O Marido Malvado(novel) - Capítulo 210
Eileen observava, presa e impotente, enquanto Cesare escolhia salvar a versão ilusória dela diante da guilhotina. Ele a declarou sua noiva e colocou sobre seus ombros nus a própria capa, o manto vermelho do comandante supremo, usado apenas em seus maiores momentos de triunfo.
A condenada, envolta na vestimenta sagrada, olhou para ele com uma expressão confusa e reverente. Eileen conseguia perceber o que aquela versão ilusória de si mesma estava pensando: ela devia ter acreditado que ele viria salvá-la. Mesmo diante da lâmina, uma pequena parte dela esperava que ele aparecesse. Era uma esperança tola, mas não conseguia evitá-la.
Porque ele sempre… aparecia.
Cesare certa vez lhe dissera que falhou em protegê-la apenas uma vez. Era um momento que agora se desenrolava diante de seus olhos naquela provação, um momento que ele não suportava reviver. O homem mais racional que ela já conhecera escolhera uma ilusão em vez da realidade. Ele abraçou a ilusão que chorava, e naquele momento ele parecia feliz. Era um pensamento terrível, mas não havia outra palavra para descrevê-lo.
Ele a matara apenas seis vezes, uma mera fração das mortes infinitas que ele próprio sofrera. Cesare estava desmoronando sob o peso de suas provações, e ainda assim encontrou felicidade ao salvar a sétima Eileen, mesmo sabendo que era mentira. Ele não queria machucá-la.
Eileen estendeu a mão, um fantasma dentro da própria memória, e acariciou o rosto dele. Mas sua mão atravessou seu corpo. Tudo o que podia fazer era observar.
Preso naquela ilusão, Cesare abriu mão de tudo. O título de comandante supremo, a posição de Arquiduque, a honra que construíra como herói. Passou a viver uma vida pacífica em uma pequena casa de tijolos ao lado da Eileen ilusória, e então finalmente compreendeu o que ele quisera dizer quando afirmara que lhe daria tudo. Agora, tendo realmente abandonado tudo, vivia uma existência tranquila, quase como um sonho.
Eileen tentou de todas as formas fazê-lo perceber sua presença, quebrar a ilusão, mas nada funcionava. Apenas existia ao lado dele, uma observadora impotente.
Então, certo dia, enquanto ele cochilava no jardim, ela viu assassinos se aproximando. O homem se tornara complacente em sua vida pacífica, e sua vigilância desaparecera. Eileen sabia que os derrotaria, mas estava apavorada que ele se ferisse.
— Cesare! — ela gritou, mas ele não se mexeu.
Desesperada, sua mão se estendeu bruscamente, atingindo a laranjeira. Ela sentiu uma sensação, um leve impacto, e seus olhos se arregalaram. Lentamente o homem abriu os olhos, seu olhar carmesim se voltando para ela. Por um momento, ela sentiu um lampejo de esperança, mas seus olhos estavam vazios. Ele não podia vê-la.
Então, desesperadamente, ela sacudiu a laranjeira. Uma laranja madura caiu, e o impacto pareceu acordá-lo completamente. O torpor desapareceu de seus olhos sonolentos, substituído por um frio cortante ao perceber os assassinos ao redor.
Ele lidou com eles rapidamente, com brutalidade.
Sua versão ilusória se escondeu dentro de casa, mas Eileen viu tudo. Assistiu à verdadeira natureza selvagem, a violência que ele sempre escondera dela.
Porém, não sentiu medo. Sabia que ele lutava apenas por ela.
Ela o vira morrer um milhão de vezes, e agora a visão de assassinos sendo mortos por ele já não a abalava.
— Por favor, não se machuque… — ela sussurrou, enquanto ele voltava para dentro.
Com o passar do tempo, o mundo de Cesare ficou cada vez menor. Ele parou de sair do jardim, e o mundo exterior, junto com todas as pessoas nele, pareceu desaparecer. Ele existia apenas para Eileen.
A Eileen, real, começou a sentir a si mesma se fundindo com a versão ilusória. E passou a vivenciar momentos em que se tornava uma com a garota na casa.
Ela estava apavorada. Mas, ao mesmo tempo, se perguntava se aquilo era tão ruim assim. Nunca o vira tão feliz. Talvez fosse melhor para ambos permanecerem presos nessa bela mentira. Começou a passar cada vez mais tempo perdida na ilusão.
Então, um dia, voltou à lucidez.
Era novamente ela mesma, observando tudo de fora.
Seguiu Cesare até o escritório e seus olhos pousaram em um livro na estante. Era um livro sobre plantas raras, um presente que ele lhe dera quando ainda era príncipe.
A palavra Príncipe a atingiu como um raio.
Ele havia sido um príncipe, comandante supremo, herói e imperador. Era um homem de poder e glória. Agora apenas alguém que abandonara tudo, vivendo em uma pequena casa de tijolos. Seria aquele realmente o melhor mundo para ele?
Uma frieza encheu seu peito.
Ela estendeu a mão em direção a ele, querendo despertá-lo. Seus dedos tocaram a estante, derrubando no chão o livro que ele lhe dera.
O som ecoou no cômodo silencioso.
Seus olhos vermelhos se viraram e fixaram diretamente nela.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Leah
Nossa isso realmente e para torturar, que dóóóóó, pelo amor ela te que conseguir trazer ele de volta e continuar viva para estar sempre com ele.