O Marido Malvado(novel) - Capítulo 208
A vida de Eileen como Imperatriz era a imagem da graça perfeita. Com Senon ao seu lado, ela navegava pelo mundo da política e das leis. Lotan e Diego administravam o exército, enquanto Michelle supervisionava o Palácio Imperial. Os cavaleiros permaneciam ferozmente leais, e o império prosperava, auxiliado pelos medicamentos que Eileen desenvolvera anos atrás — Aspiria e Morpheu. A riqueza do império crescia graças à exportação deles, e o povo cantava suas glórias.
Mas, enquanto o império florescia, a própria Imperatriz definhava. Eileen abandonara seus estudos de novos medicamentos e suas amadas plantas. Perdera sua paixão, sua própria razão de existir. Seu único foco era trazer os mortos de volta à vida. Durante sete anos, mergulhou em mitos, procurou textos antigos e até convocou feiticeiros. Mas sua busca desesperada por uma forma de ressuscitar Cesare não rendeu nada. Quando o sétimo ano começou, sua esperança se despedaçou.
Ela queria morrer. Não suportava mais a dor de viver. A pior parte era que ninguém se lembrava dele. Não tinha ninguém com quem compartilhar seu luto, ninguém que pudesse confirmar que ele realmente existiu. Era uma dor solitária e sufocante, e sua sanidade estava, lenta e inevitavelmente, definhando.
Ela começou a vê-lo. Ouvia sua voz, via seu rosto. Estendia a mão para abraçá-lo, apenas para suas mãos atravessarem o vazio. As alucinações desapareciam, e ela ria da trágica e cruel piada de tudo aquilo. Sabia que estava perdendo a razão, mas não se importava. Era a única forma de ainda vê-lo, mesmo que fosse apenas uma ilusão. Era o único jeito de obedecer à sua última ordem.
Ela perdeu completamente a noção do tempo, apenas vagando pelos dias. Então, de repente, voltou a si. Estava no Panteão, diante do Altar de Sacrifício. Havia desmaiado. Normalmente, seus cavaleiros e criados estariam ali, mas ela ordenou que todos fossem embora.
O único som era o crepitar da madeira e o aroma de flores queimando. Ela olhou para as próprias mãos. Estava segurando um lírio.
‘Quando peguei isto?’
Se lembrou de tê-lo trazido naquela manhã, para oferecer a Cesare. Ele gostava de lírios… não é? Em um mundo sem ele, até mesmo suas memórias eram duvidosas. Ela soltou uma risada fraca e vazia. Tudo parecia tão inútil.
Enquanto encarava o lírio, inclinou a cabeça para trás. Um pequeno punhal repousava diante do altar, esquecido. Era uma lâmina usada nos rituais de sacrifício. Objetos cortantes nunca eram deixados perto dela, mas alguém cometera um erro. Ela encarou a lâmina, a mente mergulhada em névoa.
Então, uma voz sussurrou em sua mente:
“Viva, Eileen.”
Uma onda de rebeldia tomou conta dela. Ela tentou. Por sete anos, fizera o possível para viver por ele. Mas não restava esperança.
— Eu não quero — murmurou com a voz rouca.
Sua mão se estendeu. Só mais um pouco, e conseguiria pegar o punhal. Assim que seus dedos tocaram o cabo, uma rajada de vento surgiu do nada, jogando o objeto para longe. Ele escorregou pelo chão de mármore.
Ela franziu a testa, desorientada. Então, viu. Por uma fração de segundo, a chama no altar se tornou dourada. Não podia ter imaginado aquilo. Era o mesmo dourado do fogo sagrado que já vira antes. Dezenas de perguntas passaram por sua mente. Por que agora? Por que o deus interveio? Ela já havia tentado ferir a si mesma antes, mas nada aconteceu.
E então compreendeu.
Desta vez, sua intenção era real. Realmente estava pronta para desobedecer a última ordem do homem. Não estava apenas pensando nisso; iria realmente fazer.
‘Se eu morrer, o que acontece com o acordo?’
Um contrato que não pode ser cumprido é anulado. O deus devia ter interferido para impedir sua morte, para manter o contrato válido. Era a única explicação lógica. Essa era sua única chance, a única pista que encontrara em sete anos.
Era uma ideia terrível, mas ela não tinha escolha. Precisava tentar.
Eileen cambaleou até onde o punhal estava. Ficou diante do altar, a mão tremendo enquanto erguia a lâmina bem alto. As palavras de Cesare ecoaram em sua mente:
“Empunharei a espada sem hesitação para minha senhora.”
Um leve sorriso tocou seus lábios. Ela faria o mesmo por ele.
— Eu imploro a todos os deuses do mundo — disse, a voz trêmula. — Por favor… tragam Cesare de volta.
Lágrimas que não derramava há anos escorriam pelo seu rosto.
— Ofereço a Imperatriz do Império Traon como sacrifício… Por favor… salve Cesare…
Com sua última súplica, ela desceu o punhal, esperando atingir o próprio corpo antes que o deus pudesse impedi-la.
No momento antes da lâmina tocar sua pele, as chamas no altar arderam em uma luz dourada ofuscante.
Assim que reconheceu o fogo sagrado, o mundo se dissolveu, e tudo caiu em escuridão.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Leah
Nossa eles deram felizes juntos algum dia, porque para esses dois toda tragédia e pouco 🥺🥺🥺🥺
Obrigada pela tradução