As Noites da Imperatriz (novel) - Capítulo 26
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Tradução: Gab
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Os olhos de Enoch se estreitaram, sem que Aran percebesse. A tola Imperatriz ainda acreditava que Clared Changeback era um amigo, mas aquela amizade superficial já havia azedado há muito tempo. Changeback, como Enoch se lembrava dele, era um homem distraído que sempre lançava olhares apaixonados e pervertidos para o pescoço e os tornozelos de Aran.
Quando Enoch ainda era servo de Aran, era difícil contar quantas vezes Clared o havia intimidado. O passar do tempo não teria arrefecido o desejo obscuro daquele homem pervertido. A ideia de Aran, totalmente a par dos sentimentos, sentada diante dele, conversando com aquele homem, o deixava profundamente irritado.
Por quê? Ele não sabia o motivo… simplesmente não gostava da ideia de ela vê-lo.
“Se você quer mudar a opinião de Clared Changeback, seria mais rápido pedir isso a mim do que encontrá-lo pessoalmente e tentar convencê-lo.”— Escondendo seus pensamentos mais íntimos, ergueu a mão impotente de Aran e a beijou.— “Pouco me importa como me tratas diante dos outros. Se, na cama, portar-se de modo tão gracioso e encantador assim, estou sempre disposto a brincar com a voz da Imperatriz Regente. É bem fácil, não?”
O rosto de Aran estremeceu de desprezo. Ao piscar lentamente, lágrimas escorreram em silêncio. De alguma forma, aquela expressão fez o coração de Enoch sangrar.
…Por que ela estava chorando?
Enoch a puxou para os seus braços sem hesitar. A mulher frágil se agarrou a ele sem resistência. Ela permanecia calma mesmo quando ele tocava seus seios e explorava a sua intimidade. Não sabia se era por causa de suas palavras condescendentes ou por não ter forças para resistir, mas isso já não importava. Ela permitiu que ele descarregasse dentro dela o desejo reprimido.
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Aran permaneceu sentada, com o rosto rígido, mantendo o olhar baixo. Às vezes, era obrigada a comparecer a banquetes por ser a Imperatriz Regente.
Ela soltou um suspiro baixo, inaudível para os outros.
O banquete daquele dia marcava o primeiro aniversário de sua ascensão como Imperatriz governante. Era menor do que todos os anteriores e a Aran teve dificuldade em deixar o banquete no meio, pois era a protagonista do evento.
Embora não fosse grande, alguns aristocratas estavam presentes. Eles dirigiam cumprimentos falsos à Imperatriz enquanto seus olhos procuravam a presença do Grão-Duque, certos de que ele se escondia em algum lugar do salão.
Aran umedeceu os lábios com o vinho comemorativo. Ela não era boa bebendo, mas achou que conseguiria suportar dessa vez. No entanto, logo sua cabeça começou a girar. Ela pousou o copo de vinho, ainda nem pela metade. Quando jovem e imatura, ansiava por participar de banquetes inúmeras vezes; agora, os desprezava e odiava o trabalho extenuante que traziam. Naquela época, sem preocupações no mundo, trocava de vestidos animadamente durante o banquete e dançava com alegria. Parecia um sonho distante.
O que vestia agora era um vestido gasto, de tom verde opaco, com gola alta cobrindo o pescoço. As mãos estavam cobertas por luvas. O clima era de final de primavera, quente demais para roupas assim, mas ela não tinha escolha. Enoch havia deixado marcas por todo o seu corpo.
Aran puxou as luvas de malha preta para cobrir melhor o pulso levemente exposto.
“Vossa Majestade.”
Aran ergueu a cabeça ao ouvir a voz de um poeta. Somente então percebeu os olhares atentos dos aristocratas sobre ela.
“A primeira dança deve ser feita por Vossa Majestade!”—alguém gritou.
“Não me importo. Podem iniciar ser mim.”
“Mas somente depois que Vossa Majestade dançar é que os outros podem dançar.”
“Ah…”— Aran fitou os aristocratas com o rosto ruborizado. Não tinha escolha senão dançar com alguém, já que Enoch não estava por perto. Além disso, não sabia com quem dançar.
Os jovens nobres, cientes disso, trocaram olhares entre si.
A posição atual da Imperatriz Regente era ambígua. Sua popularidade entre os aristocratas, devido à auditoria fiscal, estava no ponto mais baixo. Ainda assim, muitos a cobiçavam, pois o trono imperial estava vago.
“Dançaria comigo, se não se importar, Vossa Majestade?”
“Sim?”— Aran perguntou, confusa.
“É uma brincadeira”— disse o poeta.— “Não leve a sério.”
Aran respirou fundo. Não importava quem fosse seu par, seria desconfortável. Ela pretendia pegar a pessoa mais próxima e dançar rapidamente para encerrar aquela situação embaraçosa.
E, no momento certo, avistou o Duque Sylas a certa distância.
No fim, ela teria acabado dançando com Enoch, o Grão-Duque que lidava com aqueles que se opunham a ela, mas o Duque Sylas estava apenas tentando ajudá-la por boa vontade. Não seria ruim agradecê-lo naquela ocasião. Assim que a Aran deu um passo à frente, alguém segurou sua mão.
“Onde pensa que vai, Vossa Majestade?”— Enoch a fitou com um olhar curioso.— “Se ainda não decidiu um par, por que não dança comigo?”
Enoch ajoelhou-se e beijou a sua mão. Seus lábios quentes tocaram o dorso da mão dela, enquanto seus dedos roçavam o interior de seu pulso. Aran curvou os dedos sem perceber. Aqueles olhos vermelhos, indecifráveis para ela, a encaravam fixamente.
Os jovens nobres que cobiçavam a Imperatriz perderam todo o ânimo assim que o Grão-Duque surgiu. Ninguém estaria disposto a dançar com ela agora que Enoch se mostrara.
Aran, que o conhecia bem, assentiu a contragosto.
Não era uma combinação estranha.
Aran era a Imperatriz Regente do Império, e Enoch era o homem mais nobre de todo o Império. Além disso, ele sempre estivera ao lado da Imperatriz.