Ainda Nem Era Noite (novel) - Capítulo 05
Bam! Como um experimento, quando ele socou o pilar de ferro, o metal afundou no formato do seu punho. Seus colegas olharam para ele, admirados. O próprio Dustin também ficou surpreso ao acertá-lo. Ele encarou a própria mão, incrédulo. Um dos colegas mais próximos gritou:
— Dustin Airak se tornou um Desperto!
Neste mundo, frequentemente houve indivíduos que realizavam milagres com poderes de outro mundo. As pessoas os agrupavam e os chamavam de Despertos. No entanto, o último Desperto que tinha sido visto foi há várias décadas.
‘Eu sou um Desperto?’
Dustin, que havia Despertado de repente da noite para o dia, encontrou um padrão vermelho em forma de anel em seu pulso, em meio à confusão. O desenho era semelhante ao círculo mágico que o atacara na masmorra. Mas ele não sabia o que aquilo significava. Não muito depois, uma parte do anel vermelho perdeu o brilho e desapareceu.
Só depois de usar sua força mais algumas vezes, destruindo metade do campo de treino, Dustin percebeu que o padrão do anel estava relacionado ao poder que ele usava, considerando que parte do anel perdia luminosidade cada vez que ele o utilizava. Era como uma vela de cera que diminuía à medida que queimava.
‘O que acontece quando toda a luz se apagar?’
Quando viu o padrão pela primeira vez, ele brilhava por completo. O que aconteceria se continuasse usando seus poderes até que o anel deixasse de brilhar? Ele simplesmente ficaria sem poder? Além disso, se aquilo consumia energia, deveria haver uma forma de recarregá-la.
Então Dustin decidiu descobrir. Resolveu usar todo o seu poder de uma vez.
Se Andra tivesse visto aquilo, teria chamado de ignorância.
Com a permissão do diretor da academia e dos professores, Dustin recebeu autorização para usar o grande terreno abandonado da instituição. Aos poucos, ele testou os limites de sua força. Começou a aumentar gradualmente o alcance do poder que conseguia usar. A força que havia entortado a barra de ferro passou a sacudir o chão em questão de dias, formando uma enorme cratera.
As pessoas olhavam para Dustin com admiração.
Mas tudo tinha um preço.
O homem, que vinha exaurindo constantemente sua força e apagando a luz do anel, se deparou com uma emboscada inesperada. Depois de usar seu poder, seu corpo e seu membro ficaram quentes, e seu tesão aumentou de forma insana. O que mais o deixava louco era…
Ele simplesmente não conseguia gozar.
Quando se masturbava, não sentia prazer, como se estivesse tocando uma pedra. Tentou seduzir uma mulher, mas, paradoxalmente, ao ficar diante dela, não conseguia sequer ter uma ereção. Mesmo tentando recorrer a algum medicamento, sua mente e seu corpo permaneciam perfeitamente normais, como se os remédios não surtissem efeito em um Desperto.
Dustin não conseguia ter um orgasmo, não importava o que fizesse.
Seu pau apenas liberava um fluido opaco, causando uma dor horrível, mas sem aliviar o tesão que continuava em fúria constante.
‘Porra!’.
Bateu a cabeça contra a parede. Ele se exercitava todas as noites para tentar dissipar esse tesão, mas agora estava no seu limite. Melhorava por um tempo quando ele usava seu poder, mas se este poder e o tesão estivam ligados, então sua libido só dobraria a medida que utilizasse, fazendo o ciclo vicioso se repetir.
Fazia apenas cinco dias desde que se tornara um Desperto e começara a usar suas habilidades.
O anel em seu pulso já havia perdido mais da metade da luz, e Dustin estava ficando louco por não conseguir gozar de jeito nenhum.
🌸🌸🌸
‘Será que foi tudo fantasia?’
Andra fechou o último livro e recostou-se contra a parede. Dezenas de livros e pilhas de papéis estavam espalhados freneticamente ao seu redor.
Assim que Andra voltou à academia vindo das ruínas, a primeira coisa que fez foi coletar dados relacionados à masmorra. Estava investigando o que tinha acontecido com ela. No entanto, nenhuma das fontes deu a Andra qualquer informação relacionada às suas experiências na masmorra.
Além disso, após alguns dias, até mesmo sua memória estava ficando turva. Era como se tivesse sido tudo um sonho.
‘É… talvez tenha sido apenas um sonho criado por magia…’
No começo, o sonho era nítido logo ao acordar, mas depois se tornava nebuloso.
Na verdade, aquele incidente animalesco não poderia ter sido real.
Andra então se espreguiçou, com uma expressão um pouco mais aliviada no rosto. Por mais determinada que estivesse em sua busca, não encontrou nada relacionado, então começou a pensar que talvez realmente tivesse sido apenas um sonho.
Andra jogou o livro que segurava na mesa e se levantou. Respirou fundo e pensou em ter uma boa noite de sono. Durante todos os quatro dias de busca por materiais relacionados, ela não conseguiu decidir se era real ou fantasia, e tinha estado tomada de ansiedade. Agora, parecia que poderia dormir tranquilamente, esticando as pernas em paz.
— Qual é o problema daquele desgraçado do Airak?
Foi um azar ter se envolvido com aquele filho da puta em primeiro lugar. Não importa quão aleatória fosse a seleção dos grupos, ela tinha que ser pareada com aquele vulgar nortenho. Andra estava deitada na cama, abraçando o travesseiro e rangendo os dentes com força.
Nos últimos quatro anos, Andra e Dustin quase não tiveram contato, apesar de estudarem na mesma academia. Dustin era aluno do curso de cavalaria, enquanto Andra estudava arqueologia, então suas áreas de atividades dentro da academia não se cruzavam.
Graças a isso, os dias em que se viam cara a cara dentro de um ano podiam ser contados nos dedos de uma mão, e até encontrar por acaso era azar. A menos que fosse inevitável estarem no mesmo lugar, os dois se evitavam por conta própria.
Era possível porque literalmente se odiavam.
‘Não quero vê-lo de novo até a formatura.’
Andra, que olhava para o teto, se levantou abruptamente.
‘Vou procurar um parceiro substituto agora.’
Havia também a questão da masmorra. Se conversasse com a professora com cuidado, talvez pudesse trocar de parceiro. Afinal, Dustin Airak não a escoltara adequadamente. Em vez de caírem juntos na masmorra, deveria ter segurado sua mão para impedir a queda.
Andra vestiu-se apressadamente e saiu do dormitório. Faltava menos de um mês para o período de treinamento deste trimestre. Não havia tempo suficiente para que ela pudesse ficar tranquilamente no dormitório se quisesse encontrar um estudante de cavalaria para substituir Dustin. Correu para o laboratório, seu cabelo longo esvoaçando atrás.
Não restava muito tempo antes da professora encerrar o expediente.
Andra, que percorreu em dez minutos uma distância que normalmente levaria vinte, entrou no prédio ofegante. Já era fim de tarde, então o local estava relativamente silencioso. Recuperou o fôlego e subiu lentamente as escadas. O laboratório ficava no sétimo andar.
— Você ouviu? Dizem que o Lorde Airak se tornou um Desperto.
Andra, ao chegar ao sétimo andar, parou ao ouvir vozes vindas da esquina do corredor. Instintivamente, prendeu a respiração ao ouvir o nome familiar.
‘Dustin Airak é um Desperto?’
— Ouvi na aula de física. É uma habilidade que combina bem com um cavaleiro.
— Mas depois de despertar, deve ter havido algum problema com o corpo. Aquele pessoa está…
A voz se perdeu. Então Andra dobrou a esquina. No fim do corredor, viu as costas de duas mulheres se afastando. Ela franziu a testa e cruzou os braços.
‘É por causa dele que a academia está em alvoroço?’
Desde que chegara, ficara confinada à biblioteca e aos arquivos, exceto quando estava no dormitório. Não conseguira ouvir direito os rumores que circulavam pela academia. Só percebia o clima caótico e tentava adivinhar o que acontecia. Mas é claro, a causa era Dustin Airak.
‘Quanto tempo faz que voltou para já ter esses rumores seguindo ele?’’
Afinal, aqueles nortenhos vulgares não conseguiam ficar quietos por um instante. Andra estalou a língua. Ainda assim, era realmente inesperado que Dustin tivesse se tornado um Desperto.
Então Andra correu apressadamente para o laboratório da professora ao som do relógio que sinalizava as horas. Dustin Airak não importava agora. O mais importante para ela era encontrar a professora e pedir para trocar
Quando chegou à porta do laboratório, estava encharcada de suor. Arrumou o cabelo embaraçado e bateu educadamente após respirar fundo. Como não ouviu resposta, abriu a porta com cuidado e entrou.
— Professora Assistente Ren?
Assim que entrou, viu a sala auxiliar vazia. Olhou ao redor, abanando a testa suada com a mão, e então bateu na porta da professora. Mas a sala também estava vazia, sem sinais de presença.
— Para onde elas foram…?
Havia uma bolsa ali. Não parecia que tivessem ido embora ainda, então Andra decidiu esperar. Sentou-se em uma cadeira no canto da sala.
Ou melhor, estava prestes a se sentar.
De repente, alguém escancarou a porta e entrou.
— Professora?
Pensando que fosse a professora, Andra levantou-se e foi até a porta. Mas a pessoa que encontrou não era Bellott ou a Assistente Ren.
E sim Dustin Airak.
— …O quê? Por que você está aqui?
Andra ficou perplexa. Nunca imaginara que veria Dustin Airak novamente. E muito menos no laboratório.
Dustin, por sua vez, olhou ao redor, certificou-se de que não havia ninguém e trancou a porta. Clique. O som da fechadura ecoou alto. Ao mesmo tempo, Andra sentiu arrepios percorrerem seu corpo.
Era porque os olhos de Dustin estavam um pouco estranhos, exatamente como o olhar que ela tinha visto na masmorra. Não era completamente o mesmo, mas ela ficou ansiosa com aqueles olhos que pareciam prestes a enlouquecer.
— O-o quê? Por que você trancou a porta?
Instintivamente, Andra pegou um dos cinzeiros que estavam por perto. Pensou em quebrar a cabeça de Dustin e fugir. De alguma forma, sentia que tinha que fazer isso.
— Eu não sei o que você veio fazer aqui, mas fique aí e—
— Andra Avelin.
Dustin interrompeu suas palavras e avançou em sua direção. A distância entre os dois diminuiu rapidamente. Andra recuou às pressas e ergueu o cinzeiro de forma ameaçadora. Mas Dustin não piscou sequer uma vez. Parecia não se importar. Murmurou, com um tom estranho:
— Vamos tentar uma vez para entender.
— O que você quer dizer— suas palavras não fazem sentido, ah!
Dustin segurou com facilidade o pulso de Andra, que segurava o cinzeiro. Ela perdeu o equilíbrio e caiu em direção a ele. Então, com um único movimento, Dustin a ergueu e a jogou sobre o ombro direito. Andra se debateu, chocada, enquanto ficava pendurada de cabeça para baixo no ombro do homem.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet