra a escola. O pai afaga os cabelos do filho.
— O que houve, Cid? Você parece meio cabisbaixo.
A expressão de choro se forma, mas nenhuma lágrima cai.
— Eu estraguei tudo.
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Enquanto isso, na sala do diretor, Cíntia se mantém em pé. Seu corpo robusto e forte de anã é um contraste gritante com o corpo esguio e alto do homem à sua frente.
— Posso saber o motivo da convocação, senhor diretor?
O diretor a olha, não antes de suspirar.
— Você sabe o quanto eu gosto do garoto, mas o Marquês deixou de pagar as mensalidades dele há dois meses, e Cid não está demonstrando mais o potencial que o colocou aqui dentro… Sinto muito, Cíntia.
As mãos da anã se fecham com tanta força que um filete de sangue escorre, mas ela não permite que pingue no chão. Ela se curva em uma reverência solene.
— Obrigada por tudo o que o senhor fez pelo meu filho. Nós sempre seremos gratos por tudo.
Aos solavancos da carroça, eles seguem pela estrada de terra batida. Cid se aconchega ao lado da mãe enquanto o pai conduz o veículo. As mãos dela, calejadas pelo trabalho na mina, envolvem o ombro do garoto com dificuldade — Cid já era maior que ela. Uma lágrima finalmente escorre.
— Me desculpa, mãe.
As lágrimas fluem em meio aos soluços.
— Você não fez nada errado, pequeno. Você foi incrível. Você treinou mais que todos eles, lutou mais que todos eles, estudou mais que todos eles.
Cíntia continua a consolá-lo enquanto as próprias lágrimas caem sobre os cabelos do filho, que descansa em seu colo.
— Se alguém tem que se desculpar, somos nós… Perdoe-nos por não conseguirmos manter você lá.
Marcos mantém-se conduzindo a carroça enquanto limpa, em silêncio, as lágrimas que escorrem do próprio rosto. A outra mão aperta as rédeas mais forte do que deveria.